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Brasileiros enfrentam clima de guerra na Síria e agora cobram na Fifa os salários atrasados

Histórias de jogadores brasileiros que foram para países de menor expressão no mundo do futebol e enfrentaram dificuldades de adaptação já não são mais novidade. Porém, os problemas vividos pelos zagueiros Leonardo e Fábio não foram a comida diferente, a língua desconhecida ou o frio excessivo, mas sim a guerra civil existente na Síria. A […]

Arquivo Publicado em 26/12/2012, às 17h38

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Histórias de jogadores brasileiros que foram para países de menor expressão no mundo do futebol e enfrentaram dificuldades de adaptação já não são mais novidade. Porém, os problemas vividos pelos zagueiros Leonardo e Fábio não foram a comida diferente, a língua desconhecida ou o frio excessivo, mas sim a guerra civil existente na Síria.



A dupla defendeu o Al Shorta, principal time da capital Damasco, entre janeiro e julho deste ano. Além do temor por conta da guerra entre grupos de oposição e as tropas governamentais do presidente Bashar al-Assad, os jogadores ficaram meses sem receber seus salários e benefícios e agora brigam na Fifa (Federação Internacional de Futebol) para reaver o montante devido.



Segundo Fábio, apesar de não ter presenciado nenhum ataque – a capital Damasco só foi invadida pelos rebeldes em julho, pouco depois da saída deles -, o clima no país era de tensão total.



“O negócio está muito feio lá. Estávamos em Damasco, onde as coisas não apareciam tanto, mais nas redondezas, mas eu evitava sair de casa. Ouvia barulhos durante a noite. A sexta-feira era o pior dia, quando mais as coisas aconteciam”, disse o jogador, que passou por times como Ponte Preta, Marília e Joinville, e agora tenta a sorte em um time no Brunei.



“A família ficava desesperada para eu ir embora. Podia acontecer algo a qualquer momento. Esperei até o fim do contrato e vim embora”, lembrou.



“Já sabia dos problemas que existiam lá, mas começamos a jogar sem problemas. Realmente havia o problema da guerra no país, mas em Damasco era menor o impacto. Não presenciei nada”, disse o zagueiro Leonardo, de 35 anos, e com passagem de quatro anos pelo Palmeiras e Flamengo.



E o clima de guerra pelas cidades da Síria tem influência direta no atraso nos salários. Antes do conflito, que dura quase dois anos e já matou mais de 44 mil pessoas, os estádios viviam cheios e o clube prometia pagar salários entre US$ 10 mil (R$ 20,7 mil) e US$ 15 mil (R$ 31 mil) para os brasileiros. Porém, o torcedor, com medo da violência, se afastou das arquibancadas e os clubes foram obrigados a mandarem seus jogos em outros países, como a Jordânia, passando a enfrentar sérias dificuldades financeiras.



“Fiquei três meses sem receber e vim embora. Quando cheguei, estava tudo normal, aí começaram a atrasar, depois enrolavam e decidi sair. A direção falava que estava sem dinheiro. O time inteiro estava sem receber. Não é um salario grande, mas é um valor que vale a pena”, disse Leonardo, que deve disputar o Campeonato Carioca pelo Nova Iguaçu.



Fábio também entende que a aposta em países de menor expressão no futebol mundial é uma boa, principalmente pelo salário.



“Preciso de mais três, quatro anos para me estabilizar financeiramente e aqui no Brasil não dá. O time só quer fazer contrato por quatro meses, para os Estaduais. Fora, são só contratos de um ano”, disse o zagueiro, que passou pelo futebol da África do Sul e da Índia, além de diversos clubes no Brasil.



Há ainda um jogador brasileiro no elenco do Al Shorta. O volante Gilson não deixou o time no meio do ano, mas também estava sem receber salários, segundo Leonardo e Fábio.



Os dois jogadores buscaram ajuda do advogado Eduardo Carlezzo, especialista em direito esportivo, que já deu entrada na Fifa com o processo.



“Foi protocolado o pedido e a Fifa já procurou o clube, estamos esperando o pronunciamento. Pedimos os salários atrasados e também um indenização pelo clube ter deixado os jogadores desamparados em uma situação complicada como a que a Síria vive. Temos grandes chances de ganhar”, disse Carlezzo, que pede entre US$ 60 mil (R$ 124,2 mil) a 170 US$ mil (R$ 351,9 mil) para cada um.


Jornal Midiamax