Um grupo de 70 lideranças rurais de Mato Grosso do Sul participa nesta semana das comemorações dos 60 anos da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) e dos 20 anos de criação do Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural). A data será marcada por um seminário reunindo 1,5 mil pessoas entre autoridades federais, parlamentares, lideranças rurais e de outras atividades, embaixadores e ministros, na quarta-feira (23), no espaço Unique Palace, em Brasília.

O seminário vai aprofundar o tema “Os Desafios do Brasil como 5ª Potência Mundial e o Papel do Agronegócio” e será aberto pela presidente da CNA, Kátia Abreu, e pelo ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho. O encerramento terá a presença da presidente da República, Dilma Rousseff. Também está prevista a participação do ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal). De Mato Grosso do Sul, participam presidentes de sindicatos rurais, produtores e representantes de entidades ligadas ao setor.

“O momento será celebrado com a seriedade que o agronegócio tem sido conduzido pela CNA. Vamos comemorar porque o setor tem dado respostas positivas para a sociedade brasileira. Mas vamos fazer isso refletindo sobre a nossa responsabilidade, buscando alternativas para crescer com sustentabilidade”, avaliou o presidente da Famasul, Eduardo Riedel. O dirigente foi eleito como vice-presidente para o segundo mandado da senadora Kátia Abreu frente à CNA e viajou recentemente aos EUA, em comitiva pela Confederação. “Representamos 24,4% do PIB, 37% dos empregos e 37,9% das exportações. E a competitividade da agropecuária tem merecido o respeito de países produtores, como é o caso dos Estados Unidos”, destacou.

O seminário vai abordar temas relevantes para a economia e o agronegócio, entre eles renda rural, a nova política agrícola brasileira e os desafios do País para alcançar a posição de 5ª potência econômica mundial. Entre os palestrantes do seminário estará o economista e ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga. Fraga destaca o papel da CNA como entidade que pensa e formula as questões para o agronegócio e enfatiza o desempenho do setor. “As tecnologias mudam, os mercados mudam. Há 20 anos não se falava em China, há 10 anos ainda se falava pouco no País. E a CNA é importante nesse papel de repensar o setor, já que o Brasil é o grande espaço de crescimento da agropecuária mundial”, disse, enfatizando a atuação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) como referência.   

Programação
A programação inclui a divulgação de um estudo inédito da FGV (Fundação Getúlio Vargas) que estrutura “Os perfis das classes de renda rural no Brasil”. A pesquisa, elaborada a pedido da CNA, revela onde está concentrada a renda do campo no Brasil dividida nas classes A/B, C e D/E com um mapeamento por região do País. O estudo, que utiliza dados do último Censo Agropecuário do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), será apresentado pelo professor Mauro Lopes, presidente do Centro de Estudos Agrícolas da FGV. 

O secretário-executivo do Ministério da Agricultura, José Carlos Vaz, e o secretário-adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Gilson Bittencourt participam do painel “Construindo um novo modelo de Política Agrícola” realizado no período da manhã. Vaz e Bittencourt irão apresentar e debater as bases do novo modelo de política agrícola brasileira em discussão entre o Governo federal e a CNA desde 2008. No mesmo painel, a superintendente Técnica da CNA, Rosemeire Cristina dos Santos fará um resgate dos 80 anos da política agrícola no Brasil. Uma das prioridades da gestão da senadora Kátia Abreu a frente da CNA, a reformulação política agrícola brasileira deve trazer maior garantia de renda ao produtor e redução dos riscos da atividade rural.