O local funcionava com documentação vencida desde maio deste ano. No clube Maresias aconteciam eventos diurno e noturnos, inclusive com garotas dançando molhadas em cima de veículos.Foi lá que a adolescente Leicyane Ribeiro Dias, 17 anos, frequentou pouco antes de ser morta a tiro a uma quadra do estabelecimento.

O proprietário do clube Chácara Maresia, localizada no bairro Coophavila 2, em Campo Grande, foi ouvido pelo delegado Valmir Messias Moura Fé, na tarde desta quarta-feira. Ele apresentou documentação de autorização de funcionamento do local com prazo de validade vencido em maio deste ano, ou seja, estava operando na ilegalidade. Foi este o clube que a adolescente de 17 anos Leyciane Ribeiro Dias, teria frequentado com amigas e depois acabou morta a poucos metros a tiros, na madrugada de 16 de novembro deste ano.

De acordo com o delegado, além do proprietário também prestou depoimento um promotor de festas que alugava o local, inclusive na noite do fato. Vídeos postados na internet mostram que no local eram realizadas festas tanto durante o dia quanto à noite, inclusive com meninas dançando em cima de veículos com coreografias provocantes. As cenas lembram outros vídeos já mostrados em matéria do Midiamax de aglomerações nas proximidades de conveniências da Capital.

No caso da Chácara Maresias, os organizadores das festas intitulavam de Lava Car o momento que garotas subiam em veículos, dançavam, tiravam peças de roupas e simulavam estar lavando o carro com o uso de bucha ou esfregando o próprio corpo. Não foi revelado ainda se alguma delas era contratada para fazer o “número”.

Além de festas noturnas e diurnas com liberação da piscina, o local também funcionava como ponto de encontro de motoqueiros para fazer manobras radicais. Um vídeo também postado na internet, no dia 3 de agosto deste ano, mostra que nenhum deles faz uso de capacetes. Em outro vídeo já mostra os motoqueiros usando o equipamento de segurança. Sobre o fato de estar em local fechado, o delegado explica que já entrou em contato com a Companhia Independente de Trânsito (Ciptran) que começa um trabalho para identificar os “pilotos”. Na frente do clube também há várias marcas no asfalto de manobras radicais conhecidas popularmente como zerinho.

De acordo com o delegado que coordena as investigações, uma das adolescentes que estava com Leicyane no dia do crime, revelou que no Chácara Maresia não era exigida a apresentação de documentos para provar a maioridade do frequentador. Além disso, era muito comum adolescente no local e consumindo bebida alcoólica. A depoente ainda disse que até a meia noite não era cobrado ingresso e isto atraia muita gente, tanto no período noturno quanto durante o dia.

Documentação

O clube tinha alvará que permitia funcionamento 24h, mas estava vencido desde maio deste ano. Com isto, agora, perdeu o direito de ter a autorização que é concedida pela Delegacia Especializada de ordem Pública (Deops). Foi questionado também ao proprietário sobre o serviço obrigatório de pessoas fazendo segurança no clube. O proprietário afirmou que disponibilizava, porém não apresentou lista destes funcionários contratados. Serviço de guarda-vidas – pó conta da existência de piscina para uso dos freqüentadores, também não foi apresentada lista com profissionais responsáveis.

Presos

No último dia 21 foi concedida a prisão de dois rapazes apontados como suspeitos de serem os dois ocupantes da motocicleta e um deles seria o autor dos disparos que atingiram Leicyane. A validade da prisão temporária de cinco dias termina nesta quinta com a possibilidade de prorrogação por mais 30 dias, porém o delegado Moura Fé decidiu por não pedir e liberá-los. Eles devem ser soltos ainda no final da tarde desta quinta-feira. A justificativa é que existe a possibilidade de, na verdade, os autores serem outros, com base em depoimentos de conhecidas de Leicyane.

Segundo uma jovem, que já prestou depoimento ao delegado Moura Fé, um “ex-ficante” de Leicyane que, inclusive, é do regime semi-aberto, poderia ser o responsável pela morte dela. Várias hipóteses para motivação do crime estão sendo levantadas como, por exemplo, ciúme.

Relembre

De acordo com depoimento de testemunhas que estavam na boate com a adolescente, uma de 12 e outra de 14, elas frequentaram o local até por volta das 3h30 quando decidiram sair. Pediram uma carona para um rapaz proprietário de um Gol que seria conhecido de uma das garotas. Outras meninas entraram em uma caminhonete branca, provavelmente modelo Blazer.

A poucos metros da boate, os condutores da caminhonete e do Gol pararam para, provavelmente, alguma das meninas trocar de veículo. Foi neste momento que a motocicleta se aproximou e um dos ocupantes atirou quatro vezes contra o Gol, mais precisamente na altura da porta traseira do lado do motorista. Era neste local que estava Leicyane, que foi atingida na região do ombro esquerdo e transfixou o tórax. Ela morreu ainda dentro do veículo no colo de outra adolescente, mas mesmo assim o condutor seguiu para uma unidade de saúde pública no bairro Aero Rancho.

Conforme o depoimento de uma das adolescentes que esteve na boate na noite do crime, houve um princípio de confusão entre os adolescentes “ficantes”. Ela disse que, normalmente, as meninas e os rapazes, normalmente, não tinham parceiros fixos enquanto estavam no local e alguns deles “ficavam” até com mais de uma pessoa no mesmo baile.

Uma das linhas de investigação é que o crime aconteceu por ciúmes, ou seja, motivo fútil na visão da polícia. Outra possibilidade é que os tiros não seriam para atingir Leyciane, mas outro integrante que estava dentro do carro por conta do desentendimento dentro da boate. “Uma das meninas disse que os dois suspeitos que estão presos estavam na boate naquela noite e inclusive no princípio de discussão”, revela o delegado Moura Fé.

Veja o vídeo: