A pesquisa apresentada pela Fundação Perseu Abramo em Brasília demonstra que a população brasileira acredita na demarcação como solução para os conflitos entre indígenas e fazendeiros

Nesta terça-feira (22), foi divulgada na Câmara dos Deputados, em Brasília, pesquisa “Indígenas no Brasil: demandas dos povos e percepções da opinião pública”, realizada pela Fundação Perseu Abramo, com apoio da Fundação Rosa Luxemburgo, em razão do lançamento da Frente Parlamentar Mista de Apoio aos Povos Indígenas da Câmara. Segundo dados levantados na pesquisa 54% da população brasileira entende que as terras indígenas são insuficientes para que as comunidades desenvolvam o seu modo de vida.

A pesquisa apresentada para a nova Frente Parlamentar – que tem como presidente o deputado federal petista Padre Ton, de Roraima – aponta outros indicativos de que a grande parte da população brasileira se preocupa com a situação dos povos indígenas e tem discernimento da situação infligida e eles.

O levantamento abrangeu um universo total de 2006 entrevistas entre a população geral – realizadas em 150 municípios das cinco regiões – e 402 entrevistas com índios residentes em centros urbanos. Os resultados surpreenderam positivamente a Fundação Perseu Abramo e os parlamentares da frente.

Na opinião do parlamentar presidente da Frente, a pesquisa indica que a sociedade brasileira é menos conservadora do que o Congresso Nacional. “Esta Casa é anti-indígena, muito conservadora, e a pesquisa demonstra uma percepção positiva da sociedade em relação aos indígenas, inclusive no tocante aos seus principais problemas, como a garantia da terra como um direito destes povos, além da educação e da saúde”, afirmou Padre Ton.

A ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos, participou do evento e elogiou a iniciativa. “Queremos contar com a frente parlamentar para nos trazer informações, sendo os olhos e o coração destas comunidades, bem como queremos cumprir a nossa missão de prestar as informações devidas e, através da cobrança da frente, fazer o nosso trabalho avançar nesta área”, frisou Maria do Rosário.

Uma equipe da Secretária Nacional de Direitos Humanos, ligada ao gabinete da Presidência de República, está nesta quarta-feira (23), na região de Amambai, onde jagunços armados teriam matado a liderança indígena guarani-kaiowá, Nísio Gomes, de 59 anos, na madrugada da última sexta-feira (18). O secretário-geral de Direitos Humanos, Ramaís de Castro, afirmou em reunião com a FUNAI em Ponta Porã, antes de seguir para Amambai coma a equipe, que a demarcação de terras é a única forma de resolver os conflitos na região.

A mesma declaração foi feita pelo secretário nacional de Articulação Social da Secretaria Geral da Presidência da República, Paulo Maldos, em visita a região de Paranhos, no mês de outubro. Em pouco menos de dois meses, por duas vezes a presidência da república enviou representantes a região sul de MS.

Confira alguns dados da pesquisa:

– 80% acreditam que existe preconceito contra indígenas;

– 86% concordam (71% totalmente e 15% em parte) que os indígenas protegem mais o meio ambiente do que os brancos;

– 66% acreditam (42% totalmente e 24% em parte) que os indígenas são os verdadeiros donos das terras do Brasil, porque já estavam aqui antes dos brancos chegarem;

– 61% acreditam que há conflitos com os indígenas hoje (destes, 62% acreditam que os conflitos envolvem disputas sobre demarcação e direito à terra);

– 54% entendem que as terras destinadas aos povos indígenas são insuficientes para o seu modo de vida;

– 79% acredita que os indígenas correm risco de perder suas terras;

– 40% avaliam que os grandes fazendeiros representam a maior ameaça aos indígenas;

– 77% acreditam (54% totalmente e 23% em parte) que fazendas e agroindústrias nas terras indígenas só deveriam ser permitidas se os índios concordassem;

– 88% acham que o governo deveria proteger os direitos indígenas;

– apenas 14% defendem (6% totalmente e 8% em parte) que o mais importante é o crescimento do país, mesmo que, para isso, os indígenas tenham que sair das suas terras.