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Audiências discutem a proibição de pulverização aérea nas lavouras brasileiras

Duas audiências públicas serão realizadas no Congresso Nacional para discutir a proibição da pulverização aérea de quatro componentes de inseticidas utilizados nas lavouras das principais culturas produzidas no Brasil. Depois da atuação da Frente Parlamentar da Agropecuária – que foi provocada por entidades representativas dos produtores rurais como a Associação Brasileira dos P...

Arquivo Publicado em 10/12/2012, às 20h00

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Duas audiências públicas serão realizadas no Congresso Nacional para discutir a proibição da pulverização aérea de quatro componentes de inseticidas utilizados nas lavouras das principais culturas produzidas no Brasil. Depois da atuação da Frente Parlamentar da Agropecuária – que foi provocada por entidades representativas dos produtores rurais como a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) – a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados e a Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado aprovaram dois requerimentos semelhantes para debater a questão que tem colocado o setor produtivo em alerta.



Desde a publicação da portaria conjunta do Ministério da Agricultura e Pecuária e Abastecimento (Mapa) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), atendendo solicitações de entidades como a Aprosoja Mato Grosso e até mesmo da Câmara Setorial da Soja do Mapa, Aprosoja Brasil tem insistido no prejuízo que a medida causa à produção agrícola do país. De acordo com dados da entidade, as perdas em valor da produção até 2020 poderão alcançar R$ 14 bilhões. Um dos principais problemas para esta safra, segundo a entidade, foi o fato da medida ter sido anunciada às vésperas da safra quando os produtores já haviam adquirido os defensivos.



“Fica sempre a impressão para a sociedade que os produtores gostam de pulverizar suas lavouras. Quem em sã consciência iria querer gastar dinheiro com defensivos agrícolas? Seria perfeito fazer só agricultura orgânica, mas isto ainda não é possível. Os produtores clamam por produtos mais eficientes e menos tóxicos, mas dependemos da pesquisa e dos registros, ou seja, o próprio governo que restringe deveria ser mais ágil na liberação de novas moléculas”, explica o presidente da Aprosoja Brasil, Glauber Silveira, que tem participado de uma série de audiências para tentar viabilizar uma solução para o caso.



A medida foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) em 19 de julho, e colocou diversas condições para a aplicação aérea de defensivos e proibiu o uso dos ingredientes ativos Imidacloprido, Fipronil, Tiametoxan e Clotianidina. Após uma série de reuniões, foi publicada em 3 de outubro no DOU, um ato conjunto do Mapa e do Ibama autorizando, em caráter temporário, a aplicação, no entanto, para o setor produtivo a medida não minimiza os danos à produção agrícola.



“O Brasil tem um clima tropical, o que faz que tenhamos mais pragas que outros países, apesar disso usamos menos defensivos por hectare que muitos países da Europa. Este clima tropical faz com que tenhamos longos períodos de chuva, principalmente nas regiões centrais do Brasil. Dessa forma, a pulverização aérea é uma segurança à produção”, argumenta Glauber Silveira.



Conforme o requerimento da Câmara dos Deputados, de autoria do deputado Homero Pereira (PSD/MT), a audiência na CAPADR será realizada nesta terça-feira (11.12), às 16 horas, no Plenário 16 do Anexo II da Câmara dos Deputados. A reunião será transmitida via internet e, possivelmente, pela TV Câmara. Já no Senado Federal, a audiência vai ocorrer na quinta-feira (13.12), às 8 horas, com local a ser definido.



Para a audiência na Câmara, além do presidente da Aprosoja Brasil, foram convidados ainda a senadora Kátia Abreu (PSD/TO), presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA; o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, o presidente da Embrapa, Maurício Antonio Lopes, o presidente do Ibama, Volney Zanardi, e o diretor-executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão, Márcio Antonio Portocarrero.



Já no Senado, o presidente da CRA, senador Acyr Gurgacz (PDT/RO), que sugeriu o debate, pede que sejam convidados a ministra do Meio Ambiente e o secretário-executivo do Mapa, José Carlos Vaz, além do presidente do Ibama, e sugere a presença de especialistas e representantes da cadeia produtiva do algodão, da soja, e outras culturas atingidas pela proibição.


Jornal Midiamax