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Caprichosos de Corumbá prepara desfile em homenagem a indígenas da América

Com um enredo histórico, a Caprichosos de Corumbá busca manter seu espaço dentro do Grupo Especial do Carnaval. Faltando menos de um mês para o desfile, a escola está em ritmo acelerado para deixar tudo pronto para a apresentação da segunda-feira, 20 de fevereiro.“1492 – 520 anos antes, 520 anos depois: a história da conquista […]

Arquivo Publicado em 26/01/2012, às 13h04

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Com um enredo histórico, a Caprichosos de Corumbá busca manter seu espaço dentro do Grupo Especial do Carnaval. Faltando menos de um mês para o desfile, a escola está em ritmo acelerado para deixar tudo pronto para a apresentação da segunda-feira, 20 de fevereiro.

“1492 – 520 anos antes, 520 anos depois: a história da conquista de um continente banhado a ouro, prata e sangue” reúne dois momentos onde as etnias indígenas da América são protagonistas do enredo. Partindo da data do descobrimento da América, que completa em 2012, 520 anos, a agremiação carnavalesca pretende mostrar como viviam e como vivem atualmente os índios no continente americano.


De acordo com o carnavalesco, Marcos Vinícius “Dolly”, a proposta é fazer uma homenagem para os povos indígenas da América, entre eles, os astecas, os incas e os maias, que deixaram muitas influências para nossa civilização.

“A referência histórica em relação a elas (civilizações) é muito forte. Eles deixaram a cultura, a religião e muitas outras coisas pra gente. Eles já cultivavam a plantação: a mandioca, a batata. Foram eles os criadores do jeans azul que existe hoje em dia, os astecas que fizeram a criação desse tecido. Então são riquezas de culturas passadas que foram transferidas para a gente. Essa é a nossa origem, são os verdadeiros povos que viviam aqui”, ressaltou ao lembrar que os membros da diretoria da escola estão convidando representações de etnias do estado para participarem do desfile.

“O nosso carnaval quer mostrar de onde a gente veio, que a nossa origem é indígena porque querendo ou não, mesmo com a miscigenação dos espanhóis, portugueses e africanos, nosso sangue puro é o indígena e muita gente está se esquecendo disso: da nossa raiz”, avaliou ao lembrar que, durante o desfile, o outro lado, a influência dos homens brancos sobre essas civilizações, também será mostrado.

“A gente vai mostrar o que não é novidade para ninguém, mas vamos fazer da forma mais suave possível, a situação indígena atual. Segundo o calendário maia, 2012 é o ano da profecia, do fim do mundo, mas na verdade, pra gente isso já começou há muito tempo porque os donos da terra, que são os índios, estão sendo retirados de seu lugar. A mídia mostra bastante a situação indígena hoje em dia”, detalhou Dolly.

“Não queremos só fazer um carnaval de protesto como muitos já fizeram, queremos mostrar a raiz dos índios, mostrar o lado alegre e feliz, e não o lado triste que o homem branco trouxe para os indígenas”, comentou ao revelar que a Caprichosos pretende desfilar com no mínimo 800 foliões.

Novidades

Sobre o trabalho de confecção, ele avisa que a escola vem trazendo novidades, entretanto preferiu não revelar detalhes.

“A escola vai mostrar um carnaval alegre, diferenciado, estamos usando materiais inovadores para o carnaval de Corumbá, que não foram usados pelo menos nessa quantidade. Esse material tem um acabamento diferenciado e gostaríamos de mostrar isso na avenida”, disse ao contar que a Caprichosos busca trazer seis carros alegóricos para a passarela do samba.

Outro ponto que o carnavalesco detalhou ao Diário é sobre a comissão de frente para qual pensou fantasias diferenciadas e também uma nova forma de apresentação.

“Para nossa comissão de frente, idealizei uma coisa diferenciada, pra sair um pouco do padrão que Corumbá está acostumada a ter, principalmente em figurino. A parte coreográfica, conversei com o responsável para que ele faça uma coisa mais interpretativa, uma coisa teatral para que o júri e o público, entendam o que ela quer passar. Isso, claro, unido à dança”, explicou ao ressaltar que a coreografia também deve estar presente em algumas alas ao longo do desfile.

Detalhes fazem a diferença

Dolly contou ainda que a escola trará para a avenida dois casais de mestre-sala e
porta-bandeira. Para o primeiro casal, que é quesito de avaliação, ele prepara uma fantasia que simboliza os astecas. Angêla Arruda, primeira porta-bandeira da escola, faz questão de ajudar no barracão e aproveita os momentos para discutir detalhes como a maquiagem do desfile. “A maquiagem tem que estar de acordo com a fantasia, testamos vários tipos para ver qual vai ‘casar'”, disse Ângela ao Diário, quando fazia um teste para saber qual composição ficará melhor com o traje que usará.


O maquiador Kelvin ressaltou que a combinação de cores e traços permite melhor desempenho da expressão facial da porta-bandeira que tem que conduzir com graça e simpatia o pavilhão da escola. “Não adianta a pessoa estar com uma fantasia bonita se a maquiagem não está de acordo, pois acaba com o brilho. O jogo de cores, sombras, é importante. Também vamos usar pontos de luz com strass e cílios postiços finalizam a maquiagem que precisa ser mais evidente do que a usada no dia a dia”, garantiu.

As fantasias da Caprichosos estão sendo comercializadas no próprio barracão da escola durante os ensaios, de 2ª a 6ª feiras. O endereço é: rua Duque de Caxias esquina com a 21 de Setembro, bairro Nossa Senhora de Fátima.

Jornal Midiamax