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Após vendedor morrer por bala perdida, moradores do Centenário reclamam de tiroteios

“Já fomos assaltados quatro vezes. O último assalto foi às 10h da manhã e eles sabem que se forem pegos nada será feito”, revela uma comerciante

Arquivo Publicado em 04/09/2012, às 15h42

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“Já fomos assaltados quatro vezes. O último assalto foi às 10h da manhã e eles sabem que se forem pegos nada será feito”, revela uma comerciante

Uma semana após a morte do vendedor Adenir dos Santos, 46 anos, na rua Santa Quitéria – bairro Jardim Centenário, moradores reclamam da ausência de policiamento ostensivo na região. Adenir foi alvejado na porta de uma loja após um tiroteio entre gangues, no dia 29 de agosto.

Nesta terça-feira, a proprietária da loja falou com o Midiamax. Janete Duarte, 44 anos, conta que mora há 11 anos no local. Ela e sua família vieram do interior do Paraná e conheciam o vendedor há pelo menos 12 anos. “Ele sempre forneceu materiais para as lojas de nossa família. Pelo menos uma vez por mês nos visitava. Conhecemos sua família e visitávamos sua casa no interior de São Paulo. Era um amigo da família.”, conta.

A comerciante se diz assustada com os frequentes enfrentamentos de gangues e a violência no local. Segundo ela, vários menores se reúnem próximo a sua loja e utilizam drogas e bebidas nos finais de tarde. “Já fomos assaltados quatro vezes. Antes eles vinham por volta das 18h, quando já estava escuro. Agora eles nem ligam mais pra isso. O último assalto foi às 10h da manhã e eles sabem que se forem pegos nada será feito”, lamenta a lojista sobre a aplicação da lei aos menores de idade.

Pelos recentes episódios, a família já pensa em se mudar para o interior de São Paulo. “Tenho uma filha de 12 anos que estuda aqui no bairro. A polícia nunca se manifestou em colocar uma base por aqui. O jeito vai ser procurar um lugar mais tranquilo, pois realmente estamos assustados.”.

Eliane Espíndola, 41 anos, mora em frente ao local de onde foram feitos os disparos. Ela conta que sua mãe vive no bairro há 17 anos e que é normal haverem tiroteios. “A polícia passa, mas sem tanta frequência. Prefiro não sair na rua. O máximo que faço é ir ao mercado e na igreja à noite. Na verdade acho que tem pouca polícia pra tanto crime.”, desabafa.

Apesar da insegurança, Eliane acredita que o recente episódio pode promover uma maior segurança no bairro. “Acredito que a questão da segurança tende a melhorar, porque chama a atenção das autoridades, né?! O problema é que são tudo menores. Hoje os pais não podem nem corrigir que são denunciados e podem ser presos. Imagina o que eles vão fazer nas ruas…”, lamenta.

A diretora da escola municipal Maria Lúcia Passarelli, Dalvelize Leite Correia, lamenta os casos de violência que acontecem no bairro. A escola conta com 1.300 alunos, nos três períodos e atende, além do Jardim Centenário, os bairros Iracy Coelho, Dom Antonio Barbosa, Parque do Sol e Aero Rancho.

Ela conta que a escola oferece projetos para que os alunos permaneçam durante todo o dia no local, evitando o envolvimento com situações que levem o menor para o mundo do crime.

“Tentamos proporcionar o máximo de proteção dentro da escola. Em outros anos houve casos de violência, mas criamos uma equipe pedagógica para trabalhar em cima dessas questões. Nossos alunos não estão envolvidos com ações violentas, mas vez outra acontece alguma situação na feira ou fora da escola que acaba sendo trazida pra cá.”

Dalvelize conta que, quando solicitada, a polícia nem sempre atende efetivamente as questões. “O 190 sempre alega que não possui viatura disponível para atender. O apoio que temos é da Guarda Municipal, que está sempre presente.”.

Investigação

O caso foi investigado pela 5ª Delegacia de Polícia, do bairro Piratininga. Conforme o delegado responsável, Cláudio Martins, os disparos resultaram de uma desavença entre Antonio Alexandre da Silva, de 18 anos e o menor W.G, de 17 anos.

Os jovens vinham se enfrentando há pelo menos duas semanas. A investigação aponta que o menor teria tentado induzir a irmã de sua namorada, que namora Alexandre, ficasse com um amigo seu.

Ao se encontrarem em uma lan house, no dia do crime, houve o enfrentamento.

Segundo o delegado, o menor está foragido. Antonio foi ouvido e liberado em seguida, por não ter sido preso em flagrante. Agora, o Inquérito Policial será encaminhado à justiça e, se o promotor do caso entender que seja necessário para bom andamento do processo, poderá solicitar a prisão preventiva de Antonio. Do contrário, ele responderá em liberdade.

Tanto Antonio quanto o menor responderão por tentativa de homicídio e por homicídio doloso por motivo fútil.

Jornal Midiamax