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Pequenos partidos ainda discutem formação de bloco oposicionista na Assembleia de MS

Mesmo com a resistência dos petistas, sobretudo do segundo secretário da Casa, Paulo Duarte, e do deputado Pedro Kemp, os parlamentares dos pequenos partidos, que não formam bancadas, ainda acreditam na possibilidade de formar um bloco, estratégia que lhes permitiria mais espaço de atuação pela indicação para as comissões permanentes. O impasse se instalou porque […]

Arquivo Publicado em 25/02/2011, às 11h00

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Mesmo com a resistência dos petistas, sobretudo do segundo secretário da Casa, Paulo Duarte, e do deputado Pedro Kemp, os parlamentares dos pequenos partidos, que não formam bancadas, ainda acreditam na possibilidade de formar um bloco, estratégia que lhes permitiria mais espaço de atuação pela indicação para as comissões permanentes.


O impasse se instalou porque o PT defende a formação de um bloco que fosse efetivamente de oposição, com o compromisso inclusive de votação em bloco nas matérias apreciadas pela Casa. Já para os partidos sem bancada, o bloco serviria como instrumento para ampliar a participação nas instâncias do trabalho parlamentar.


“Continuamos conversando; ainda há tempo”, comentou o deputado Alcides Bernal (PP), sobre a possibilidade de o PT vir a compor o bloco. “Um bloco seria a solução, mas é preciso ter coragem”, acrescentou o deputado Lauro Davi (PSB), que defende uma “oposição responsável”, com independência nas votações.


Aliados


Metade da bancada estadual do PT é simpática à ideia da formação de um bloco com os pequenos. O argumento do deputado Laerte Tetila, favorável ao bloco, é de que somando-se a representatividade dos quatro deputados do PT a mais quatro de outros partidos (PSB, PP, PSL e PDT) haveria “mais consistência no trabalho”.


Para o deputado Cabo Almi, que repetidamente tem se declarado favorável à proposta, a formação de um bloco representaria “avanços para o Poder Legislativo”. “Isso poderia tornar o Legislativo mais independente, menos subserviente”, afirmou.


Cabo Almi disse ainda que a união com os pequenos partidos poderá significar um grupo forte para as eleições do ano que vem. “Mas eu reconheço que os que são contra têm seus argumentos, e são inclusive mais experientes do que eu, que estou chegando agora”, ponderou.


Sem interesse


A falta de interesse ou empenho do PT na formação de um bloco com os pequenos partidos pode ter explicação em questões internas do partido. É que o líder da bancada tem direito a voto na decisão das candidaturas municipais do ano que vem, e com a formação de um bloco, não se constitui liderança para o partido.


“Somos contra a formação do bloco principalmente por dois motivos: primeiro porque o PT já tem assento nas comissões, então, nesse sentido, não temos nada a ganhar; e depois, com isso, o PT poderia perder um pouco da identidade, já que aos outros não interessa formar um bloco realmente de oposição”, argumentou o deputado Paulo Duarte.


Duarte admitiu, no entanto, que existe também a motivação de caráter partidário: “Realmente o líder da bancada tem assento na Executiva do partido, e uma série de prerrogativas que garantem mais participação, então, nesse sentido, nossa posição é partidária, sim”.


Mesmo assim, Duarte garante que já mesmo sem a formalização do bloco não há impedimento para votar junto com os pequenos partidos. “Entendo que eles têm interesses diversos, inclusive o de obter espaço nas comissões, e cada um busca seus interesses, o que é natural”, afirmou.


Para o deputado Pedro Kemp uma questão importante é a heterogeneidade que caracterizaria esse bloco. “Não é interessante neste momento formar um bloco que não tenha o compromisso de fazer oposição ao governo. Sem esse compromisso, o bloco não tem sentido e o PT correria o risco de perder a identidade e ficar diluído em meio a tantas posições políticas possivelmente divergentes”, avalia.


Kemp apontou ainda a questão da liderança de bancada que, uma vez substituída pela liderança de bloco, poderia trazer problemas. “quando vem um projeto polêmico, por exemplo, precisa haver acordo de lideranças. E como atuaria uma liderança que não tem uma linha política definida?”, questiona o deputado.

Jornal Midiamax