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Casamento no cimena; altar é em frente à tela gigante no DF

A primeira sessão da sala 4 do ParkShopping neste domingo (8) pode ter inaugurado uma nova era para os cinemas brasileiros. Um jovem casal de Brasília escolheu o local, palco do primeiro beijo entre os dois, para realizarem seu casamento. O principal atrativo do local inusitado foi sentido no bolso: pagaram cerca de R$ 15 […]

Arquivo Publicado em 09/01/2012, às 00h40

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A primeira sessão da sala 4 do ParkShopping neste domingo (8) pode ter inaugurado uma nova era para os cinemas brasileiros. Um jovem casal de Brasília escolheu o local, palco do primeiro beijo entre os dois, para realizarem seu casamento. O principal atrativo do local inusitado foi sentido no bolso: pagaram cerca de R$ 15 mil por todo o evento, que em um salão mais refinado pode custar o dobro.

Os noivos e os padrinhos entraram pela fileira central do cinema. Todos assistiram à cerimônia com pipocas e refrigerante logo ao lado. Houve até um trailer sobre como se apaixonaram o servidor público Lucas Beserra, 20, e a publicitária Aline Andrade, 19. A trilha sonora também fez reverência à sétima arte, com “No Escurinho do Cinema”, de Rita Lee, e “Splish Splash”, gravada por Roberto Carlos, Sandy & Júnior e outras estrelas da música popular.

A cerimônia mais barata também criou dificuldades, como a falta de ensaio e alguns tropeços dos convidados principais nas escadas do cinema. Mas a aprovação do grupo vindo principalmente de Santa Maria, uma região carente do Distrito Federal, foi geral. “Sempre gostamos de fazer as coisas de um jeito diferente”, disse Aline. “Acho que serviu para fazer do nosso casamento algo ainda mais especial.” O primeiro beijo aconteceu na mesma sala há pouco mais de um ano.

O gerente de Planejamento da rede Kinoplex, o espanhol Miguel Fontanet, disse ser a primeira vez que um evento desse tipo acontece no Brasil. “Estamos tão nervosos quanto os noivos. E digo isso porque já estou casado com o cinema. Me casar aqui seria muito masoquismo”, divertiu-se o executivo. “Isso já foi realizado em alguns outros países, mas no Brasil não tenho notícia. E nosso grupo tem 90 anos de história, saberíamos se tivesse acontecido”.

Pré-estreia

Para o juiz de paz Luiz Felipe Rezende, que já celebrou um casamento debaixo d’água, os casais estão cada vez mais ousados. Por isso, ele também tem de acompanhar na celebração, fazendo adaptações no texto. “Que hoje seja apenas uma pré-estreia para vocês”, disse aos noivos já no altar da cerimônia civil. “O longa que vocês vão filmar ainda está por vir, no resto da vida de vocês”.

Pelo menos 200 convidados compareceram na cerimônia, que começou às 10h20. Às 13h a sala já deveria estar vazia, para que a sessão do cinema às 14h pudesse ser realizada. E com ela retornar a lógica de que a primeira fileira da sala não é sinal de prestígio, como aconteceu no casamento, e sim de dificuldade para ver o que está na telona.

Jornal Midiamax