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Na bolsa, crise grega ‘apaga’ bom momento da economia brasileira

O avanço da economia brasileira e o crescente aumento da credibilidade do país no exterior não têm sido suficientes para conter as quedas registradas pelo mercado acionário nacional. Acompanhando o desempenho das bolsas mundiais, afetadas principalmente pelo temor dos investidores quanto à recuperação das atividades econômicas europeia e norte-americana, o Ibovespa (principal ín...

Arquivo Publicado em 18/06/2011, às 00h13

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O avanço da economia brasileira e o crescente aumento da credibilidade do país no exterior não têm sido suficientes para conter as quedas registradas pelo mercado acionário nacional. Acompanhando o desempenho das bolsas mundiais, afetadas principalmente pelo temor dos investidores quanto à recuperação das atividades econômicas europeia e norte-americana, o Ibovespa (principal índice do mercado brasileiro) tem “esquecido” o bom momento brasileiro e registra nos últimos 12 meses perdas perto de 6% – no ano, chega próximo de 12%.


 O risco de a Grécia, que passa por séria crise fiscal, não honrar suas dívidas aumenta a cada dia, e pressiona a bolsa brasileira a fechar a níveis baixos, se aproximando dos menores patamares em um ano. Só esta semana, o Ibovespa perdeu 2,6%.


“Se a Grécia decretar default (calote), deveremos ter grande prejuízo no mercado acionário brasileiro. O problema é que há uma divisão dentro da própria União Europeia sobre o que seria a melhor solução para a crise. Enquanto esse impasse não for resolvido, a Bovespa vai continuar sofrendo”, disse Raphael Martello, economista da Tendências Consultoria.


 Para o fraco desempenho da Bovespa também contribuem as crises de Portugal, Espanha e Irlanda, que não dão sinais de recuperação, o risco de o pagamento da dívida pública dos Estados Unidos ser suspenso – provocando mais distúrbios nos mercados financeiros -, além dos conflitos no Oriente Médio, que afetam a cotação de commodities como o petróleo.


Diante desse cenário de incertezas, grande parte dos investidores estrangeiros, que representam aproximandamente um terço do volume total negociado na Bovespa, acabam migrando para ativos mais seguros, como os títulos do governo brasileiro, da dívida norte-americana ou até mesmo para o franco suíço. “Os investidores ficam muito mais cautelosos, mais sensíveis à situação internacional, instável e negativa, por mais que o Brasil esteja vivendo um momento de estabilidade”, disse.


Com o número de investidores diminuindo, o volume de negócios cai e restam apenas “arbitradores”, que definem estratégias para se aproveitar de distorções dos mercados, segundo o sócio-diretor da Título Corretora, Márcio Cardoso. “Enquanto não tiver investidores de volta, o mercado vai ficar nas mãos do arbitrador, que ganha pouco, perde pouco, e não faz o volume de negócios aumentar”, afirmou.


Para o especialista, enquanto os juros brasileiros estiverem altos, garantindo rentabilidade perto de 6% – taxa acumulada -, esse movimento de evasão seguirá afetando a bolsa brasileira. Até para o pequeno investidor, direcionar seus recursos em outras aplicações está mais vantajoso.


 Por exemplo, nos últimos 12 meses, o real registrou valorização de 10,8% frente à moeda norte-americana e as Letras Financeiras do Tesouro (LFT) – tipo de título de dívida do governo – tiveram alta de 11%, no mesmo período.


Nos últimos 12 meses, na bolsa, os setores que mais têm sofrido baixas, de acordo com levantamento da consultoria Economatica feito a pedido do G1, são os de eletroeletrônicos (-44,78%), siderurgia e metalurgia (22,72%), papel e celulose (18,12%), além de petróleo e gás (16,89%).


“As medidas macroprudenciais do governo, para conter consumo e inflação, e a alavancagem de alguns setores acabaram contribuindo para esse resultado”, disse Cardoso.

Jornal Midiamax