O líder do PR na Câmara, Lincoln Portela (MG), afirmou nesta quarta-feira (10) que a tendência do partido é deixar o bloco do governo na Casa na próxima semana. Segundo Portela, a falta de diálogo com o governo tem causado um “descontentamento” dos parlamentares do partido.

O PR conta com 41 deputados federais. Se a independência for oficializada na próxima semana, o governo deixará de contar com o apoio de 52 deputados ao todo, já que o PRB, que tem 11 parlamentares, já deixou a base do governo.

“”Há uma tendência de independência. Minha tendência é de independência porque não há diálogo com o governo. Não adianta conversar. O partido quer uma independência””, disse o líder da legenda.

A crise com o partido teve início com a saída da cúpula do PR do Ministério dos Tranportes, no começo de julho, depois de denúncias de supostas irregularidades publicadas pela revista “”Veja””. O então ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, deixou o cargo e reassumiu o mandato de senador.

Ao retornar à Casa, ele reclamou da falta de apoio da presidente Dilma Rousseff. Denúncias recentes envolvendo o ministério da Agricultura e o do Turismo, ambos do PMDB, aceleraram o desconforto. O PR reclama de um tratamento diferenciado.

“”Quero que todas as apurações sejam rigorosamente feitas. O PR não comandava sozinho o ministério dos Transportes. E o restante?””, questionou o líder.

Votações paradas

A falta de acordo entre os parlamentares da base governistas impediram, nesta quarta-feira (10), a votação de quatro medidas provisórias que trancam a pauta da Câmara. A primeira medida provisória que tranca a pauta é a 532, que atribuí à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis a fiscalização e regulamentação do setor produtivo do etanol. Antes, o combustível era ligado ao setor agrícola.

O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), admitiu que foi comunicado pela base de que não haveria “clima” para as votações, mas afirmou que o governo está trabalhando pelo acordo. O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS),admitiu o desconforto, segundo ele causado pelos acontecimentos políticos.

“”Eu acho que há um clima de desconforto. Há uma instabilidade da base de sustentação do governo em função dos acontecimentos políticos que tivemos nesta semana. Há um esforço de todos para montar uma pauta que atenda os interesses de todos”, disse

Já o líder do Paulo Teixeira (SP), negou falar em “desconforto”, e disse que as votações devem ser retomadas na próxima semana.

“Não tem desconforto. A base vai acompanhar o governo, sem dúvida. A base está alinhada”, disse Teixeira.