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Trabalhadores rurais de Nova Andradina bloquearam MS-276 nesta manhã

Os trabalhadores rurais do assentamento Santa Olga fecharam por volta das 7h desta segunda-feira (21), a MS-276, que liga Nova Andradina a Ivinhema. O bloqueio que terminou às 9h foi realizado em diversas rodovias de Mato Grosso do Sul. De acordo com os líderes do movimento, a ação é uma mobilização estadual de luta pela […]

Arquivo Publicado em 21/03/2011, às 14h36

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Os trabalhadores rurais do assentamento Santa Olga fecharam por volta das 7h desta segunda-feira (21), a MS-276, que liga Nova Andradina a Ivinhema. O bloqueio que terminou às 9h foi realizado em diversas rodovias de Mato Grosso do Sul.

De acordo com os líderes do movimento, a ação é uma mobilização estadual de luta pela terra que reivindica, entre outras pautas, o fim da paralisação dos trabalhos do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) no Estado devido ações do MPF (Ministério Público Federal).

“Os trabalhadores e trabalhadoras rurais não são contra as ações do Ministério Público Federal, mas esperam que as mesmas não impeçam o andamento das ações do Incra nas localidades onde não foram identificados e confirmados nenhum problema”, explicam os líderes.

O bloqueio na rodovia causou um congestionamento de cerca de 3 quilômetros. A Polícia Militar esteve no local e informou que o protesto foi pacífico, sem o registro de qualquer ocorrência.

Na região do Vale do Ivinhema, as rodovias que dão acesso a Novo Horizonte do Sul, Anhanduí, 172, Casa Verde e Naviraí também foram fechadas.

A reforma agrária em Mato Grosso do Sul foi suspensa depois que o MPF descobriu supostas irregularidades no Incra. Segundo a Procuradoria da República em Mato Grosso do Sul, as irregularidades aconteceram de 2005 a 2010.

Durante o período, o Incra liberou, sem qualquer fiscalização, financiamentos de quase R$ 200 milhões para a construção de casas e compra de insumos nos assentamentos. Na prática, os assentados recebiam o dinheiro e comercializam as terras na surdina.

Há indícios de que assentamentos eram criados apenas para que houvesse a possibilidade de fraudes. Servidores do Incra, servidores municipais, além líderes de acampamentos e de movimentos sociais, foram presos na operação que investigava o esquema.

De acordo com Adilson Remelli, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Nova Andradina, a ação do MPF no Incra está prejudicando os processos de desapropriação, aquisição de terras para a reforma agrária e a liberação de créditos de implantação, fomento e habitação.

O líder sindical também destacou a insatisfação da categoria em relação à proposta de cadastramento dos trabalhadores rurais acampados feito pelo Incra para atender uma exigência do MPF.

Para os trabalhadores, a lista criará conflitos agrários, além de desrespeitar os movimentos sociais. “É uma lista única de prioridade de assentamento sem a participação das organizações que representam esses trabalhadores, além de cercear o livre direito da associação e de escolha do local para ser assentado”, dizem.

O movimento que foi organizado pela Fetagri (Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar) conta com o apoio da CUT (Central Única dos trabalhadores) e MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).

Jornal Midiamax