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Bandidos dizem que veículo de estudantes mortos valeria três quilos de cocaína

Pajero seria encomenda de um comparsa em Corumbá, que faria a avaliação do veículo, mas que ao menos pagaria três quilos do entorpecente como recompensa.

Arquivo Publicado em 03/09/2012, às 15h04

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Pajero seria encomenda de um comparsa em Corumbá, que faria a avaliação do veículo, mas que ao menos pagaria três quilos do entorpecente como recompensa.

A vida dos estudantes Breno e Leonardo, de acordo com o bandido que os executou na noite da última quinta (30), valeria três quilos de cocaína, caso o veículo Pajero em que eles estavam estivesse atravessado a fronteira com a Bolívia. Seria esta a recompensa dos homens que disseram estar ‘entrando no mundo do crime’.


Há três meses, de acordo com o mentor da quadrilha, Rafael Costa da Silva e Weverton Gonçalves Feitosa, ambos de 22 anos, eles conheceram uma pessoa, que mantinham contato apenas por telefone. Ele se identificava como ‘tia’ e, como Rafael e Wevertons iniciavam a vida como traficantes, a pessoa encomendou a eles caminhonetes para serem trocadas por drogas na fronteira.

Bandidos iniciaram no ‘mundo do crime’ matando um piloto, com a intenção de roubar sua Hillux


A primeira tentativa seria a Hillux do piloto da Tam, morto no mês de agosto deste ano. Logo após perceber que seria abordado pelos bandidos, Marco Antônio Leão Ramos emitiu luz alta, como um sinal para a polícia. A vítima, infelizmente foi morta ainda dentro do carro e eles fugiram, sem levar nada. 



Bando percorreu show de Michel Teló para encontrar possíveis vítimas

No aniversário da cidade, no dia 26 de agosto, inclusive quando ocorria o show de Michel Teló no parque das Nações Indígenas, o bando ainda procurou diversas vítimas, mas não realizou nenhuma abordagem. A partir daí, eles ainda identificaram uma mulher que estacionava uma F-250 todos os dias na Via Park, mas somente não a abordaram porque não ‘acharam o momento certo’.


Então, nos próximos dias, quando passavam ao redor de uma universidade na avenida Ceará, identificaram duas caminhonetes que poderiam ser roubadas, aguardando quem sairia primeiro e assim iniciariam o crime que culminou na morte dos estudantes.


Segundo a Polícia Civil, logo que Breno acionou o alarme e entraria no carro, ainda com as portas abertas, os bandidos entraram no carro. Breno foi ao banco da frente com Weverson, que conduziu o carro até a saída para Rochedo e o estudante Leonardo foi atrás com Rafael, que mantinha em punho um revólver de calibre 38.


Dando cobertura a dupla, em um veículo Uno Mille azul, de placa HRI 4006, estava à esposa de Rafael, Daiane e o adolescente de 17 anos. Eles ainda mantinham contato com um quinto elemento, que seria Raul, que prometeu mandar dinheiro a eles quando precisassem.

Vítimas não esboçaram reação em momento algum e imploraram pela vida diversas vezes


No caminho, segundo os próprios autores do crime, as vítimas não esboçaram qualquer reação e Leonardo pedia a todo o momento para levarem o carro, pedindo apenas para não ser morto. Por implorar pela vida, Leonardo levou uma coronhada com o revólver.


Os bandidos então pararam no macroanel. Eles disseram que foi durante o trajeto que decidiram executar os estudantes, já que não tinham cordas para amarrá-los e estavam com o rosto aparente. Ao parar a Pajero, Breno começou a receber chutes nas genitálias e ao baixar, levou um tiro na cabeça. Ele foi o primeiro a ser morto.


Da mesma maneira, de acordo com os bandidos, Leonardo foi morto. Ele também foi agredido e logo em seguida recebeu um tiro na cabeça. “As agressões foram coisas do momento, agora me arrependo muito. Eles eram muito jovens para serem mortos. Acho que foi mesmo a ganância por dinheiro”, disse Weverton.


Todos os envolvidos vão responder pelos crimes de latrocínio, formação de quadrilha, corrupção de menores, roubo qualificado e ocultação de cadáver. “Vamos tentar dificultar o máximo possível a vida desses bandidos e enquadrá-los na maior quantidade de crimes, para que eles passem muito tempo na cadeia”, diz a delegada Maria de Lourdes, responsável pelas investigações.

Jornal Midiamax