Uma equipe da Fundação Nacional do Índio (Funai) informou que está cercada por grupos peruanos armados que invadiram a base da Frente de Proteção Etnoambiental Envira, em Igarapé Xinane, no Acre, em julho.

No sábado foi encontrado um acampamento no outro lado do rio, onde havia um colchão, sacos de açúcar, uma mochila com cascas de cartuchos roubados da base e um pedaço de flecha.

Segundo Coordenador Geral de Índios Isolados e Recente Contato da Funai Carlos Travassos, a flecha pertence aos índios isolados que vivem nas cabeceiras do Rio Humaitá e que só foram conhecidos em 2008 quando foram fotografados pela Funai. Travassos explica que a flecha é a carteira de identidade deles e está preocupado com a situação que pode ter graves consequências em relação aos trabalhos de proteção de índios isolados das últimas décadas. “São pelo menos três grupos de cinco, seis pessoas. Ao redor da base, há caminhos grandes com pisadas recentes”, diz Travassos.

Invasão

A possível invasão foi alertada, em 11 de julho, por indígenas Ashaninka que moram a três horas de barco da base.

Após uma semana, iniciou-se uma operação do Comando de Operações Táticas (COT) e da Coordenadoria de Aviação Operacional (CAOP) na área, com o apoio logístico do Estado do Acre e do Exército. Em 3 de agosto, o narcotraficante português Joaquim Antônio Custódio Fadista foi preso. Em março, ele já havia sido capturado e extraditado para o Peru. Mas o bandido retornou à Base do Xinane atrás da uma mochila, supostamente com drogas.

De acordo com Travassos, o trabalho dos mateiros auxiliou a polícia. “O Ministério do planejamento pediu o fim da contratação dos serviços terceirizados das Frentes, mas sem pessoas especializadas como eles, a segurança dos índios isolados estão comprometidos. São cidadãos com alta envergadura moral, mas analfabetos, e por isso não são aceitos para alguns setores do governo”, explica Travassos.