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Oposição síria pede intervenção de Liga Árabe e Nações Unidas

A oposição síria pediu nesta segunda-feira a intervenção das Nações Unidas e da Liga Árabe, enquanto forças de segurança mataram a tiros 29 pessoas na cidade sitiada de Homs (centro), epicentro dos protestos e que recebeu a visita de observadores. O líder do principal grupo opositor, o Conselho Nacional Sírio (CNS, que reúne a maioria […]

Arquivo Publicado em 27/12/2011, às 00h20

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A oposição síria pediu nesta segunda-feira a intervenção das Nações Unidas e da Liga Árabe, enquanto forças de segurança mataram a tiros 29 pessoas na cidade sitiada de Homs (centro), epicentro dos protestos e que recebeu a visita de observadores.


O líder do principal grupo opositor, o Conselho Nacional Sírio (CNS, que reúne a maioria das tendências de oposição), denunciou que os observadores da Liga Árabe em Homs não conseguem fazer seu trabalho.


Segundo Burhan Ghaliun, alguns observadores da primeira missão da Liga Árabe estão em Homs, a 160 km de Damasco, “mas não conseguem ir aonde as autoridades (sírias) não querem que eles vão”.


Ghalun também estaria buscando a intervenção da ONU e da Liga Árabe “para por um fim a esta tragédia” e pediu ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para “adotar o plano da Liga Árabe e garantir que seja aplicado”.


A maior parte dos observadores árabes chegou na noite de segunda-feira à Síria, informou o canal de TV Dounia, ligado ao regime.


“Uma delegação de 50 observadores chegou esta noite a Damasco”, revelou a TV, precisando que dez membros do grupo têm nacionalidade egípcia.


Uma primeira equipe de logística da Liga Árabe desembarcou na quinta-feira em Damasco para preparar a chegada dos observadores. O general sudanês Muammad Ahmed Mustafah al-Dabi, que coordena a missão, chegou no domingo à capital síria.


Nesta segunda-feira, 29 pessoas morreram na cidade sitiada em violentas trocas de tiro.


Disparos de obuses e metralhadoras pesadas contra o bairro de Baba Amro mataram 18 pessoas e deixaram dezenas de feridos. “A situação é alarmante e o bombardeio é mais intenso que nos três últimos dias”, afirmou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH, ligado à oposição).


O OSDH, com sede em Londres, apelou ao secretário-geral da Liga Árabe, Nabil al-Arabi, para impedir um cerco ao hospital Al-Hikma de Homs, e que teria como objetivo prender os feridos.


Outros onze civis morreram em diversas partes da cidade e seus subúrbios, e uma mulher foi morta em Talbisseh, perto de Homs.


Na véspera, o CNS pediu aos observadores da Liga Árabe para seguirem imediatamente para Homs, que estaria sitiada, correndo o risco de sofrer a “invasão” de cerca de quatro mil soldados mobilizados em seus arredores por ter se tornado o foco do levante contra o presidente sírio, Bashar al-Assad.


Em Khattab, na província vizinha de Hama, mais três pessoas, inclusive uma criança, foram mortas pelas forças de segurança em uma manifestação, e um jovem morreu em Saraqeb, na província de Idleb (noroeste).


Nesta província, forças oficiais alteraram as indicações dos nomes de lugares na região de Jabal al-Zawiyah para induzir os observadores ao erro, denunciou o OSDH, que pediu aos delegados árabes que procurem diretamente os militantes na área.


Em outros atos de violência registrados em diferentes regiões do país, quatro desertores do exército morreram em confrontos com tropas governamentais perto da cidade de Al-Yunsieh, na fronteira com a Turquia, e explosões foram ouvidas durante enfrentamentos entre desertores e soldados em Duba, subúrbio de Damasco.


Os observadores presentes na Síria devem supervisionar um acordo que visa a por um fim à repressão dos protestos, que segundo cálculos da ONU teria matado mais de 5.000 pessoas desde março.


A missão faz parte de um plano árabe, endossado pela Síria em 2 de novembro, que prevê a retirada das forças militares de cidades e distritos residenciais, o fim da violência contra civis e a libertação de presos.


Desde que assinou o acordo, o regime de Assad tem sido acusado de intensificar a repressão aos opositores.


O regime de Assad afirma que a violência é responsabilidade de “grupos armados” que pretendem espalhar o caos no país e que os confrontos já teriam matado 2.000 soldados.


Na sexta-feira, as autoridades acusaram a Al-Qaeda de estar por trás dos atentados com carro-bomba na capital, que mataram 44 pessoas.

Jornal Midiamax