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‘Boate a céu aberto’ prejudica comerciantes durante fim de semana em Dourados

O som alto na área central de Dourados está tirando o sossego e causando prejuízos graves às empresas. No ramo de combustível, alguns postos já cancelaram os atendimentos nos finais de semana para evitar a aglomeração de jovens. O ramo de hotelaria é o mais prejudicado, já que o som alto afugenta os clientes. No […]

Arquivo Publicado em 24/07/2012, às 12h38

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O som alto na área central de Dourados está tirando o sossego e causando prejuízos graves às empresas. No ramo de combustível, alguns postos já cancelaram os atendimentos nos finais de semana para evitar a aglomeração de jovens. O ramo de hotelaria é o mais prejudicado, já que o som alto afugenta os clientes. No serviço 190 da Polícia Militar, 60% das queixas são de perturbação de sossego e som alto. A PM está fazendo arrastões pelo centro de Dourados para coibir o problema.


O empresário Jorge Cardoso da Silva, proprietário de um hotel em Dourados, diz que já perdeu mais de 20 clientes somente este ano. “Eles abandonaram o hotel no meio da noite porque não conseguiam dormir. É uma situação constrangedora. Chamamos por muitas vezes a polícia, mas a algazarra continuava assim que os policiais viravam as costas”, disse, observando que a baderna está em um posto de combustível nas imediações da Marcelino Pires com a Albino Torraca.


Segundo o empresário, a situação é tão grave que até crianças de colo ficam sujeitas à influência de grupos de jovens “barulhentos”. “Já existem denúncias na Promotoria, que deve estar investigando estas situações. São crianças expostas ao consumo de álcool e drogas na área central”, destaca. Jorge Cardoso diz que o barulho é tanto que a esposa começou a apresentar problemas de saúde. “Ela fica nervosa com a algazarra que é feita até de madrugada e que acaba incomodando os clientes. Quem vai querer se hospedar num hotel perto de um local cheio de carros de som e bagunça?”, indaga.


O advogado Wilson Souto diz que colegas empresários de postos de combustível estão tendo que reduzir os atendimentos. “Em um deles o comerciante vai fechar com grade para evitar que alguns grupos entrem no estabelecimento. Este mesmo empresário já está tendo mais de R$ 20 mil em prejuízos mensais porque decidiu deixar de vender nos finais de semana devido aos transtornos”, destaca.


As denúncias chegam ao Ministério Público. De acordo com a Promotoria de Meio Ambiente, representada pelo promotor Ricardo Rotuno, há uma série de queixas em relação a perturbação de sossego e estas estão sendo encaminhadas para análise da Secretaria Municipal de Meio Ambiente. O MP já acionou órgãos de segurança para se mobilizarem e efetuarem uma fiscalização mais rigorosa na área central.


Na rua Monte Castelo, nas imediações da Hayel Bon Faker uma conveniência tira o sossego dos vizinhos. Segundo denúncia na promotoria, no local é realizado um pagode. Há som alto, concentração de veículos e até disparos de arma de fogo. Alguns desses grupos fazem das calçadas o banheiro, que não é disponibilizado na conveniência.


De acordo com a Secretária de Meio Ambiente de Dourados, Valdenise Carbonari Barbosa, este ano a pasta já realizou mais de 50 vistorias em empresas na área central de Dourados. Destas, 20 tiveram que se adequar em relação ao volume do som.


De acordo com o fiscal ambiental Marcos de Brito, a competência do órgão é para fiscalizar empresas que emitem som. O problema é que a maioria dos transtornos causados por som alto estão em veículos que ficam concentrados em frente a determinadas empresas. Sendo assim, segundo ele, caberia aos agentes de trânsito, como Polícia Militar e Guarda Municipal.


Policiamento


A PM de Dourados, juntamente com a Polícia Civil, DOF, Guarda Municipal e Juizado da Infância, estão fazendo arrastões na área central. De acordo com o major Carlos Silva, o objetivo é prevenir os acidentes e acabar com a algazarra. Neste sentido, foram realizadas várias apreensões neste final de semana. Outra novidade é que a PM já vem monitorando os pontos onde há barulhentos e desta forma diminuindo os abusos. O major diz que qualquer cidadão pode acionar o serviço 190 para denunciar. Não é preciso se identificar já que a queixa será realizada pelo Ministério Público, sendo o Estado vítima dos barulhentos.

Jornal Midiamax