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Vasco empata e fica com o vice; Fla se garante na Libertadores

Há muito tempo que um Vasco x Flamengo não traduzia de forma tão literal a velha frase de que o duelo é um campeonato à parte. Mesmo com apenas o primeiro com chance de conquistar o Brasileirão 2011 em caso de vitória no Engenhão e derrota do Corinthians para o Palmeiras, a partida prometia tensão […]

Arquivo Publicado em 04/12/2011, às 21h29

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Há muito tempo que um Vasco x Flamengo não traduzia de forma tão literal a velha frase de que o duelo é um campeonato à parte. Mesmo com apenas o primeiro com chance de conquistar o Brasileirão 2011 em caso de vitória no Engenhão e derrota do Corinthians para o Palmeiras, a partida prometia tensão do início ao fim, já que o Flamengo brigava por uma vaga na Libertadores e sonhava estragar possível festa do rival. E numa partida bastante equilibrada, com bastante luta e emoção, com cada time superior em uma etapa, os rubro-negros conseguiram o empate por 1 a 1, que carimba o passaporte para a competição sul-americana – o adversário na Pré-Libertadores será o Real Potosí, na altitude da Bolívia.


Diego Souza, para o Vasco, no primeiro tempo, e Renato Abreu, para o Flamengo, no segundo, marcaram os gols da partida, que teve três expulsões – Jumar, Renato Abreu e Felipe. Apesar do resultado que não deu o sonhado penta brasileiro, a torcida vascaína, que reclama de pênalti não marcado em Diego Souza no primeiro tempo, comemorou o empate como conquista de título. É bom lembrar que, mesmo se os cruz-maltinos saíssem de campo com vitória, não seriam campeões, já que o Corinthians conseguiu o empate por 0 a 0 com o Palmeiras.


Do lado rubro-negro, o resultado, bastante celebrado também pela torcida rubro-negra, pode significar a permanência de Thiago Neves e Ronaldinho. O camisa 10, que teve um primeiro tempo apagado, fez boas jogadas no segundo. O craque declarou, ao fim da partida, que se depender dele permanecerá no clube para a Libertadores.


Vasco melhor


O Vasco, que entrou em campo com a faixa “Força, Ricardo Gomes, estamos com você”, mostrou desde o primeiro minuto que tomaria a iniciativa do jogo. Com um time bem posicionado, consistente na defesa, marcador no meio-campo e perigoso no ataque, saiu com a vitória nos primeiros 45 minutos com toda justiça. O Flamengo, com  formação surpreendente de Vanderlei Luxemburgo, optando por Negueba no ataque ao lado de Ronaldinho, dava sinais que exploraria os contra-ataques, apesar de ter feito a primeira boa jogada, quando Fierro bateu cruzado, à direita de Fernando Prass.


Com Nilton, Romulo e Felipe Bastos marcando forte no meio-campo, o técnico Cristóvão Borges deixava claro que daria liberdade total a Felipe para criar. E surgiu dos pés do camisa 6 a primeira boa trama do Vasco, pela meia-direita, quando deu um belo passe para Fágner bater com força, de efeito, dando susto no goleiro Felipe.


No duelo de talentos, Ronaldinho – ironizado pela torcida do Vasco com música referente à polêmica de vídeo divulgado na internet no qual estaria se masturbando – ficava isolado pelo lado esquerdo e pouco se mexia. A melhor opção era pela direita, com um Léo Moura mais ofensivo. E dos seus pés começou troca de passes com Fierro e Negueba até parar em Thiago Neves, que mandou de canhota rente à trave. Foi a melhor jogada da equipe no primeiro tempo.


Gol vascaíno


Daí em diante, o Flamengo se empolgou e começou a deixar espaços, principalmente no seu lado direito defensivo. Foi por ali  que o Vasco fez a jogada que gerou muitas reclamações, e justas. Diego Souza arrancou pela meia-esquerda e foi puxado pela camisa por Wlillians até o interior da grande área. Pênalti claro que o árbitro Péricles Bassols não marcou.


