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Acusado de elo com Cachoeira, prefeito de Palmas rebate MP

O prefeito de Palmas, Raul Filho (PT), afirmou que está pronto para se defender das acusações feitas pelo Ministério Público do Tocantins (MP-TO). Nesta sexta-feira, o petista classificou de “meramente política” a denúncia feita pelo órgão um dia antes, na qual Raul foi acusado de comandar uma organização criminosa que tinha como objetivo favorecer a […]

Arquivo Publicado em 15/12/2012, às 00h44

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O prefeito de Palmas, Raul Filho (PT), afirmou que está pronto para se defender das acusações feitas pelo Ministério Público do Tocantins (MP-TO). Nesta sexta-feira, o petista classificou de “meramente política” a denúncia feita pelo órgão um dia antes, na qual Raul foi acusado de comandar uma organização criminosa que tinha como objetivo favorecer a empresa de Carlinhos Cachoeira, Delta Construções, através de contratos realizados sem licitações.

Em entrevista concedida ao Terra um pouco antes da inauguração de um posto de saúde na cidade, Raul disse que é um homem honrado e que não tem vergonha de nada do que fez durante o tempo que trabalhou como gestor público na Capital.

Durante o período em que Raul foi prefeito, a Delta teria faturado R$ 116.980.831,79 em contratos com a prefeitura de Palmas. O MP-TO também acusou a deputada estadual e primeira-dama Solange Duailibe e mais 11 pessoas de participarem das fraudes. “Primeiro preciso saber do que estão me acusando. Vocês da imprensa sabem melhor do que a gente. Meus advogados não tiveram acesso ao processo. Mas a imprensa já sabe de seu conteúdo. Só no momento em que for citado é que irei falar sobre esse assunto”, disse.

Além de formação de quadrilha, o MPE denunciou o prefeito por crime de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, apropriação indébita, dispensa de licitação e falsidade ideológica. Novamente, Raul garantiu que não mantém nenhum tipo de relacionamento com o contraventor Carlinhos Cachoeira e afirmou que a denúncia do MP-TO é “meramente política”. “Essa questão que hoje é, lamentavelmente, uma ação política. Percebo por trás disso, pelas pessoas que se relacionaram para fazer esse indiciamento, esse depoimento”, disse.

Sobre quem estaria por trás do esquema de corrupção, Raul afirmou que só o tempo poderá explicar. “Gostaria de falar isso quando tiver conhecimento do processo. Todos terão uma entrevista mais ampla, mas só quando eu souber melhor, porque não vou falar em cima de algo que não conheço”.

A mulher do prefeito não falou à imprensa, mas em discurso disse que não tem medo da Justiça e que não vai se “esquivar” de falar a verdade. “Essa ação do MP é abusiva e desrespeitosa”, afirmou.

De acordo com a denúncia do MP-TO, durante oito anos de gestão, o patrimônio de Raul e Solange teria aumentado mais de 250%, ou seja, saiu de R$ 2,5 milhões para aproximadamente R$ 6 milhões.

Segundo o procurador-geral de Justiça, Clenan Renaut de Melo Pereira, todas as acusações contra Raul Filho e os demais denunciados tomaram meses de investigação do MP-TO e estão fundamentadas nos autos. Conforme o Ministério Público, as provas contam, inclusive, com informações da quebra de sigilo autorizadas pela Justiça.

Carlinhos Cachoeira

Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.

Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram diversos contatos entre Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (GO), então líder do DEM no Senado. Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais, confirmou amizade com o bicheiro, mas negou conhecimento e envolvimento nos negócios ilegais de Cachoeira. As denúncias levaram o Psol a representar contra Demóstenes no Conselho de Ética e o DEM a abrir processo para expulsar o senador. O goiano se antecipou e pediu desfiliação da legenda.

Com o vazamento de informações do inquérito, as denúncias começaram a atingir outros políticos, agentes públicos e empresas, o que culminou na abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Cachoeira. O colegiado ouviu os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás, que negaram envolvimento com o grupo do bicheiro. O governador Sérgio Cabral (PMDB), do Rio de Janeiro, escapou de ser convocado. Ele é amigo do empreiteiro Fernando Cavendish, dono da Delta, apontada como parte do esquema de Cachoeira e maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos.

Demóstenes passou por processo de cassação por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética da Casa. Em 11 de julho, o plenário do Senado aprovou, por 56 votos a favor, 19 contra e cinco abstenções, a perda de mandato do goiano. Ele foi o segundo senador cassado pelo voto dos colegas na história do Senado.

Em 21 de novembro, após 265 dias preso, Carlinhos Cachoeira, deixou a penitenciária da Papuda, em Brasília. No mesmo dia, o contraventor foi condenado pela 5ª Vara Criminal do Distrito Federal a uma pena de 5 anos de prisão por tráfico de influência e formação de quadrilha. Como a sentença é inferior a 8 anos, a juíza Ana Claudia Barreto decidiu soltar Cachoeira, que cumpriria a pena em regime semiaberto.

No dia seguinte, o Ministério Público Federal (MPF) de Goiás pediu nova prisão do bicheiro, com base em uma segunda denúncia contra ele e outras 16 pessoas, todos suspeitos de participar de uma intensificação de ações criminosas em Brasília. O pedido foi negado pela Justiça.

No dia 7 de dezembro, Cachoeira voltou a ser preso. O juiz Alderico Rocha Santos, da 11ª Vara Federal de Goiás, condenou o bicheiro a 39 anos, 8 meses e 10 dias de reclusão por diversos crimes relativos à Operação Monte Carlo e determinou sua prisão preventiva. A defesa ainda pode recorrer da decisão.

Jornal Midiamax