Geral

Período chuvoso afeta abastecimento de produtos alimentícios em Corumbá

As crianças de Corumbá e Ladário passaram por momentos de sufoco nos últimos dias em que as chuvas foram intensas no Estado. Isso porque com o grande volume de chuvas caindo sobre a região, as estradas ficaram em péssimas condições de tráfego, prejudicando o abastecimento comercial em todo o Mato Grosso do Sul. O leite […]

Arquivo Publicado em 15/03/2011, às 12h21

None

As crianças de Corumbá e Ladário passaram por momentos de sufoco nos últimos dias em que as chuvas foram intensas no Estado. Isso porque com o grande volume de chuvas caindo sobre a região, as estradas ficaram em péssimas condições de tráfego, prejudicando o abastecimento comercial em todo o Mato Grosso do Sul.

O leite foi o produto que faltou nas prateleiras e por duas semanas foi, consequentemente, o mais procurado no comércio local. O principal supermercado da cidade, chegou a registrar falta do produto na prateleira, sendo que em momento de normalidade, o abastecimento é diário.

“As duas últimas semanas foram críticas em relação ao abastecimento de leite. Isso ocorreu porque os caminhões não conseguiram sair das fazendas dos produtores para dar vazão ao mercado. As chuvas impossibilitaram o acesso às fazendas e o abastecimento de produtos no comércio ficou comprometido, ocasionando a falta do produto nas prateleiras. Nunca havia acontecido algo desse tipo, de faltar um produto”, explicou ao Diário, Marcos Panovitch, proprietário de supermercado.

Na semana do carnaval, a situação começou a melhorar, mas a quantidade não atendia a demanda. “Quando os produtos começaram a ser abastecidos, assim que chegavam às prateleiras, as pessoas corriam e compravam uma grande quantidade para fazer estoque em casa. Por isso, colocamos cartazes pedindo a compreensão dos consumidores em levar apenas 12 caixas unitárias para casa. Assim, teríamos o produto para todos os consumidores. Em momento algum fizemos a imposição que a compra seria restrita a 12 unidades. Apenas pedimos a compreensão, porque nesta semana o abastecimento estaria se regularizando”, informou Marcos.

E foi o que ocorreu. Nesta segunda-feira, 14 de março, o abastecimento de leite foi normalizado no mercado e mais de cinco mil caixas de leite devem chegar somente nesta semana. “Na segunda-feira, mil caixas de leite chegaram ao mercado, porém, essa quantidade é suficiente para cerca de duas a três horas de venda. Nesta semana, para voltar à normalidade, o mercado estará recebendo mais de cinco mil caixas de leite”, enfatizou.

A dona de casa Josélia Jeremiano, 30 anos, recorreu a uma atitude drástica para garantir o leite a seus três filhos, de três, seis e nove anos. “A situação foi tão complicada em casa, que eu tive que colocar água no leite condensado e dar para as crianças. Em minha casa, para passar o mês tranquilo, tem que ser em média cerca de 36 caixinhas de leite. Como as vendas estão racionadas em alguns locais, tenho que ficar comprando caixinhas todos os dias, é uma situação lamentável, mas temos que entender, afinal, é a natureza, não podemos culpar ninguém”, enfatizou.

Açúcar e ovos podem faltar

Com o abastecimento de leite praticamente regularizado, o novo produto, vítima da dificuldade de logística no Estado é o açúcar grosso. Nesta segunda-feira, a prateleira do açúcar estava vazia, isso, pela mesma razão da falta de leite no mercado, a dificuldade de transporte do produtor para o comércio. De acordo com Marcos Panovitch, o abastecimento do produto só deve se normalizar na quarta -feira, 16 de março.

O ovo também teve uma queda no abastecimento e pode ser o próximo produto a faltar nas prateleiras, como apontou Marcos. “O açúcar já não temos mais no estoque e a prateleira ficou sem. Em relação aos ovos, temos poucas unidades no estoque e temos um receio de que eles também faltem nas prateleiras. Os produtores já reduziram em 50% o envio, também pela questão de que as chuvas dificultam o tráfego de caminhões para o comércio”, concluiu.

Supermercado conseguiu manter preços

Em algumas partes da cidade, com a falta dos produtos, o consumidor enfrentou um aumento nos preços. Marcos Panovitch, garantiu que em seu estabelecimento, os valores praticados foram mantidos. “Não havia necessidade de aumentar o preço porque o produto estava faltando, até porque essa falta seria temporária, é questão de o tempo melhorar e as estradas terem condições de tráfego para os caminhões. Nosso problema é que alguns comerciantes compravam em nosso mercado e depois revendiam a preços elevados para o consumidor. Nossa relação com o cliente se manteve em relação aos preços nesse período de faltas de produtos”, explicou.

Quem sentiu no bolso a falta dos produtos nas prateleiras foi o consumidor. A pedagoga Geórgia Arruda, 35 anos, fez “milagres” para substituir o leite em casa.

“Minha família sofreu muito com essa falta de leite em Corumbá, pois tenho um filho de sete anos e uma mãe idosa, que necessitam de leite todos os dias. A saída foi tentar produtos como leite achocolatado que vem pronto, iogurtes, porém, esses produtos são bem mais caros do que o leite convencional, e isso com certeza vai refletir no bolso no fim do mês, sem contar que eu fiquei todo esse tempo sem consumir o leite, para que sobrasse para meu filho e minha mãe”, disse a pedagoga.

Já em relação aos preços, ela afirmou ao Diário que chegou a encontrar produtos com aumento absurdo no preço. “Eu sempre comprei o leite numa faixa de no máximo R$ 2,30. Com a falta, tive que comprar a R$ 2,80. Uma alta que não tem justificativa, mas como temos que comprar o produto, não há como escolher o preço, o negócio é garantir o leite em casa”, frisou Geórgia.

Jornal Midiamax