O camisa 10 cruz-maltino começava a aparecer mais na partida. A forte marcação no meio-campo fez o Vasco retomar o domínio. O time se mexia mais. Jumar já continha a jogada de Fierro e Léo Moura. Felipe Bastos e Romulo davam velocidade à meia-cancha e até Nilton resolveu dar uma bela arrancada pelo lado direito. Passou como quis por Fierro e centrou para Diego Souza, livre de marcação, testar firme, sem defesa para Felipe: 1 a 0 Vasco, aos 29 minutos, com direito a comemoração do trem-bala.


A torcida vascaína se empolgou no Engenhão. Faltava o gol do Palmeiras sobre o Corinthians no Pacaembu para a festa ficar completa. O Flamengo sentia o golpe. Ronaldinho já buscava jogo pela direita, mas sem a menor inspiração. Thiago Neves acabou prejudicado após uma dividida com Dedé e custou a retomar o ritmo da partida. Negueba saía muito da área, o que facilitava a marcação vascaína.


A tensão era visível dos dois lados. Willians e Felipe Bastos se estranharam após uma dividida.  O meia Felipe reclamava da arbitragem e estimulava os companheiros. Alecsandro levou perigo mais duas vezes ao gol do goleiro rubro-negro. Na segunda, obrigou Felipe a mandar para escanteio um tiro perigoso pela direita. E o primeiro tempo acabava com gostinho de superiodade vascaína.


Fla muda e empata


Vanderlei reconheceu o erro na escalação inicial e mudou os planos. Saíram Negueba e Fierro, entraram Deivid e Muralha. Com a derrota parcial, o Flamengo corria risco de ficar fora da Libertadores. O segundo tempo começou com emoção para os dois lados. Primeiro foi o Vasco, com Felipe rolando mais uma vez para Fágner quase ampliar. Do lado rubro-negro, o despertar de Ronaldinho Gaúcho deu início à reação: primeiro, o camisa 10 serviu no meio para Muralha bateu com perigo, à direita de Prass. Depois, R10 lançou na esquerda para Deivid limpar a jogada e tocar para Renato Abreu, que se livrou da marcação e colocou de canhota, no fundo das redes, empatando a partida aos 10 minutos.


Mais bem armado, com Muralha saindo mais para o jogo e Alex Silva bem na defesa, o Flamengo cresceu na partida, e aos 21 minutos o time reclamou de pênalti de Dedé em Ronaldinho Gaúcho, em lance duvidoso. O árbitro mandou seguir.


Cristóvão mexeu no Vasco. E mexeu mal. Tirou Felipe e Felipe Bastos, dois dos maiores destaques do Vasco, e pôs Bernardo e Eduardo Costa. Logo em seguida, Junior César arrancou pela direita – isso mesmo, pela direita – até levar entrada por trás de Jumar, que já tinha cartão amarelo. O árbitro Péricles Bassols não hesitou em dar o vermelho.


Mesmo com 10 em campo, o Vasco precisava arriscar. Para armar o time, sobrou Dedé. Foi dele o passe açucarado para Bernardo desferir uma bomba bem defendida por Felipe, um dos mellhores em campo. Pouco depois, Junior César sentiu e teve de sair. Vanderlei chegou a ensaiar pôr Thomás e deslocar Renato Abreu para a lateral, mas o jogador sinalizou que não tinha condições físicas. Entrou Rodrigo Alvim.


O sufoco vascaíno continuava. O gigante Dedé empurrava o time. Mas o Flamengo ameaçava. Léo Moura, em alta velocidade, puxou contra-ataque e lançou Ronaldinho, que obrigou Fernando Prass a uma das defesas mais bonitas da rodada.


Cristóvão trocou Diego Souza por Elton. Renato Abreu simulou falta, foi expulso e por pouco não agrediu Péricles Bassols na mesma hora em que ocorria confusão também em Corinthians x Palmeiras. O Vasco pressionou, mas não conseguiu a vitória. No fim, Felipe reclamou com Bassols e também foi expulso. Não se conformou com o resultado, que a torcida aplaudiu. Agora, a expectativa de mais um grande duelo, além do Carioca, pode ser na Libertadores.

Jornal Midiamax