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Para incentivar doação de órgãos, transplantados realizam caminhada no Ibirapuera em SP

Pessoas que receberam órgãos de outras participaram hoje (25) da 1ª Caminhada dos Transplantados de São Paulo, evento promovido pelo Instituto do Coração de São Paulo (InCor) e a Associação Brasileira dos Transplantados de Coração e Portadores de Insuficiência Congestiva (ABTC-ICC). Aberto também a parentes de transplantados, médicos e a simpatizantes da causa, o evento […]

Arquivo Publicado em 25/09/2011, às 16h36

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Pessoas que receberam órgãos de outras participaram hoje (25) da 1ª Caminhada dos Transplantados de São Paulo, evento promovido pelo Instituto do Coração de São Paulo (InCor) e a Associação Brasileira dos Transplantados de Coração e Portadores de Insuficiência Congestiva (ABTC-ICC). Aberto também a parentes de transplantados, médicos e a simpatizantes da causa, o evento teve o objetivo de chamar a atenção das pessoas para a importância de doar órgãos e também de prevenir doenças que levam à necessidade de um transplante.

“A ideia é chamar a atenção da sociedade para a doação de órgãos. O ser humano precisa aprender a se doar um pouco mais. E, com a doação de órgãos, você vai prolongar uma vida”, disse Roberto de Jesus Sant’Anna, presidente da ABTC e transplantado de coração há sete anos.

Para o cardiologista Fernando Bacal, que trabalha orientando o pré e o pós operatório dos transplantados de coração do Incor há 20 anos, é preciso que a população se conscientize mais sobre a doação de órgãos. “A morte encefálica é uma situação irreversível. Ao doar os órgãos, [a família de quem morreu] estará ajudando oito ou dez pacientes que estão com uma péssima qualidade de vida e com risco de mortalidade muito alta”, explica.

De acordo Bacal, é importante que as pessoas entendam que morte encefálica é diferente do estado de coma. “Essa caminhada também serve para esclarecer que a morte encefálica é uma situação irreversível. A morte não é a parada do coração, mas é a encefálica. Os potenciais doadores [com morte encefálica] são mantidos vivos com auxílio de remédios e medicamentos, mas se não tivessem isso, morreriam, ou seja, o coração e outros órgãos iriam parar de funcionar poucas horas depois”, explicou.

Uma das pessoas que aguarda por um coração é Aristides Ferreira, marido de Alda Célia Ferreira. Segundo ela, que participou na manhã deste domingo da caminhada no Parque do Ibirapuera, Aristides está há seis meses internado no InCor à espera de um transplante. “É uma ansiedade tanto para nós quanto para ele. Mas nós, que somos acompanhantes, temos que ficar firmes para não dar demonstração de que estamos ali ansiosos também”, relatou.

Na fila de transplantes há também crianças, como a pequena Gabriela, de apenas 7 anos, que saiu de Manaus para ser tratada pelo InCor em São Paulo. Ela participou de parte da caminhada pelo parque já que ficou cansada e resolveu parar. Gabriela foi junto com a avó, Maria Zulmira Cardoso Nascimento. A menina nasceu com uma cardiopatia e um tumor no ventrículo, mas o problema só foi diagnosticado quando ela tinha 3 anos. “Ela já está na fila há uns cinco meses. É uma ansiedade muito grande”, disse Maria Zulmira, emocionada.

A avó de Gabriela completa que a doação de órgãos para crianças como Gabriela é uma questão de urgência. “Se não doar esses órgãos, tem muitas crianças que vão morrer, como a minha. Ela não vai viver se não tiver esse coração. Queria que pais e mães se compadecessem. Se eles vissem como é importante esse órgão para outras crianças viverem. Ela [Gabriela] é a única neta que eu tenho, do meu filho falecido. Tem muitas crianças na fila que já se foram. Queria muito que essas mães se sensibilizassem”, apelou.

Gabriela e a avó estão instaladas em uma casa destinada para crianças e adolescentes, gerenciada pela Associação de Assistência à Criança Cardíaca e à Transplantada do Coração (ACTC). Ali, a menina tem aulas e recebe apoio médico e psicológico. Segundo Regina Varga, coordenadora da ACTC, as vagas são destinadas para crianças de todo o Brasil que têm uma cardiopatia grave. “Nossos pacientes são exclusivamente de SUS [Sistema Único de Saúde]”, ressaltou.

Durante o caminhada, médicos e especialistas do InCor atenderam a população para falar sobre a vida depois do transplante e os cuidados com a alimentação, medicação e atividades físicas dos transplantados. Também foi dada orientação sobre a doação de órgãos, a cirurgia e o processo de funcionamento da fila de transplante em São Paulo.

O cardiologista Fernando Bacal alerta para a importância de as pessoas discutirem a questão da doação de órgãos em casa. “Se você nunca conversou em casa sobre transplante, no dia em que acontecer uma fatalidade, geralmente inesperada, é um ônus grande para a família tomar essa decisão. Conversem em casa, discutam a causa do transplante em casa.” A conclusão é que se os parentes sabem da opinião sobre a doação de órgãos que o ente querido tinha fica mais fácil tomar a decisão de doar seus órgãos.

O InCor é o maior centro transplantador de coração e de pulmão em crianças e adultos do país. Atualmente, 36 pacientes adultos e dez crianças e jovens estão sendo acompanhados pelo hospital na espera por um transplante de coração e 63 pacientes adultos aguardam por um transplante de pulmão. De acordo com o InCor, a mortalidade em fila de espera pode ultrapassar os 50% devido, principalmente, à demora na decisão sobre a doação do órgão.

Jornal Midiamax