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Candidatos intensificam provocações durante debate promovido por professores

Na plateia e no lado de fora, o clima também foi tenso com vaias e acusações de participação de funcionários da REME na torcida do candidato governista

Arquivo Publicado em 18/09/2012, às 15h50

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Na plateia e no lado de fora, o clima também foi tenso com vaias e acusações de participação de funcionários da REME na torcida do candidato governista

Na reta final da corrida por votos, os candidatos a prefeito de Campo Grande intensificam a cada dia a troca de críticas na busca pelas primeiras colocações na disputa eleitoral. Nesta terça-feira (18), em debate, promovido pelo ACP (Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública), as propostas tiveram destaque, mas também houve provocações e direito de resposta. Do lado de fora, as torcidas engrossavam o tom acirrado do embate eleitoral.


De forma geral, seis dos sete candidatos prometeram cumprir o piso salarial da categoria, se comprometeram a construir mais Ceinfs (Centros de Educação Infantil), firmaram compromisso de fazer valer um terço da hora atividade para planejamento, asseguraram democratizar a eleição dos diretores das escolas, informaram incentivar a construção de mais escolas de tempo integral e realizar concurso público para contratar mais profissionais. Só não compareceu ao debate Suél Ferranti (PSTU) por conta de falecimento na família.


Na plateia do Teatro Glauce Rocha, na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), vários professores e educadores ouviam atentamente. Da parte deles, também houve provocações e cobrança aos candidatos. Em alguns momentos, a mediadora, jornalista Débora Alves, precisou intervir por conta do tom alto das vaias.


O debate começou com a apresentação das propostas dos seis candidatos, Edson Giroto (PMDB), Vander Loubet (PT), Sidney Melo (PSOL), Reinaldo Azambuja (PSDB), Marcelo Bluma (PV) e Alcides Bernal (PP), respectivamente. Todos firmaram os compromissos acima citados.


Somente Giroto não garantiu implementar de imediato a escolha direta de diretores. Segundo ele, antes é preciso debater o assunto com a categoria para definir os critérios da eleição. “A população, os pais, os professores querem votar”, gritou uma educadora da plateia.


Vander aproveitou para frisar que em Mato Grosso do Sul, até agora, só o PT fez de fato uma “gestão democrática e participativa”. Sidney disse acabar com a “truculência” na discussão dos interesses dos educadores e professores e destacou ser mérito dos profissionais da educação os prêmios nacionais de Campo Grande e “não exclusivamente da administração, como fazem questão de propagar”.


Desabafo


Bernal desabafou e disse vivenciar na pele “o assédio moral que os professores enfrentam”. “Já atacaram a minha família e a minha honra. Esse é o preço que paga quem decide enfrentar aqueles que se julgam acima do bem e do mal”, disse fazendo menção a denúncias e ameaças contra ele, que lidera a corrida eleitoral, conforme pesquisa do DATAmax.


Na hora das perguntas, o clima começou a esquentar quando Sidney classificou como “prática rotineira a tentativa de diminuir o direito de organização da categoria”. “O candidato da situação disse em entrevista que a democracia é bobagem” disparou. No mesmo momento, Giroto pediu direito de resposta, ao som de vaias e dizeres “falou, falou”. O governista garantiu não ter usado e termo e rebateu: “respeito as categorias”.


Azambuja x Giroto


Azambuja também não perdeu a oportunidade de provocar ao lembrar emenda de R$ 1 milhão, que garantiu a compra de equipamentos para as escolas da Capital. “Tem pessoa que quer assumir a paternidade de tudo de bom que acontece aqui, mas o trabalho é de várias mãos”, frisou. O tucano ainda classificou de “conversa fiada” as promessas dos governistas. “Se fosse para cumprir já tinha que ter cumprido”, comentou.


Na reta final do debate, o clima voltou a esquentar entre Giroto e Azambuja. O governista chamou o tucano de mal informado por desconhecer acordo do prefeito Nelsinho Trad (PMDB) com a categoria para pagar em três vezes, a partir do ano que vem, um terço da hora aula/atividade.


“Se fosse para cumprir já estaria pagando hoje, não fazendo compromissos futuros envolvendo uma nova gestão”, rebateu Azambuja em direito de resposta. Ele ainda cobrou a necessidade de “abrir a caixa preta da prefeitura para saber quando dinheiro tem em caixa”.


Denúncia contra cabos eleitorais


Do lado de fora, cabos eleitorais de Vander e Azambuja denunciavam a presença de servidores da Reme ((Rede Municipal de Educação) no grupo de cabos eleitorais de Giroto. “Nessa hora eles deviam estar trabalhando”, diziam. Indagados sobre a acusação, o grupo disse ter o direito de fazer campanha para quem quer, mas ninguém negou a denúncia. Giroto, por sua vez, disse responder apenas por seus atos.

Jornal Midiamax