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Após 38 dias de paralisação, Hospital do Câncer retoma tratamento de radioterapia

O Hospital do Câncer Alfredo Abraão divulgou comunicado informando que os tratamentos de radioterapia foram retomados no domingo (28). O serviço de radioterapia estava paralisado desde o último dia 21 de setembro, quando após um temporal ocorrido em Campo Grande, uma peça do equipamento ficou danificada. Durante o período, cerca de 2.000 procedimentos deixaram de […]

Arquivo Publicado em 29/10/2012, às 12h24

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O Hospital do Câncer Alfredo Abraão divulgou comunicado informando que os tratamentos de radioterapia foram retomados no domingo (28). O serviço de radioterapia estava paralisado desde o último dia 21 de setembro, quando após um temporal ocorrido em Campo Grande, uma peça do equipamento ficou danificada. Durante o período, cerca de 2.000 procedimentos deixaram de ser feitos.

Em nota, a assessoria de imprensa informou que a peça danificada no acelerador linear – encomendada do Reino Unido – chegou em Campo Grande no sábado (27). Mesmo estando no Brasil há mais de dez dias, a peça permaneceu no aeroporto de Viracopos, em Campinas, após pane de avião cargueiro que fechou a pista para pousos e decolagens e depois ainda teve que enfrentar a queda do sistema de registro on-line da Anvisa (Vigilância Sanitária), que ficou poelo menos dois dias fora do ar.

A médica responsável pela radioterapia do HC, Eva Glória Siufi, disse que os pacientes não foram transferidos para a clínica Neorad, que também atende pelo SUS na Capital porque encaminhá-los demoraria o mesmo que tempo que a peça levou para chegar à Capital. Eva disse ainda que nenhum paciente será prejudicado, uma vez que “muitos estão no final do tratamento e já receberam uma dose considerável de radioterapia”.

O Hospital informou que o setor já está entrando em contato com os pacientes para comunicar a retomada do tratamento e agendar as sessões. Aqueles que tiverem alguma dúvida podem ligar para o setor de radioterapia do HC pelo telefone: 3341-6000. A expectativa é de que a rotina de tratamentos seja normalizada em no máximo duas semanas.

Paralisação evidencia necessidade de retomada dos tratamentos pela rede pública

Para o MPF (Ministério Público Federal) a paralisação da radioterapia expõe a necessidade de manter o setor privado como alternativa para o tratamento de câncer e é um forte indício de que esses tratamentos devem voltar a ser feitos por meio da rede pública.

A procuradora federal Analícia Hartz já está tomando as devidas providências para que o Hospital Universitário da UFMS e a Santa Casa aceitem receber investimentos que somam mais de R$ 34 milhões e incluem a compra de modernos aceleradores lineares, construção de infraestrutura e capacitação de mão-de-obra em Mato Grosso do Sul.

No caso do HU, uma ação na Justiça Federal quer obrigar que o hospital receba os investimentos. Caso o juiz aceite o pedido liminar do MPF, o HU deve voltar imediatamente a atender pacientes de radioterapia. Segundo funcionários, o HU conta com equipamento funcionando, física e técnicos capacitados, faltando um médico radioterapeuta para poder atuar plenamente.

Já a Santa Casa que também recusou os investimentos, segundo a procuradora, já foi notificada a se manifestar. Caso fique comprovado que houve prevaricação, o hospital deverá responder a processo semelhante ao do HU, na Justiça federal.

Para o Ministério Público a negativa tanto do HU, quanto da Santa Casa em receber os investimentos, foram articuladas pelo médico Adalberto Abraão Siufi, que é sócio-proprietário da clínica Neorad, chefe do serviço de oncologia do HU e supervisor do Programa de Residência Médica em Cancerologia Cirúrgica da UFMS, e ainda participa ativamente da direção do Hospital do Câncer tendo sido, até pouco tempo, também responsável técnico pelo setor de cirurgia oncológica da Santa Casa.

A investigação comprovou que Siufi atuou para desativar o serviço de radioterapia do HU/UFMS e é o principal beneficiado pela situação, decorrente “do sombrio movimento de longa data fundado exclusivamente em interesses econômicos privados para sucateamento do Hospital Universitário e encerramento das atividades de diagnóstico e tratamento de câncer e, em especial, dos serviços de radioterapia”, afirma o texto da ação civil pública.

Jornal Midiamax