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Work shop traz discussões e exemplos com tema ‘acessibilidade é um bom negócio’

O Crea MS e a Sociedade em Prol da Acessibilidade, Mobilidade Urbana e Qualidade de Vida de Mato Grosso do Sul (SPA- MS) realizaram nesta sexta-feira (2) um Work Shop com questões ligadas principalmente à melhoria da qualidade de vida das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida. O evento foi realizado no auditório do […]

Arquivo Publicado em 02/12/2011, às 22h16

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O Crea MS e a Sociedade em Prol da Acessibilidade, Mobilidade Urbana e Qualidade de Vida de Mato Grosso do Sul (SPA- MS) realizaram nesta sexta-feira (2) um Work Shop com questões ligadas principalmente à melhoria da qualidade de vida das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida. O evento foi realizado no auditório do Crea da capital e contou com profissionais de diferentes setores, como: engenharia, arquitetura, geografia, psicologia, entre outros.

“Eu vim até Campo Grande para apresentar um projeto sobre calçadas, que já estamos fazendo e tendo sucesso em Goiás”, falou Augusto Fernandes, um dos palestrantes, que veio de Goiânia especialmente para o Work Shop.

O tema atual é “Acessibilidade é um bom negócio”. “Serve para mostrar para vários profissionais que trata- se realmente de um bom negócio sim porque tem muita gente envolvida nesse processo de investimento. São arquitetos, engenheiros, entre vários outros tipos de mão-de-obra, onde todos investem e ganham com o trabalho e, claro, a sociedade ganha com as melhorias”, resumiu o presidente do Crea- MS, Jary de Castro.

As palestras de hoje serviram para mostrar principalmente aos empresários e comerciantes que vale a pena sim investir em ‘acessibilidade’. “Mostramos com números, exemplos e projetos a relação custo- benefício e provamos que é um bom negócio; pois muita gente imagina que o retorno parece ser pequeno, mas as mudanças podem favorecer inúmeras famílias e futuramente irá compensar e muito o investimento”, esse é o resumo de Rosana Martinez, a presidente da SPA- MS.

Passeata pela acessibilidade

Para celebrar o encontro desta sexta-feira e do Dia Internacional de Luta pela Acessibilidade (neste sábado-03/12), portadores de deficiência, participantes do Work Shop e demais representantes de outros segmentos farão uma grande passeata no centro de Campo Grande. O encontro será no Ismac, na rua 25 de Dezembro, ao lado da prefeitura da capital. Todos seguirão pela avenida Afonso Pena e depois se concentrarão na Praça do Rádio.

O roteiro do work shop

“A abertura do evento foi realizada pela presidente do IAB (Instituto de Arquitetura do Brasil) em Mato Grosso do Sul, Milena Adri. “A arquitetura é um setor de extrema importância nessa luta pela acessibilidade. Mas importante também é a conscientização de todos para lembra que já existem leis, normas técnicas que precisam ser cumpridas; enfim, para darmos a todos o direito de ir e vir”, relatou Milena.

“Em seguida, o presidente do Crea-MS e coordenador do GT Acessibilidade e Mobilidade Urbana do Colégio de Presidentes do Sistema Confea/Crea apresentou palestra com o tema do Work Shop “Acessibilidade um bom negócio para todos”.

“Bom negócio para todos mesmo! Para quem tem algum de deficiência, como um cadeirante, por exemplo; ou para um idoso, uma mulher grávida também, entre muitos outros casos de pessoas que precisam de uma boa acessibilidade”, lembrou Jary.

“Em seguida, a palestra “Sociedade Inclusiva”; à tarde, temas como: “Acessiblidade Funcional”; “Desvendando o desenho universal” e “Acessibilidade: Custo ou Benefício?”.

“O encerramento foi feito por Rosana Martinez. “Hoje podemos mostrar para os participantes que são muitas as vantagens num prazo curto e com retorno até rápido. A maioria das pessoas pensa justamente ao contrário, que deve se gastar muito dinheiro e não obter retorno logo”.

Exemplo de superação

“Conscientizar é a palavra-chave; a ação é a subseqüente”, foi uma das frases de destaque de Augusto Fernandes. O engenheiro civil goiano, que falou sobre a “Calçada consciente”, é, sem dúvida, um exemplo de superação e uma força fundamental na batalha pela acessibilidade para todos. Hoje, aos 38 anos, já completou quase outros 19 anos em cima de uma cadeira de rodas.

Sofreu uma lesão quando praticava judô, e não foi numa competição oficial, foi durante o ‘treinamento’. De lá pra cá, uma mudança radical, mas jamais desistiu de lutar por seus objetivos. Determinado, decidiu estudar engenharia civil e logo nos primeiros dias na universidade, em Goiás, já sentiu na pele as dificuldades de um portador de deficiência. “Era tudo muito complicado, não tinha nenhum investimento, nada de estrutura pro cadeirante, faltava de tudo”, lembra ele.

Mas os obstáculos se estenderam por quase todos outros setores que Augusto observava, até mesmo no consultório médico onde passava por consultas. Em meio à tanta luta, surgiu uma idéia, que acabou virando um grande negócio. “Por causa de tanta ausência de investimentos para pessoas com deficiência, percebi que tinha muita coisa que eu mesmo podia fazer. Comecei então a elaborar projetos e não parei mais. Hoje, tenho duas empresas voltadas a esse segmento”.

Um dos empreendimentos de Augusto, na área de engenharia, traz o lema “Construindo um mundo acessível”; a segunda empresa, entre outras funções, uma delas é planejar, por exemplo, ‘calçadas pré- moldadas’, com tempo de instalação infinitamente menor ao tradicional (de concreto), a que ainda traz muitos transtornos durante as obras. “Agora, nesse mesmo desafio, estamos desenvolvendo um projeto sobre impermeabilidade, que pode absorver boa parte da água quando chove muito. Ou seja, ao invés de inundar a calçada, a água deve ir pra baixo do calçamento”.

Jornal Midiamax