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Presidente do Sindicato Rural de Iguatemi dá sua versão sobre acusações de agressão

O presidente do Sindicato Rural de Iguatemi, Márcio Morgatto, convocou a imprensa de Campo Grande, na tarde desta quarta-feira (30) para dar sua versão sobre o que teria ocorrido na região do acampamento indígena tekoha Pyelitoi- Mbarakay, próximo a Iguatemi, interior do estado, no último final de semana. “Meu nome foi veiculado na mídia de […]

Arquivo Publicado em 30/11/2011, às 22h41

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O presidente do Sindicato Rural de Iguatemi, Márcio Morgatto, convocou a imprensa de Campo Grande, na tarde desta quarta-feira (30) para dar sua versão sobre o que teria ocorrido na região do acampamento indígena tekoha Pyelitoi- Mbarakay, próximo a Iguatemi, interior do estado, no último final de semana.

“Meu nome foi veiculado na mídia de Mato grosso do Sul e de todo o Brasil com se eu fosse um criminoso. Foram várias mentiras veiculadas na imprensa. Me admiro muito, um representante da Presidência da República agir de tal forma”, desabafou Morgatto, durante entrevista coletiva realizada na Famasul (Federação de Agricultura de Mato Grosso do Sul).

O presidente do Sindicato Rural de Iguatemi se refere a Paulo Maldos, o Secretário Nacional de Articulação da Presidência da República. Ele reuniu os repórteres para mostrar sua versão dos fatos. Inclusive, gravou o episódio que mostra a confusão envolvendo ele e as autoridades que vistoriavam a área e lideranças indígenas também.

No vídeo, com poucos minutos, mostrado aos jornalistas, é clara a forma com que o Secretário Nacional falou com Márcio, mostrando ‘truculência e autoritarismo’. “Quem é você pra me pedir informações? Eu sou da Presidência da República e não aceitamos nenhuma investigação e nem agressão. Vocês estão obstruindo nosso caminho”, dizia Paulo Maldos para Márcio.

De acordo com a versão de Márcio, informado por um produtor rural sobre a situação (que teria visto viaturas brancas e ônibus com índios), ele (Márcio) foi até o local para saber o que estava acontecendo. Foi aí então que avistou cinco caminhonetes brancas, mas também veículos da Força Nacional de Segurança e outros três veículos de pequeno porte. “Quando estava me dirigindo à região, vi uma caminhonete branca e perguntei o que estava acontecendo e quem eram aquelas pessoas (que estavam na caminhonete). Mas o passageiro, que estava ao lado do motorista, já desceu me dizendo que eu não tinha direito nenhum de questionar nada”, revelou Márcio.

Esse trecho também é mostrado no vídeo, quando é possível ouvir a voz do Secretário Nacional dizendo: “Viemos aqui pra resolver a situação… você não sabe o que tá acontecendo com os índios?” e a discussão continua, mostrando a todo instante que ali os representantes dos Direitos Humanos, da Presidência da República, entre outras entidades, não tinham que dar satisfação a ninguém.

“Seja de qual hierarquia a pessoa for, é preciso falar a verdade e ser educado com as pessoas. Eu só fui saber se tava havendo algum problema e vieram cheio de agressões verbais e ameaças pra cima de mim”, continuou Márcio.

Segundo ele, muitas famílias daquela região estão apavoradas diante das ocorrências de violência registradas contra os indígenas. E a intenção de Márcio era saber o motivo daquelas viaturas brancas, ônibus com índios dentro; e no local então viu a Força Nacional de Segurança também.

“Mas quando fui saber no outro dia, na imprensa, disseram que eu tinha ameaçado autoridades da Presidência e até ameaçado colocar fogo num ônibus com indígenas dentro. Isso é um absurdo! Se havia ali autoridades da Força Nacional de Segurança, porque então eu não fui abordado, preso ou investigado no local mesmo?”, questionou Márcio.

Imagens censuradas

Márcio afirmou que retiraram as imagens de algumas pessoas que estavam por ali. “Chegaram a pegar a máquina de um fotógrafo da cidade. Disseram pra eu entregar as imagens também, mas eu disse que já não estavam mais comigo, que uma pessoa tinha levado para a cidade. Mas estou com este vídeo, uma grande prova do que ocorreu”, continuou o presidente do Sindicato Rural de Iguatemi.

De acordo com Márcio, um policial da Força Nacional, que se identificou como tenente Edison, pediu as imagens de Márcio, explicou que ali havia duas pessoas com proteção policial e qualquer coisa que pudesse ocorrer com elas (com a divulgação das imagens), a responsabilidade poderia ser de Márcio.

No calor da discussão, em outra parte também registrada no vídeo, é possível ouvir: “Você me respeita, sou representante da Presidência da República” (dizia o Secretário Nacional); e Márcio retrucou: “O senhor também tem que me respeitar da mesma forma que eu respeito o senhor. Eu me apresentei desde o início e o senhor não”. No final da coletiva, Márcio disse ainda: “Ele se mostrou muito irritado. Não abordei ninguém, não obstruí o caminho de ninguém”.

O que diz a Famasul

“Queremos esclarecimento dos fatos. Ninguém explicou pra gente o que estava acontecendo, ficou mais dúvida do que informação. Até agora só temos pergunta e nada de respostas”, citou o presidente da Famausul, Eduardo Riedel.

Riedel também ficou impressionado com a forma com que agiu o representante da Presidência da República. “Nossa busca também é pela solução dos problemas envolvendo os indígenas. Mas aqueles que são autoridades maiores, os representantes da Presidência da República, que dizem buscar uma solução ‘pacífica’ pra situação, não deviam agir dessa forma”, completou o presidente da Famasul.

Eduardo Riedel disse ainda que a Famasul e vários produtores ficaram muito preocupados com a repercussão dos fatos e que vai colaborar no que for preciso pra saber quem eram as outras pessoas e obter respostas. “Como vimos, são acusações sérias atribuídas ao Márcio equando ele procurou a Famasul, nos disponiblizamos a apoiá-lo para mostrar a sua versão. Viaturas oficiais, ônibus de índios circulando em propriedades particulares, essa discussão, entre outros pontos, mas ninguém falou nada oficialmente”.

Jornal Midiamax