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Moradores do Jóquei Clube vão cobrar do prefeito solução para o som alto no Parque de Exposições

Cumprimento efetivo da Lei do Silêncio e regulamentação dos horários de término dos shows são saídas estudadas. Câmara vai promover audiência pública para debater a questão.

Arquivo Publicado em 09/02/2011, às 18h33

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Cumprimento efetivo da Lei do Silêncio e regulamentação dos horários de término dos shows são saídas estudadas. Câmara vai promover audiência pública para debater a questão.

A Associação de Moradores do bairro Jóquei Clube está mobilizando a comunidade para reunir propostas de controle e fiscalização do som alto no Parque de Exposições Laucídio Coelho em dias de festas e shows. As sugestões serão apresentadas em audiência pública na quinta-feira (10) na Câmara Municipal, quando os vereadores vão tentar encontrar alternativas ao impasse gerado entre os promotores de eventos e a população. A intenção é levar as ideias ao conhecimento do prefeito Nelsinho Trad.


O articulador do movimento é Waldemir Poppi, ex-vereador que propôs a Lei do Silêncio (LC nº 8/96) e morador do Jóquei Clube. De acordo com o presidente da entidade, será cobrada a efetiva aplicação da Lei do Silêncio por parte da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur), órgão responsável por emitir licenças ambientais para eventos no parque. Outras medidas estudadas são a regulamentação dos horários de início e término dos shows; e a mudança do local de alguns eventos.


O Tribunal de Justiça suspendeu no dia 26 de janeiro a realização de shows, eventos e rodeios no Parque de Exposições, sob pena de multa diária de R$ 100 mil aos organizadores. A decisão atingia a Expogrande, tradicional evento promovido pela Associação dos Criadores (Acrissul), mas os vereadores aprovaram ontem (8) em caráter de urgência a mudança na Lei do Silêncio para excluir da regra a feira agropecuária.


A população do entorno do Parque de Exposições é de aproximadamente 30 mil pessoas, segundo a associação. Para Poppi, a comunidade deve se unir para lutar contra os abusos durante a madrugada, e citou como exemplo os rodeios e campeonatos de laço que são realizados com frequência no local.


“O pessoal começa a transmitir as provas pelo alto-falante na manhã da sexta-feira, dura o dia todo, e à noite recomeça o som alto com os shows sertanejos que vão madrugada adentro. E no sábado começa tudo de novo, até domingo”, relatou.


Voz inaudita


Os moradores do Jóquei Clube mostraram sua opinião à reportagem um dia após a Câmara ter aprovado a emenda à Lei do Silêncio. Valtecir Fernandes, que reclama do barulho gerado pelo Parque Laucídio, expôs sua opinião sobre a atuação dos vereadores: “Na campanha política eles prometem muita coisa e dão tapinha nas costas. Mas na hora de trabalhar em prol da comunidade, todos fogem e procuram atender os próprios interesses”.


José Izaque entende que a realização de eventos no Parque é positiva para o comércio no entorno, mas é contra os exageros: “No rodeio começam a soltar rojão, e as janelas da minha casa chegam a tremer. Todo fim de semana essa barulheira não dá”.


José Rodrigues, morador há três décadas do Jóquei Clube, prega pela mudança imediata do local de eventos. Ele conta que já fez várias reclamações na prefeitura, sem que nenhuma providência fosse tomada. “Não acredito mais na política”, desabafou.


Já a aposentada Maria Inácia de Souza, que mora a 200 metros do Parque, diz tolerar o barulho, mas não compreende por que recebeu uma cobrança de R$ 1 mil do IPTU, sendo que segundo ela o imóvel era isento até o ano passado.


“A cobertura da minha casa é de eternit, o piso é do mais simples, a gente tinha isenção do imposto”, explica. Ela conta ainda que vai procurar a prefeitura para tentar solucionar a questão.

Jornal Midiamax