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Passeata na Afonso Pena cobra mais respeito e ‘acessibilidade’ em Campo Grande

Cerca de 300 pessoas realizaram nesta manhã (03) uma passeata na Avenida Afonso Pena, centro de Campo Grande, cobrando por mais ‘acessibilidade’ e respeito às pessoas portadoras de deficiência. A manifestação pacífica acontece exatamente no Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. O grupo saiu do Ismac, na rua 25 de Dezembro, ao lado da prefeitura, e […]

Arquivo Publicado em 03/12/2011, às 14h42

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Cerca de 300 pessoas realizaram nesta manhã (03) uma passeata na Avenida Afonso Pena, centro de Campo Grande, cobrando por mais ‘acessibilidade’ e respeito às pessoas portadoras de deficiência. A manifestação pacífica acontece exatamente no Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. O grupo saiu do Ismac, na rua 25 de Dezembro, ao lado da prefeitura, e seguiu em direção à Praça do Rádio.

“As pessoas precisam aderir à nossa luta pela acessibilidade, seja no trabalho, nas ruas, no trânsito, em todo lugar”, comentou Tereza de Fátima Nais Inoue, a presidente do Conselho Estadual da Pessoa Com Deficiência.

São deficientes auditivos, visuais, cadeirantes, entre outros. E no meio da passeata, uma cena ainda inusitada em Campo Grande. Felipe Gehlen, de 23 anos, deficiente visual, caminhava com apoio do seu novo ‘cão guia’, um belo cachorro da raça ‘labrador’.

“Ele já anda com o ‘Zeus’ em alguns lugares da cidade, mas ainda temos muitas dificuldades. Em vários estabelecimentos, o cachorro tem que ficar na porta, mesmo tendo Lei que permite a entrada do animal com o deficiente visual”, relatou dona Singrid Gehlen, a mãe de Felipe.

“Zeus” como é batizado o cão, foi adquirido pela família há aproximadamente dois anos e, segundo Singrid, ainda está sendo totalmente educado para levar o filho a diferentes pontos de Campo Grande. “Ah, é muito bom pode andar. E o cachorro é muito manso, ajuda bastante, legal”, falou Felipe.

Mais manifestações

Os manifestantes entregaram panfletos sobre acessibilidade, postura no trânsito e outras dicas de como agir com respeito aos portadores de deficiências.

Com faixas, cartazes e gritos de guerra como: “essa vaga não é sua, nem por um minuto”, os integrantes do movimento foram escoltados pelo policiamento de trânsito. Os manifestantes ocuparam duas faixas da Afonso Pena e alguns ‘estressados’ nas ruas transversais (que cruzam a avenida) já buzinavam desesperadamente por causa de apenas alguns minutos de espera.

Em um dos cartazes, a informação para quem ainda não sabe e desrespeitar a vaga destinada às pessoas com deficiência era a seguinte: “As vagas especiais são um direito assegurado em Legislação. Multa: R$ 53,21; remoção do veículo e três pontos na carteiras”.

“Precisamos do apoio da imprensa, que é fundamental. Tanto para conscientizar as pessoas quanto para cobrarmos das autoridades, as mudanças necessárias para nossa população”, complementou Tereza.

Ela informou ainda, que nos últimos dias, representantes do Conselho Estadual estiveram em diferentes prédios públicos, como Prefeitura, Fórum, Bancos, entre outros, para avaliarem a situação e encontrarem as alterações necessárias. “Agora vamos encaminhar um relatório às autoridades competentes com as adptações que julgamos necessárias nesses locais que visitamos”.

Unepe/ Avape

Participaram da passeata, alunos do Ismac, funcionários do Detran, entre outros, representantes da Unepe/ Avape, entidade que há 32 anos presta assistência aos portadores de deficiência, no Brasil.

Em Mato Grosso do Sul, nove pessoas compõem a diretoria da Unepe, que atua em 37 cidades do Estado e realiza atendimento a quase mil pessoas. “A organização se preocupa especialmente com a reeducação física; capacitação e qualificação profissional, com foco voltado à inserção no mercado de trabalho para essas pessoas”, lembrou Naelson Ferreira, o diretor presidente da Unepe-MS.

O trabalho visa dar assistência principalmente às pessoas portadoras de deficiência em conseqüência de algumas doenças raras, como exemplo, distrofia muscular. O próprio Naelson lembra que foi ‘cadeirante’ durante dois anos, em conseqüência de uma doença com nome de ‘ataxia cerebelare hereditária’. “Nessa época, eu confesso que não tinha essa consciência. Hoje, mudei completamente minha visão sobre as necessidades das pessoas e a luta por acessibilidade”.

Para encerrar, citou um fato importante para a entidade e para a sociedade: nesta ano, a Unepe- MS doou 235 cadeiras de rodas para portadores de algum tipo de deficiência.

Jornal Midiamax