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Morte de argentino tumultua Mercosul

Reunião foi interrompida e foto oficial do encontro foi cancelada depois que o subsecretário Ivan Heyn foi encontrado morto no hotel

Arquivo Publicado em 21/12/2011, às 00h19

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Reunião foi interrompida e foto oficial do encontro foi cancelada depois que o subsecretário Ivan Heyn foi encontrado morto no hotel

A morte do subsecretário de Comércio Exterior da Argentina, Iván Heyn, tumultuou a reunião de cúpula de presidentes e ministros dos países do Mercosul. Heyn foi encontrado morto no quarto do Hotel Victoria Radisson, no centro da capital uruguaia, com um cinto enforcando seu pescoço, aparentando suicídio. Com 33 anos, ocupava o cargo há apenas dez dias.


Ao meio-dia sua ausência nas reuniões no edifício da Secretaria do Mercosul chamou a atenção dos integrantes da equipe econômica, que foram buscá-lo no hotel. Ao ser informada do suicídio do subsecretário, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, passou mal e foi atendida por seu médico.


A morte de Heyn – que fazia parte da equipe que intensificaria o protecionismo do segundo mandato da presidente Cristina – provocou o cancelamento da tradicional foto oficial dos presidentes do Mercosul. É a primeira vez, em 42 cúpulas, que o bloco do Cone Sul registra a morte de um de seus negociadores durante o período de reuniões.


A notícia interrompeu os trabalhos no meio da tarde, mas houve retomada na sequência.


Venezuela


Os presidentes do Mercosul avaliavam no fim do dia a criação de uma comissão especial cuja missão seria ir a Assunção para tentar convencer os senadores paraguaios a desbloquear o pedido da Venezuela para ser “sócio pleno” do bloco. A comissão seria formada por negociadores indicados pelos presidentes dos países do bloco do Cone Sul.


A Venezuela solicitou a entrada no Mercosul em julho de 2004. Em 2006, o pedido foi aceito pelos presidentes da região e seguiu para a aprovação dos Parlamentos dos países sócios. No entanto, há três anos está paralisado no Senado do Paraguai, onde a oposição – que tem a maioria – rejeita a entrada venezuelana, contrariando o presidente Fernando Lugo, amigo do presidente Hugo Chávez.


O presidente uruguaio José Mujica propôs na semana passada um “drible” no Senado paraguaio com a criação de uma “variável jurídica” que permitiria que a Venezuela somente necessitasse da aprovação do presidente do Paraguai, prescindindo da câmara alta em Assunção.


No entanto, a denominada “Fórmula Mujica” provocou polêmica em Assunção, onde a oposição ameaçou o presidente Fernando Lugo de “julgamento político” caso aceitasse de forma direta a entrada da Venezuela. “Na hipótese de que Lugo aceite esse jogo, corresponderá ao Parlamento aplicar o recurso constitucional de impeachment.”


Fontes diplomáticas indicaram ao Estado que a situação do presidente paraguaio Fernando Lugo é “delicada”, já que está sob ameaças de impeachment caso tente passar por cima do Senado. “Para o Mercosul faltam várias coisas. Uma delas é o Caribe. E a Venezuela tem o peito aberto para o Caribe!”, disse Chávez ao desembarcar em Montevidéu, nesta manhã.


O presidente venezuelano disse que a barreira à entrada de seu país no Mercosul é causada por um “pequeno grupo” de “extrema direita”, em alusão aos partidos da oposição no Paraguai. “Não há precedentes para algo desse gênero. Eles pretendem barrar o projeto integracionista que beneficia todos os países da América do Sul”, esbravejou. O chanceler argentino Héctor Timerman afirmou que a Venezuela “é um país de primeira categoria e deveria estar no Mercosul”.


Aos 57 anos, Chávez afirmou que está “plenamente recuperado” do câncer. Segundo ele, “não existem presenças malignas nas células de seu corpo”. O líder bolivariano disse que passou por “quatro sessões duras de quimioterapia”, mas já está “de pé”.

Jornal Midiamax