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Após desistência de Santorum, Romney busca união contra Obama

A decisão de Rick Santorum de abandonar a corrida presidencial republicana, anunciada na tarde de terça-feira, praticamente sacramentou a indicação de Mitt Romney para enfrentar Barack Obama nas eleições presidenciais americanas de novembro. Os outros dois candidatos ainda envolvidos na disputa, Newt Gingrich e Ron Paul, só registraram vitórias em duas das 31 primárias realizada...

Arquivo Publicado em 14/04/2012, às 13h49

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A decisão de Rick Santorum de abandonar a corrida presidencial republicana, anunciada na tarde de terça-feira, praticamente sacramentou a indicação de Mitt Romney para enfrentar Barack Obama nas eleições presidenciais americanas de novembro.


Os outros dois candidatos ainda envolvidos na disputa, Newt Gingrich e Ron Paul, só registraram vitórias em duas das 31 primárias realizadas – ambas de Gingrich. “O anúncio de Santorum sinaliza o fim das primárias republicanas”, disse em entrevista ao Terra Brian Darling, analista de assuntos governamentais da The Heritage Foundation, organização ligada ao Partido Republicano e com sede em Washington.


“Romney pode agora focar em escolher seu vice-presidente e na sua estratégia para a eleição geral”. Até então uma força inesperada no Partido Republicano, Santorum surgiu como uma grande força ao vencer as primárias de Iowa – após recontagem de votos -, conquistou outros dez Estados e recebeu mais de três milhões de votos até deixar a corrida.


A ascensão deste ex-senador da Pensilvânia esteve ligada à incapacidade de Romney se relacionar com a ala mais conservadora do Partido Republicano. “Em um ponto ele era pró-escolha sobre o aborto e não havia se declarado conservador até recentemente”, afirma Darling sobre Romney, o que explicaria a inabilidade dele de se conectar com a ala conservadora do partido que mantém posições rígidas contra o aborto, contra o casamento de homossexuais e em outras questões que evocam discussões religiosas.


Apesar das desconfianças dos mais conservadores, Darling afirma que eles se unirão fielmente a Romney em novembro. “Embora muitos conservadores tenham reservas com Romney, eles vão se unir para derrotar Obama. O ódio a Obama é grande dentro do GOP (termo usado para se referir ao Partido Republicano)”, diz Darling.


“Obama é visto como um liberal extremista que carregou sua administração com ideias de radicalmente crescer a estrutura do governo”. Para Tevi Troy, consultor do centro de estudos independente Hudson Institute, um bom desempenho nos debates é crucial às pretensões de Romney de chegar à Casa Branca.


“Romney precisará suportar pesados ataques da bem-financiada campanha de Obama e explicar aos independentes como suas políticas vão ajudar a aumentar a economia, reduzir as dívidas e restaurar a liderança americana”, afirmou o analista em entrevista ao Terra. Ele ainda acrescenta que Romney deve agora focar sua campanha em apresentar propostas que contrastem completamente com as “políticas fracassadas” de Obama na área.


 Ron Paul e Newt Gingrich


 Apesar da desistência de Santorum, a corrida republicana ainda deve seguir até a convenção do partido – a ser realizada no final de agosto na Flórida.


“Ron Paul vai permanecer na corrida até o final, porque ele está lutando para dar a sua versão do libertarismo republicano à campanha”, diz Darling, explicando que Paul seguirá expondo sua bandeira contra as guerras do Afeganistão e do Iraque, a favor de um Estado mínimo e de uma política externa restrita com enfoque no controle de fronteiras.


Já o objetivo de Gingrich seria tentar conquistar o Texas ou outro Estado importante com o objetivo de manter seu nome em relevância.


Debate econômico


 Apesar das questões religiosas e conservadoras serem tenras aos republicanos – e motivo de espanto para os democratas -, o grande desafio de Romney até novembro será se apresentar como o candidato mais apto a recuperar a economia americana e, dessa forma, conquistar o decisivo voto independente. Brian Darling afirma que a taxa de desemprego, o preço dos combustíveis e os gastos do governo serão os pontos de maior interesse para o eleitorado. “Empregos, combustível, preços e gastos do governo.


O voto independente vai ser decidido pela questão econômica. A expectativa é que Romney foque em ideias para criar empregos e estimular o crescimento. Se a economia piorar, ele terá mais chance”, diz Darling. “Ainda que seja sempre difícil concorrer contra um incumbente, se Romney conseguir salientar o seu forte histórico em contraste com os maus resultados de Obama na economia, ele vai estar em uma boa posição para vencer esta corrida”, diz Tevi Troy.


No entanto, antes do enfrentamento direto com Obama, Romney precisa escolher um vice-presidente que o ajude a reverter a rejeição que ele apresenta em alguns segmentos da sociedade americana – como entre as mulheres, onde tem mais de 18% de desvantagem em relação a Obama segundo pesquisa recente.


Porém, analistas acreditam que ele deve tomar cuidado para escolher alguém que o complemente e não afaste ainda mais os independentes, como foi o caso de John McCain, que acabou sendo afetado negativamente pela escolha da ultraconservadora Sarah Palin e seu infindável rol de gafes.


Projeções de votos


A última pesquisa ABC News/Washington Post, divulgada nesta semana, aponta que o atual presidente leva sete pontos de vantagem para Romney no confronto direto. Este patamar é a maior vantagem de Obama nas pesquisas desde o início da corrida e pode ser atribuído à recuperação econômica dos últimos meses – a taxa de desemprego caiu para 8,3%, depois de beirar os 10%.


O momento positivo de Obama também reflete em sua taxa de popularidade, que chegou a estar em 41%, de acordo com pesquisa diária do instituto Gallup, e agora está girando em torno dos 50% – nenhum presidente jamais deixou de ser reeleito com uma taxa de aprovação igual ou superior aos 50%.


A favor de Romney, as pesquisas apontam que os americanos, por uma margem de quatro pontos percentuais, o consideram mais apto a comandar a economia americana. Resta saber se a escolha de seu vice e sua nova estratégia de campanha, que pode ser uma guinada para o centro com o intuito de conquistar o eleitorado independente, podem diminuir essa atual vantagem ou sacramentar a reeleição de Obama.

Jornal Midiamax