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Moradores criticam Sanesul e temem poluição com despejo de esgoto no Rio Paraná

O que para a Sanesul é uma obra de ampliação da rede de esgoto, para os moradores do local é motivo de preocupação

Arquivo Publicado em 23/09/2011, às 10h51

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O que para a Sanesul é uma obra de ampliação da rede de esgoto, para os moradores do local é motivo de preocupação

A instalação de uma nova Estação de Tratamento de
Esgoto (ETE) na região do Jupiá, local turístico, às margens do Rio Paraná, em
Três Lagoas, tem preocupado moradores e frequentadores daquele Bairro. Segundo
o gerente regional da Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul (Sanesul),
Álvaro Ricardo Calábria Araújo, a expansão irá atender 15 bairros onde a rede
de esgoto passa por ampliação.

“Trata-se de um contrato de R$ 10,3 milhões, com
recursos próprios da Sanesul. A ETE já instalada, e em funcionamento há anos no
Jupiá, atendia apenas a área central, o Distrito Industrial e alguns bairros
vizinhos, como Colinos e Vila Nova. Com a conclusão das obras dessa nova Estação,
bairros da região nordeste e sudeste de Três Lagoas terão o esgoto tratado ali,
antes de ser desaguado, como efluente, no Rio Paraná”, relatou Álvaro.

População ribeirinha

Para os moradores do Jupiá, mais esgoto, apesar de
tratado, sendo jogado no Rio Paraná representa mais sujeira, mau cheiro e doenças.

“Corremos o risco de um problema com grandes
proporções voltar a acontecer. Há alguns anos a bomba enguiçou e o esgoto
voltou “in natura”, invadindo casas e estabelecimentos comerciais. Agora querem
desaguar mais esgoto aqui. Quase 75% do que é produzido na Cidade será tratado
e jogado no Rio Paraná, logo ali, próximo ao local que vivemos e tiramos o
nosso sustento. Qual turista que souber desse fato vai querer vir passear aqui?”
Questionou seu Miguelzinho, proprietário de um restaurante no Jupiá, as beiras
do Paraná.

Para outro morador e pescador profissional, que
preferiu não se identificar, a nova ETE é uma espécie de bomba relógio.

“Sabemos dos inúmeros problemas que a Sanesul
registra com relação a defeitos em equipamentos e sobre a demora em solucionar
os transtornos. Não entendo por que escolheram uma região povoada para construir
essa nova Estação. O caminho que o esgoto tratado fará é delimitado pela divisória
de pedras, construída pela Cesp (Companhia Energética de São Paulo), com início
nas dependências da Hidrelétrica de Jupiá. Devido a essa barreira, os efluentes
passarão defronte às nossas casas e comércios. Por que não instalaram canos
levando esse esgoto, que dizem tratado, para depois dessa barricada?” Questionou.

Medidas
Preventivas

De acordo com a explicação do gerente regional, o
transtorno acontecido há quatro anos não irá se repetir, pois a Sanesul tem
cumprido as exigências da Legislação Sanitária Brasileira. Além de construir
cerca de quatro Estações Elevatórias de Tratamento Intermediárias (EETI) para
cada ETE.

“Temos trabalhado dentro dos parâmetros legais
exigidos. Procedemos à análise diária do efluente (esgoto tratado) antes de
lançá-lo no Rio Paraná ou no Córrego do Onça (ETE Planalto). Mensalmente o
Laboratório da Sanesul também analisa o produto final desse tratamento. Além
disso, para cada ETE existem cerca de quatro Estações Elevatórias Intermediárias”,
explicou Álvaro.

Segundo Álvaro, cada EETI possui gerador para suprir
eventuais falta de energia elétrica que ocasionaria paralisação das atividades.
Álvaro aponta um roubo noturno das duas bombas responsáveis pela coleta do
esgoto do Jupiá como fato gerador do problema.

“Ladrões entraram e roubaram as duas bombas que
bombeavam o esgoto produzido naquele Bairro para a ETE. Tivemos que
providenciar a vinda de um novo equipamento às pressas em Campo Grande, mas,
enquanto aguardávamos, a população sofreu com o problema gerado. Ainda estamos
respondendo a esse processo no Ministério Público Estadual”, alegou.

O gerente regional cita que existe outra obra,
relativa ao tratamento e destino do esgoto, em andamento pela Sanesul. Álvaro explica
que trata-se uma canalização para retirar parte do esgoto tratado pela ETE
Planalto, referente a oito bairros, e levá-lo, como efluente, também ao Rio
Paraná.

“Estamos com essa outra obra de R$ 10,5 milhões,
com recursos próprios. Depois de concluída, iremos destinar, através de tubulação
subterrânea, o efluente desses oito bairros da região sudoeste da Cidade para o
Rio Paraná, porém em outra área. Tomamos essa medida para diminuirmos os
efluentes jogados no Córrego do Onça”.

Promotoria

Conforme relatado pelo promotor de meio ambiente do
MPE, em Três Lagoas, Antonio Carlos Garcia de Oliveira, a Sanesul foi condenada
recentemente por jogar efluentes e esgoto no Córrego do Onça sem licenciamento
Ambiental.

“Estamos na fase final do processo, cuja condenação
já foi efetivada. Há outro caso envolvendo a Sanesul e uma empresa de tecidos,
na Cidade. Segundo denúncia da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, junto com
o esgoto tratado do Jupiá, havia tinta sendo jogada no Rio Paraná. Essa acusação
está na fase de investigação. Outro fato ocorrido foi na região do Cinturão Verde,
onde um cano de esgoto se rompeu e vazou os detritos em um terreno particular,
mas isso foi um problema pontual, ao qual a Empresa resolveu rapidamente”,
enumerou o promotor.

Questionado sobre a nova ETE, Antonio Carlos
afirmou não ser possível fazer previsões ou especulações.

“Ao que tudo indica, a Sanesul tem cumprido todas
as exigências legais. O efluente que eles devolvem no Rio é uma água limpa e
inodora. Os detritos humanos são consumidos por bactérias anaeróbicas (não
respiram oxigênio), em uma espécie de tanque redondo fechado. Portanto, não
vejo motivo para preocupação”, explicou.

Jornal Midiamax