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Vítimas de enchentes em Campo Grande culpam falta de planejamento por transtornos

Moradores dos pontos mais afetados por alagamentos durante as últimas chuvas na capital reclamam do crescimento desordenado. Especialista aponta impermeabilização do solo como principal motivo dos prejuízos.

Arquivo Publicado em 03/03/2011, às 15h00

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Moradores dos pontos mais afetados por alagamentos durante as últimas chuvas na capital reclamam do crescimento desordenado. Especialista aponta impermeabilização do solo como principal motivo dos prejuízos.

Moradores dos pontos mais afetados por alagamentos durante as últimas chuvas em Campo Grande culpam o crescimento desordenado, a falta de planejamento, e algumas das principais obras realizadas na Capital como motivo para os transtornos e prejuízos.

Somente neste ano, a população que mora nas ruas Taquari, Leônidas de Matos, São Lorenço e Afrânio Peixoto, no bairro Santo Antônio, já enfrentaram enchentes e estragos três vezes. A cada chuva, o medo toma conta dos moradores. Somente ontem (2), quando choveu 111 milímetros em Campo Grande, dezenas de casas foram invadidas pela enxurrada.

A expectativa para todo o mês de fevereiro era de 162 milímetros, segundo o meteorologista da Uniderp Anhaguera, Natálio Abraão. Choveu muito em pouco tempo, e a previsão é de mais chuva, para desespero dos contribuintes que moram nas áreas de alagamento.

A maioria dos moradores culpa a falta de planejamento por parte do poder público. O crescimento do bairro, aliado à falta de obras de drenagem aumentou muito o volume das águas que correm pelas ruas nas áreas mais baixas. Outro problema apontado por quem mora na região do Santo Antônio é a obra Orla Morena, que antes funcionava como um local de drenagem natural.

O arquiteto e urbanista Ângelo Arruda confirma que, com a pavimentações de locais antes permeáveis como os antigos trilhos da atual Via Morena, assim como na Orla Morena que era outro local por onde grande volume de água infiltrava no solo, piora o quadro das inundações.

Porém, o urbanista ressalta que a população também contribui para o problema quando promove o calçamento de quintais sem deixar áreas permeáveis como gramados, por onde escoa a água das chuvas. “Tudo isso vai parar onde? Nas galerias que não suportam essa quantidade”, analisa.

No caso do bairro Santo Antônio, os moradores já identificam onde começa o problema. “Essa água toda vem do cemitério [Santo Amaro] e da Júlio de Castilhos. Antes não tinha esse problema, só que o bairro começou a crescer e, com a Orla Morena, não tem mais lugar para a água escorrer”, diz a funcionária pública Marli Alves, 52, que mora no local há 30 anos.

A consultora Kátia Bunn, 44, estava chorando e limpando a casa onde mora na rua São Lourenço, durante a reportagem nesta manhã. “Perdi R$ 2.300 em materiais escolares dos meus filhos, foi assustador na hora, entrou cobra na minha casa, perdi guarda roupa, sofá, cama. Quem vai pagar tudo isso, a prefeitura? Se um dos culpados é essa obra [Orla Morena], porque não planejaram”, desabafa.

Kátia mora na casa desde julho do ano passado, paga aluguel de R$ 600 e já sofreu com alagamentos três vezes em janeiro e fevereiro. Ela vai mudar de casa.

Outro que teve a casa inundada foi o pintor Giovani de Sousa Guimarães, 30, morador da rua Taquari. Há um ano no local, ele já teve a casa tomada pelas águas quatro vezes.”Perdi guarda-roupa, cama e roupas das crianças”, lamenta.

Outros bairros que sofreram com enchentes nesta quarta, foram o Santa Emília, Imá e Tirantes. O córrego Anhaduizinho, próximo à rua Bom Sucesso, transbordou e a água chegou até ao meio fio. Outra via que também teve alagamento foi a avenida Júlio de Castilhos.

Jornal Midiamax