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Zeolla se diz arrependido e conta que se converteu à Igreja Universal na prisão

O procurador de Justiça aposentado de Mato Grosso do Sul Carlos Zeolla, 46, disse nesta manhã, em Campo Grande, onde é julgado por matar a tiro o sobrinho, Cláudio Zeolla, 24, em março de 2009, que arrependeu-se, ingressou na IURD (Igreja Universal do Reino de Deus) e que cometeu o crime porque a vítima havia […]

Arquivo Publicado em 21/06/2011, às 14h22

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O procurador de Justiça aposentado de Mato Grosso do Sul Carlos Zeolla, 46, disse nesta manhã, em Campo Grande, onde é julgado por matar a tiro o sobrinho, Cláudio Zeolla, 24, em março de 2009, que arrependeu-se, ingressou na IURD (Igreja Universal do Reino de Deus) e que cometeu o crime porque a vítima havia batido no avô, seu pai. Desde o crime o réu é mantido num hospital, onde enfrenta tratamento psiquiátrico.

Zeolla narrou detalhes dos dias que antecederam o crime. Ele disse que dois dias antes (1.3.2009) passou mal e teve se submeter a um exame no hospital. O procurador disse que tinha feito redução do estômago, daí a complicação que o levou para o atendimento médico.

O réu, que disse pesar hoje 40 quilos a mais do que quando fora detido, contou no depoimento que na noite anterior ao crime foi à casa dos pais e lá ficou sabendo por meio de outros dois sobrinhos que Cláudio Zeolla havia batido no avô, Américo Zeolla, ex-combatente de guerra, pai do procurador.

O rapaz teria brigado por causa de um ventilador. Ele teria empurrado o avô, que machucou as costas e o peito. Américo foi levado para o hospital por conta da discussão, segundo Carlos Zeolla.

O procurador conversou com o pai e orientou-o a registrar o caso na polícia e buscar um tratamento médico mais detalhado, segundo disse no depoimento.

Ocorre que o ex-combatente, que morreu em abril do ano passado, recusou a proposta alegando que podia atrapalhar o neto, que atravessava o período de experiência como açougueiro num supermercado de Campo Grande.

Zeolla resolveu então procurar o sobrinho com a intenção de “surrá-lo”. Ele saiu da casa do pai acompanhado de outros dois sobrinhos, mas não acharam Cláudio Zeolla naquela noite.

Antes de ir embora da casa do pai, escondido, Zeolla disse ter pegado um revólver calibre 38, arma usada no crime. Ainda na noite anterior ao crime, o procurador disse ter tomado “alta dose” de Rivotril, remédico recomendado a pacientes com distúrbio epilético, depressivos e com transtornos de ansiedade e perturbados.

Na manhã seguinte ao dia que caçou o sobrinho e não encontrou Zeolla disse ter acordado cedo, tomado café e ido para o Horto Florestal, onde fez meia hora de caminhada.

Depois disso, ele seguiu para a rua Bahia, pois sabia que o sobrinho frequentava uma academia. Ele desceu do carro e matou o sobrinho com o tiro na nuca.

Zeolla disse ter atirado por temer um confronto físico com Cláudio, 20 anos mais novo, corpo atlético e que ingeria “anabolizantes para cavalo” para ficar mais forte, segundo o réu. “Esse não põe nenhum dedo mais em meu pai”, disse ter pensado depois.

Dali, ele seguiu de carro, acompanhado por um funcionário, menor de idade, para saída de Três Lagoas, onde se livrou da arma e munição.

Ao retornar em sua casa viu policiais que disseram que o carro do procurador estaria transportando “pessoas” envolvidas numa tentativa de homicídio. O policial informou que a vítima seria seu sobrinho. O procurador disse que tentou fazer contato com um “neurocirurgião amigo” para atender seu sobrinho, mas não encontrou. Mais tarde, ele confessou o crime, na delegacia.

Carlos Zeolla ficou apenas três numa cela de delegacia, dali seguinte para um hospital onde, desde então, recebe tratamento psiquiátrico.

“Não estou aqui a passeio. Estou reconduzindo meus caminhos até Deus”, disse ele ao comentar no depoimento que hoje segue a religião da Universal do Reino de Deus. Ele disse ainda que o pai o visitava no hospital “quase todos os dias”. A mãe de Zeolla também morreu no ano passado.

Jornal Midiamax