Operação Padrão pode provocar prejuízos à vacinação e manchar a imagem do gado brasileiro no mercado internacional

A Operação Padrão desencadeada na quarta-feira (16) por técnicos da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), provoca preocupação da classe produtora e sindicatos. O momento é de concretização de negócios e os sindicatos não possuem estrutura para atendimento ou pessoal habilitado para a emissão das Guia de Trânsito Animal (GTA).

Alberto Dalben, presidente do Sindicato Rural de Fátima do Sul prevê prejuízos imediatos e futuros aos produtores. “Essa paralização dos técnicos do Iagro vai trazer graves prejuízos para os ruralistas. Mesmo com a determinação autorizando os sindicatos a emitirem a Guia de Trânsito Animal (GTA), tem outras coisas que preocupam o produtor. Nós estamos em época de vacinação contra a aftosa tudo depende dos técnicos, então isso traz riscos para o produtor porque ele se programa para a vacinação e, sair fora desta programação é um transtorno. Estou indo para Campo Grande tentar entender como vamos trabalhar esta questão técnica aqui no sindicato”, disse Dalben.

A Famasul atuou de forma rápida, buscando minimizar os transtornos e conseguiu autorização para que os sindicatos procedam à emissão das GTAs, permitindo, assim, a negociação entre produtores e destes com os frigoríficos. A dificuldade maior é que os sindicatos não estão preparados para a emissão da guia e nem contam com pessoal suficiente. Os pecuaristas temem pelo atraso no fechamento do negócio nesta época em que necessitam fazer caixa para enfrentar seus maiores compromissos financeiros.

Conforme explica Pascoal Luiz Secco, presidente do Sindicato Rural de Três Lagoas, “Recebemos a circular da Famasul autorizando a emissão da GTA, no entanto não sabemos como fazer, não estamos preparados para isso e nem temos pessoal e estrutura para os procedimentos. A Famasul está enviando uma pessoa para nos orientar, de qualquer forma, tudo está parado, temos uma fila imensa de solicitação que não podemos atender. Esta é uma época de muitos negócios porque o produtor precisa vender para fazer caixa que lhe permita pagar salários, 13° terceiro, enfim estar preparado para os maiores gastos e todos os negócios estão parados. E não é apenas o gado, os cavalos que utilizamos também precisam da liberação.

A informação de que os produtores rurais poderão emitir a GTA é,  segundo o Sindicato dos Fiscais Estaduais Agropecuários de Mato Grosso do Sul (SIFEMS), uma atitude irresponsável e temerosa. “A entrega desta responsabilidade para produtores e profissionais não habilitados para o serviço pode colocar em risco o controle e a credibilidade do nosso Estado junto aos organismos internacionais”, disse Glaucy da Conceição Ortiz presidente do Sifems.

Um produtor rural consultado e que preferiu não se identificar, esclareceu que já está sofrendo pelo atraso da emissão das guias. “Isso é uma escorração do Iagro, é uma manobra que foi desencadeada na época de venda e movimentação de gado. E a gente fica amarrado para falar, porque senão vem retaliação,” desabafa.

O deputado estadual Zé Teixeira (DEM) vem alertando o governo desde setembro, sobre a necessidade de elaborar o Plano de Cargos, Carreira e Salários (PCCS) dos fiscais estaduais agropecuários “A nossa economia é baseada no agronegócio e os veterinários são responsáveis pelas ações de vigilância, fiscalização e inspeção de toda a cadeia produtiva do Estado. Devemos valorizar esses profissionais e garantir um salário base mais digno, pelos relevantes serviços que prestam, e também aumentar o  número de funcionários do quadro da IAGRO”, ressaltou em fala de 22 de setembro.

A nota da Famasul

Sindicatos rurais passarão a emitir GTA

Os sindicatos rurais de Mato Grosso do Sul passarão a emitir a Guia de Trânsito Animal (GTA) para agilizar o transporte de bovinos e bubalinos no Estado. A medida atende pedido da Federação da Agricultura e Pecuária de MS (Famasul) ao Governo do Estado e visa contornar a morosidade gerada pela operação padrão desencadeada pelos fiscais da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) desde a quarta-feira (16).

O quadro técnico da Agência está operando em marcha lenta devido às reivindicações da categoria pela definição de um plano de carreira, o que dificulta o trânsito de animais e prejudica sobremaneira a classe produtora. Atualmente, a GTA é emitida nas unidades locais da Iagro nos municípios. Está sendo testada em projeto piloto a emissão do documento via internet, modo como deverá ser operacionalizada a emissão da guia nos sindicatos.

A alternativa de viabilizar os procedimentos necessários ao transporte dos animais por meio do sistema sindical foi discutida pelo presidente da Famasul, Eduardo Riedel, junto ao Governo Estadual nesta quinta-feira (17). “A operacionalização via sindicatos é o caminho mais viável para restabelecer o fluxo das operações de trânsito animal no Estado. O setor produtivo não pode ser penalizado e esta alternativa já vinha sendo construída há cerca de dois anos”, defendeu o dirigente.

Segundo dados da Iagro, pelo menos 900 mil animais por mês são movimentados no Estado, sendo que a maior parte, ou cerca de 40%, com a finalidade de abate. Mas o transporte também movimenta bovídeos para engorda, exposições, leilões, reprodução, esportes e serviços.

A Federação estuda ainda a possibilidade de buscar na Justiça o estabelecimento da normalidade no atendimento da Iagro.