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CCZ já contabiliza 521 casos de cães com leishmaniose em Corumbá

Levantamento realizado pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) mostra que Corumbá já registrou 521 casos de cães infectados pela leishmaniose, o que corresponde a 24% do total de exames realizados no período de janeiro a agosto de 2012 – 2.163. Os números foram apresentados esta semana, após a liberação de novos laudos por parte […]

Arquivo Publicado em 14/09/2012, às 13h37

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Levantamento realizado pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) mostra que Corumbá já registrou 521 casos de cães infectados pela leishmaniose, o que corresponde a 24% do total de exames realizados no período de janeiro a agosto de 2012 – 2.163. Os números foram apresentados esta semana, após a liberação de novos laudos por parte da equipe responsável pelos exames no Centro de Zoonoses, a partir da realização de um novo inquérito canino no Previsul, Nova Corumbá e região.


Os números, segundo a médica veterinária Viviane Ametlla, coordenadora geral de Vigilância em Saúde da Secretaria de Saúde da Prefeitura, são preocupantes. Conforme ela, as equipes do CCZ estão desenvolvendo um trabalho intensivo para conter o avanço da leishmaniose, que pode ser transmitida ao ser humano.


“Já tivemos dois casos de leishmaniose visceral e dois casos de leishmaniose tegumentar. Felizmente, todas estas pessoas estão bem, após tratamento”, informou. Viviane alerta que o trabalho que está sendo desenvolvido é justamente para evitar surgimento de novos casos, principalmente em humanos.


A Prefeitura iniciou um novo inquérito canino em regiões críticas, com a coleta de sangue de cães para saber se estão infectados. Viviane destaca que isto é importante, principalmente pelo fato de que em muitos animais, a doença demora a aparecer e, neste período, eles acabam transmitindo para outros cães e até mesmo para o ser humano.


Recolhimento


Nesta sexta-feira, o Centro de Controle de Zoonoses está concluindo os últimos exames e recolhendo os cães infectados pela leishmaniose, doença transmitida pela picada de mosquitos do gênero Flébotomo, conhecido também como mosquito palha. O trabalho faz parte do inquérito canino conforme recomendação do Ministério da Saúde.


A supervisora chefe do Centro de Zoonoses, bióloga sanitarista Grace Bastos, informou que a captura dos cães infectados pela doença está ocorrendo agora, após a realização dos exames laboratoriais. “Na medida em que os resultados vão sendo liberados, encaminhamos para o canil para que seja providenciada a captura do animal infectado”, observou.


Segundo a bióloga, para que seja feito o recolhimento do animal com a doença, é desenvolvido um trabalho educativo junto ao proprietário, mostrando a ele a necessidade de encaminhar o cão ao CCZ para a eutanásia. “Não há tratamento. Se o animal permanecer na residência, o risco de contaminar outros animais é grande, isto sem contar o risco causado ao ser humano. Por isso é importante entregar o animal infectado para que o CCZ tome as devidas providências”, explicou.


A captura começou agora após realização de um trabalho iniciado com a coleta do sangue do animal em duas regiões da cidade, no Previsul e na Nova Corumbá, que atendeu também o Loteamento Pantanal, Guanã I e II, Kadweus.


O primeiro exame foi o Diagnóstico Rápido para Leishmaniose. Segundo Grace, em caso do teste apontar resultado positivo, uma amostra é encaminhada para o laboratório do CCZ para que seja feita uma contra prova com outra técnica laboratorial, o Elisa. “Esta é mais uma etapa do inquérito canino. A pessoa que se negar a entregar o animal doente, terá que assinar um termo de responsabilidade e será informado sobre todos os riscos”, reforçou.


O Centro de Zoonoses realizará mais uma ação em outubro, nas localidades atendidas pelo inquérito canino. O trabalho prevê controle químico, manejo ambiental e de educação ambiental junto à comunidade, principalmente nas escolas localizadas nestas áreas, na tentativa de reduzir o número de animais infectados pela leishmaniose.


A doença


A transmissão da doença se dá através da picada de um inseto, o flebótomo do gênero Lutzomyia, que é pequeno o suficiente para atravessar malhas de mosquiteiros e telas. Ele recebe diversos nomes que variam com a região onde é encontrado, como mosquito palha, tatuquira, birigui, cangalhinha, asa branca, asa dura e palhinha.


Não há transmissão direta de pessoa para pessoa. A leishmaniose é uma zoonose. O mosquito só transmite a leishmania se tiver picado um animal infectado.


As fontes de infecção são principalmente animais silvestres infectados, mas o cão doméstico pode servir também como hospedeiro (o ser infectado). Quando o homem é picado pelo inseto que carrega a leishmania, pode desenvolver dois tipos de doença: a leishmaniose tegumentar (que acomete a pele e as mucosas) ou a leishmaniose visceral ou calazar (que acomete os órgãos internos). O que define se o paciente terá a forma cutânea ou a forma visceral é o tipo de leishmania que o contamina.


A leishmaniose tegumentar ou cutânea é caracterizada por lesões na pele, podendo também afetar nariz, boca e garganta (esta forma é conhecida como “ferida brava”). A visceral ou calazar, é uma doença sistêmica, pois afeta vários órgãos, sendo que os mais acometidos são o fígado, baço e medula óssea. Sua evolução é longa podendo, em alguns casos, até ultrapassar o período de um ano.


Já os cães doentes podem apresentar os seguintes sintomas: perda de peso; falta de apetite; apatia; debilidade; feridas de pele que não cicatrizam; feridas nos bordos das orelhas; lesões oculares e falta de pelo à volta dos olhos.

Jornal Midiamax