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Acusados de jogar camaronês ao mar terão novo advogado

O advogado turco Arda Gürata está em Paranaguá (PR), a 98 km de Curitiba, onde deve contratar um escritório de advocacia local para defender a tripulação do navio Seref Kuru, com bandeira de Malta, ancorado no porto da cidade. Um advogado do Rio de Janeiro, contratado inicialmente, foi afastado do caso. Giordano Reinert, especialista na […]

Arquivo Publicado em 29/07/2012, às 01h55

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O advogado turco Arda Gürata está em Paranaguá (PR), a 98 km de Curitiba, onde deve contratar um escritório de advocacia local para defender a tripulação do navio Seref Kuru, com bandeira de Malta, ancorado no porto da cidade. Um advogado do Rio de Janeiro, contratado inicialmente, foi afastado do caso. Giordano Reinert, especialista na área criminal, deve assumir a defesa a partir de segunda-feira. Os tripulantes da embarcação são alvos de investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal (MPF) por prática dos crimes de racismo, tortura e tentativa de homicídio.

Eles são acusados de lançar em alto-mar, a 15 km da costa, o soldador camaronês Ondobo Wilfred, 28 anos, que entrou clandestinamente no navio no Porto de Douala, em Camarões, durante a passagem da embarcação por território africano.

Informações levantadas pelo Terra indicam que o armador turco que opera o navio trabalha com a possibilidade de manter a tripulação no Brasil por longo tempo, se a Justiça aceitar denúncia do MPF. Gürata e advogados brasileiros estudam a possibilidade de marcar uma entrevista coletiva durante a semana para apresentar a versão dos tripulantes do Seref Kuru.

Lanternas e euros

De acordo com depoimento de Wilfred à Polícia Federal, ele foi salvo pela tripulação de um navio chileno que o recolheu e alertou a Marinha. Ele diz ter permanecido à deriva durante 11 horas, flutuando sobre um palhete de madeira. Antes de ser jogado, ele teria recebido, além do palhete, uma lanterna e 150 euros dos tripulantes.

O clandestino camaronês relatou que se escondeu no interior do navio por oito dias, até ficar sem água e comida. Disse que, ao ser descoberto, foi agredido com tapas no rosto e chutes no peito, até desmaiar. Ele contou que um dos agressores dizia que “não gostava de preto” e que “todos eram animais”.

A vítima afirmou ter sido mantida em uma cabine e impedido de dormir. Segundo ele, a tripulação revezava para que sempre houvesse alguém batendo na porta de ferro do pequeno cômodo durante os 11 dias nos quais ficou preso. Após esse tempo, segundo o depoimento, o camaronês teria sido jogado no mar.

Multas

Por determinação da Justiça Federal, 15 tripulantes do Seref Kuru que continuam no interior do navio, com passaportes retidos, terão que deixar a embarcação até o próximo dia 5 de agosto. Eles permanecerão sob custódia armada em um hotel da cidade, juntando-se a outros quatro tripulantes que se encontram em terra. Uma nova tripulação está sendo reunida às pressas, na Turquia, e deverá chegar ao Brasil durante a semana.

O armador turco terá que pagar multa aos contratantes pela demora no porto, que ultrapassou o prazo acordado. Além disso, o operador do navio deve pagar os custos de estadia e custódia dos tripulantes. De acordo com gestores portuários, o preço médio da multa gira em torno de US$ 30 mil por dia, dependendo do tamanho da embarcação. O Seref Kuru chegou a Paranaguá em 27 de junho e atracou no porto no dia 20 deste mês para o carregamento de uma carga de açúcar. Os custos com a permanência dos tripulantes no Brasil não são cobertos pela seguradora do navio.

Além de turcos, a tripulação tem membros da Geórgia, País localizado no Leste Europeu. Familiares dos tripulantes estariam aflitos com a situação. Sem dinheiro para vir ao Brasil, eles entram diariamente em contato com o escritório do armador para saber notícias do caso.

Jornal Midiamax