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‘Não estou pensando no Santos neste momento’, diz Muricy Ramalho

Muricy Ramalho sabe que é a primeira opção do Santos para assumir o comando do futebol. A Vila Belmiro também é vista com muito carinho pelo treinador. Muricy pede apenas um tempo. E a intenção não se restringe a descansar, mas sim se desligar do Fluminense, clube que deixou há nove dias como atual campeão […]

Arquivo Publicado em 23/03/2011, às 12h44

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Muricy Ramalho sabe que é a primeira opção do Santos para assumir o comando do futebol. A Vila Belmiro também é vista com muito carinho pelo treinador. Muricy pede apenas um tempo. E a intenção não se restringe a descansar, mas sim se desligar do Fluminense, clube que deixou há nove dias como atual campeão brasileiro.

“O Santos é o melhor time do Brasil, tem estrutura. Mas o Fluminense ainda está dentro de mim”, afirmou. “Preciso de um tempo para me desligar. Sou muito intenso, me envolvo demais. Não consigo trocar um clube por outro em poucos dias.”

O treinador mantém o discurso indignado em relação à estrutura do Fluminense, ressalta que esse foi o grande empecilho para a sequência de trabalho nas Laranjeiras, mas rechaça a afirmação de que tenha quebrado o contrato com o Tricolor carioca. “Teria rompido (o contrato) se tivesse trocado o Fluminense por outro clube”, explicou. “Mas não faço isso. Simplesmente saí, que é um direito meu.”

Essa decisão de tirar férias e não voltar a trabalhar antes de 30 dias é irredutível? O que poderia fazer você mudar de ideia?

Não se trata de ser irredutível. Eu preciso me sentir bem, me sentir preparado para assumir um novo compromisso. Isso pode acontecer a qualquer momento. Eu falo 30 dias porque é um número padrão para descanso. Mas me conhecendo, esse período poderia ser até maior. Mas não sei, quem sabe antes disso, 10, 15 dias isso possa mudar.

Os interessados em contratá-lo terão de ter paciência?

Olha só, eu sou uma pessoa que não se dá bem com todo mundo. Eu tenho meu jeito e isso incomoda muita gente e às vezes cria muitos problemas para mim. Por isso, eu preciso de resultados. É só isso que me dá sustentação no emprego. Então eu me entrego demais, me envolvo demais com as pessoas e com o clube. Não consigo sair de um clube e ir para outro. Não entendo como tem gente que consegue fazer isso. O Fluminense ainda está dentro de mim, foi muito forte o que nós passamos ali. Só que chegamos a um limite, não tinha mais como evoluir. E preciso me sentir bem para conquistar resultados. Preciso desse tempo para mudar a chave.

Mas por que você suportou toda essa falta de estrutura durante um ano?

Porque havia o compromisso de que algo seria feito nesse tempo. Mas isso não aconteceu. Muito pelo contrário, uma estrutura que já era ruim, piorou. Perdemos a chance de contratar vários jogadores porque o cara via que era difícil trabalhar ali. O campeonato que conquistamos foi graças a uma equipe fabulosa de profissionais. E mesmo assim muitos deles saíram agora.

Então a questão política pesou também em sua decisão?

Claro que isso interfere. Poxa, cheguei para o presidente (Peter Siemsen) e pedi para que ele mantivesse o assessor de imprensa. Não por se tratar de alguém protegido ou próximo a mim. O cara era funcionário do clube antes de eu chegar e virou meu amigo. E valorizo muito essa questão de ambiente. Não demorou e mandaram ele embora.

Uma das marcas de sua carreira sempre foi a de cumprir contratos. Isso mudou agora?

De maneira alguma. Eu não rompi contrato. Teria rompido se trocasse o Fluminense por outro clube. Mas não foi isso o que aconteceu. Eu simplesmente saí, tenho esse direito. Acontece o seguinte: tomo algumas atitudes que não são comuns no meio do futebol, então as pessoas sempre acham que tem alguma coisa por trás, alguma coisa escondida. Sim, abri mão de um salário alto. Te digo mais, abri mão da minha aposentadoria.

Há contato formalizado com o Santos?

Não. Teve esse encontro com o presidente (Luis Alvaro Ribeiro) na rádio (Globo), mas foi sem querer. Não sabia que ele entraria no ar. Mas deixei muito claro para o Rivellino (Márcio Rivellino, procurador) que me desse um tempo, que não falasse comigo. E olha que moramos no mesmo prédio. Mas não falei com ninguém. Se quiserem deixar algo esquematizado para o futuro, tudo bem. Agora não!

O Santos oferece as condições necessárias para vencer?

Acredito que sim, tem uma estrutura que muita gente elogia. Olha aqui, eu sempre elogiei muito o Santos. Desde o ano passado, quando me perguntavam qual o melhor time do Brasil, qual o favorito para a Libertadores, sempre disse o Santos. O clube conta com os dois jogadores capazes de resolver um jogo, que são Neymar e Ganso. Mas repito, não estou pensando no Santos neste momento.

Jornal Midiamax