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Plano apresentado pela Santa Casa sugere ineficácia na consultoria milionária da SPDM

Documento inclui ações básicas, como "organização do fluxo de caixa", mas hospital recebe suposta 'consultoria' da SPDM desde 2008. Ex-presidente disse que "nunca viu resultado" no trabalho da empresa.

Arquivo Publicado em 23/06/2011, às 16h51

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Documento inclui ações básicas, como “organização do fluxo de caixa”, mas hospital recebe suposta ‘consultoria’ da SPDM desde 2008. Ex-presidente disse que “nunca viu resultado” no trabalho da empresa.

O plano de metas apresentado pela nova direção da Junta Interventora que administra a Santa Casa de Campo Grande revela que nos últimos anos, mesmo com a consultoria prestada pela SPDM, pouca coisa foi feita para melhorar a administração do hospital.


Na tarde desta quarta-feira (22), membros da junta interventora da Santa Casa de Campo Grande se reuniram com promotores dos Ministérios Públicos Estadual, do Trabalho e Federal. Objetivo da reunião foi apresentar o plano de ação da Santa Casa para 2011, conforme TAC (Termo de Ajuste de Conduta) imposto à entidade.


Desde 2005 sob intervenção, a Associação Beneficente de Campo Grande contratou por ordem judicial, em 2008, a empresa de consultoria SPDM. Mesmo assim, com o suposto trabalho que deveria organizar a parte administrativa do hospital, o plano de ação apresentado ontem inclui metas básicas para o funcionamento da Santa Casa.


Até operações primárias para administrar qualquer empreendimento, como a “organização do fluxo de caixa e do orçamento da entidade”, estão no documento apresentado oficialmente pelos novos diretores. São ações que supostamente não foram implementadas pela consultoria da SPDM nos últimos três anos.


O documento apresentado após a reunião traz como metas para a situação econômica da entidade ações simples, que já deveriam ter sido implementadas, como: Formar grupo de trabalho para análise da situação e elaboração do caixa; Avaliação do déficit e elaboração de ações para sua diminuição.


Recentemente, após deixar a presidência da Junta, Jorge Martins revelou a ineficácia dos milhões gastos com a SPDM. Ainda assim, a secretária Estadual de Saúde, Beatriz Dobashi, defende a contratação da empresa SPDM.


Segundo ela, a empresa está cumprindo o contrato conforme a licitação. Dobashi afirmou que o plano de ação apresentado nesta quarta-feira não difere em nada do que estava sendo feito, apenas apresenta prazos para as execuções.


“Agora temos prazos que determinam, por exemplo, a readequação do orçamento da Santa Casa, podendo inclusive, haver cortes”, admite Beatriz Dobashi, que enfatizou que os cortes podem se estender ao efetivo dos trabalhadores da Santa Casa.


Já o ex-diretor administrativo da Santa Casa, Jorge Martins, discorda da afirmação da secretária de saúde. Jorge, que se demitiu do cargo dia 17, admitiu que nos 11 meses à frente da direção administrativa da Santa Casa, não viu resultado nenhum na atuação da SPDM, no que diz respeito da implantação de novo modelo de gestão no hospital.


Para o procurador do Ministério Público do Trabalho, Dr. Felipe Fritz Braga, os processos anteriores de aplicação e transparência das juntas interventoras não foram bem sucedidos por falta de programação, exigindo a intervenção do Ministério Público.


“A população tem o direito de saber o que está acontecendo na Santa Casa, uma vez que ela recebe repasses do Estado e do SUS, esses foram os motivos que levaram o MP a intervir”, afirmou o procurador.


A empresa prestadora deve ter seu contrato encerrado ainda em agosto desse ano. A partir de então nova licitação deve ser aberta para o contrato de nova empresa, ou mesmo da própria SPDM, como explicou Antônio Lastória, membro do da junta administrativa da Santa Casa.

Jornal Midiamax