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Aumento salarial para marajás da prefeitura deixa fora médicos, professores e outras categorias

O reajuste vale apenas para 98 servidores, secretários municipais, prefeito e vice-prefeito, ao contrário das 26 categorias alegadas por alguns vereadores.

Arquivo Publicado em 21/12/2012, às 14h59

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O reajuste vale apenas para 98 servidores, secretários municipais, prefeito e vice-prefeito, ao contrário das 26 categorias alegadas por alguns vereadores.

O reajuste de salário do prefeito eleito, Alcides Bernal (PP), reflete em aumento apenas para 98 funcionários municipais entre auditores e procuradores. Médicos, professores e outras categorias ficam fora da lista de beneficiados. Os vereadores pretendem votar o reajuste salarial em 31%, sob alegação que 26 categorias seriam prejudicadas com o congelamento salarial do chefe do executivo municipal. Para o vereador Mário Cesar, quanto menos categorias, mais força ganha a aprovação do projeto.

De acordo com informações da vereadora Thais Helena (PT), a quantidade de categorias beneficiadas informada não é verdadeira, uma vez que o reajuste só beneficiará servidores que recebem o mesmo salário que o prefeito, que hoje está orçado em R$ 15 mil. Assim, segundo a parlamentar, servidores da Associação Cultural dos Terapeutas Ocupacionais, fisioterapeutas, farmacêuticos, dentistas, funcionários do Hospital Regional, professores e até médicos ficam fora da lista.

Ao contrário dos vereadores, que recentemente aumentaram seu próprio salário em 66% – passando de R$ 9 mil para R$ 15 mil – os servidores municipais tiveram apenas o reajuste de salário com base nos índices da inflação, ou seja, 5,5%. Algumas categorias, como os professores, conseguiram reajustar seus vencimentos em 22%. Contudo, parcelado em três vezes.

Para o presidente da ACP (Sindicato Campograndense dos Profissionais da Educação), professor Geraldo Alves Gonçalves, seria justo que todo o funcionalismo tivesse o mesmo direito. “Todas as categorias têm direto ao reajuste salarial e o sindicato gostaria que ele fosse para todos. Nossa data base é em maio e seria justo que o magistério tivesse aplicado o mesmo percentual que eles vão ter”, declarou o professor.

Nem mesmo o trabalhador comum comunga de aumentos tão elevados, uma vez que o salário mínimo tem previsão de aumentar em 7% em 2013, quando deve passar dos R$ 622 para R$ 667,75. Se aprovado, o salário do prefeito em 2013 deve passar dos R$ 15 mil para R$ 20 mil.

Líder do prefeito diz que quanto menos, melhor.

Para o líder do prefeito na Câmara, vereador Mario César (PMDB), saber que são menos funcionários que vão receber o reajuste, é mais um motivo para aprovar o aumento. “Se não vão ser 26 categorias, o impacto na folha é menor e me sinto mais a vontade em reforçar o desejo de aumento”, afirmou categoricamente.

O vereador Mário César é fiscal de renda de carreira, mas nega que esteja favorecendo sua categoria. “Os auditores, por exemplo, mesmo com salário estagnado continuam trabalhando normalmente. A carreira de auditor é uma carreira de Estado e devem ter o mesmo tratamento de um juiz, como estabelece a Constituição Federal”, justificou.

Na sessão desta quinta-feira (20), o vereador chegou a defender o aumento em 61%, o que faria o salário aumentar em até R$ 10 mil, chegando a R$ 25 mil. Além dos cerca de 98 servidores, o aumento é extensivo a secretários municipais e vice-prefeito.

Jornal Midiamax