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Vaga de Moacyr Scliar na ABL já está sob disputa

A vaga de Moacyr Scliar na Academia Brasileira de Letras (ABL) já está sob disputa. Com a desistência do poeta Ferreira Gullar, dado como unanimidade entre os acadêmicos até ontem, o escritor gaúcho, que morreu no domingo, poderá ser substituído pelo romancista baiano Antonio Torres ou pelo jornalista carioca Merval Pereira. Eles se inscreveram hoje […]

Arquivo Publicado em 01/03/2011, às 22h18

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A vaga de Moacyr Scliar na Academia Brasileira de Letras (ABL) já está sob disputa. Com a desistência do poeta Ferreira Gullar, dado como unanimidade entre os acadêmicos até ontem, o escritor gaúcho, que morreu no domingo, poderá ser substituído pelo romancista baiano Antonio Torres ou pelo jornalista carioca Merval Pereira.


Eles se inscreveram hoje na corrida pela cadeira de número 31, logo após a Sessão de Saudade, realizada em memória de Scliar. Torres foi até a ABL e conversou com acadêmicos. Pereira mandou uma carta. A eleição será em maio e outros candidatos têm até o fim de abril para aparecer. Na quinta-feira, o poeta Marco Lucchesi, candidato único à vaga deixada pelo Padre Fernando Ávila há quatro meses, deverá ser aclamado.


Gullar, que vem sendo paquerado pela academia há décadas, havia aceitado o convite feito por alguns acadêmicos – seria também candidato único, numa eleição pró-forma -, mas desistiu ontem. “Acordei em depressão. Não tenho nada contra a Academia, tenho muitas amizades lá, mas não é a minha praia. Eu pensei: `Estou com 80 anos e isso não está me dando qualquer alegria, não é o tipo de coisa que eu quero.’ Então por quê? A Academia é pra sempre!”, desabafou.


Bem próximo dos acadêmicos José Sarney, Antônio Carlos Secchin e João Ubaldo Ribeiro, entre outros, o poeta maranhense lembra que a insistência para seu ingresso na ABL aumentou com a morte do poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto, em 1999. Mas antes disso outros convites já haviam aparecido.


“Eu não sou uma pessoa acadêmica, que goste de pertencer a uma instituição. Tinha aceitado porque foi um convite, então isso muda a relação, não posso ficar bancando o arrogante”, disse. Os dois candidatos já têm relações com a casa. A bibliografia de Antonio Torres, que tem 70 anos, tem 17 livros, e há dez ele ganhou o Prêmio Machado de Assis, da ABL, pelo conjunto de sua obra. Ele já havia concorrido antes, em agosto de 2008. Merval tenta pela primeira vez. Tem 60 anos e publicou em livros reportagens e artigos que escreveu para jornais. O último, “O Lulismo no Poder”, foi lançado na ABL, em setembro do ano passado.

Jornal Midiamax