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Jornalistas brasileiros chegam e dizem: ‘Tivemos medo de morrer’

Os dois repórteres brasileiros da estatal Empresa Brasil de Comunicação (EBC) detidos na quarta-feira no Egito desembarcaram no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, na manhã deste sábado (5). E disseram que tiveram medo de serem mortos. Corban Costa, repórter da Rádio Nacional, e Gilvan Rocha, repórter cinematográfico da TV Brasil, viajaram até […]

Arquivo Publicado em 05/02/2011, às 14h52

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Os dois repórteres brasileiros da estatal Empresa Brasil de Comunicação (EBC) detidos na quarta-feira no Egito desembarcaram no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, na manhã deste sábado (5). E disseram que tiveram medo de serem mortos.


Corban Costa, repórter da Rádio Nacional, e Gilvan Rocha, repórter cinematográfico da TV Brasil, viajaram até o Cairo para fazer a cobertura da crise política no país, mas não chegaram a produzir reportagens.


No trajeto entre o aeroporto e o hotel, o táxi com os dois foi parado em uma barreira policial. Eles foram levados a uma delegacia com os olhos vendados e tiveram os passaportes e os equipamentos (câmera filmadora, notebook e celulares) apreendidos.


“Depois que pegaram nossos equipamentos e viram que a gente era jornalista, mandaram encostar no muro. A gente achava que ia morrer com certeza”, disse Rocha. “O momento mais difícil foi quando andamos com os olhos vendados por volta de 15 minutos. A gente não sabia o que estava acontecendo e teve muito medo de morrer.”


Costa também afirmou que teve medo da morte. “A gente achou que ia levar um tiro nas costas. Eu rezei para não acontecer. Eu tive a sensação que ia morrer naquele momento. Minha vida passou pela cabeça.”


Segundo Rocha, a viagem já começou tensa. “Tinha uma barreira que fiscalizava e na bolsa do Corban tinha cartões de memória. Perguntaram se éramos jornalistas. Dissemos que sim. Quando abri a mala já foram pegando tudo e disseram que seria devolvido quando nós voltássemos para o Brasil”, contou.


Na delegacia, os dois disseram que receberam apenas um saco de biscoito cada um para se alimentar. Segundo os jornalistas, o local se assemelhava a uma prisão, com corredores e várias salas, que não tinham janelas.


Costa disse que não teve sua bagagem confiscada como Rocha, mas contou que não tinha como usar a câmera. “A gente era monitorado com certeza. Tinha também um espelho no fundo da sala, que só tinha frente para um lado.”


“Eles (os policiais) falavam sempre em inglês com a gente, mas em árabe entre eles. Não dava para entender o que acontecia”, disse Costa. Apesar de tudo, os dois afirmaram não terem sido agredidos fisicamente.


O momento da liberação aconteceu de maneira inesperada. “A gente ficava nessa sala e eu perguntei para um policial quando a gente ia sair de lá. Ele não disse nada e depois de uns 15 minutos voltou e disse que a gente podia sair”, afirmou Costa.

Eles disseram que foram deixados no meio da rua. E pegaram, então, o primeiro táxi para o aeroporto.


“Eles fizeram isso porque temem mostrar a situação caótica que o país vive. É um ato de desespero de Mubarak, porque ele não tem outra saída”, afirmou Costa.


Felizes em retornar ao Brasil, os jornalistas disseram que aguardam ansiosos a hora de reencontrar a família em Brasília. “Fiquei muito frustrado como profissional. Mas só de voltar ao Brasil com a minha mala, com as minhas coisas para encontrar minha família, é inimaginável”, desabafou Costa. “Fomos fazer uma cobertura jornalística e viramos a notícia”, disse Rocha.


Os dois devem seguir para o Distrito Federal no início da tarde.


Jornalistas
O diretor do escritório no Cairo da televisão Al Jazeera e um jornalista da rede foram detidos, segundo a emissora, um dia depois de ataque e saque às dependências da emissora na capital do Egito em crise.


Outros jornalistas tiveram problemas no país. Na quinta, repórteres dos jornais “O Globo”, “Folha de S.Paulo” e “O Estado de S. Paulo” tiveram de deixar o hotel Hilton porque partidários do presidente Hosni Mubarak ameaçam invadir o local.


Já o repórter Luiz Antônio Araujo, enviado do jornal “Zero Hora” ao Egito, foi cercado por manifestantes favoráveis ao atual regime, armados com pedaços de pau e pedras. Ele diz ter sido agredido e roubado – a máquina fotográfica foi levada por manifestantes.


Protestos
Os protestos continuam no Egito. Neste sábado, o contestado presidente, Hosni Mubarak, reuniu seus principais ministros da área econômica no Cairo. A reunião incluiu o primeiro-ministro e os ministros de Finanças, Petróleo, e Comércio e Indústria. O presidente do Banco Central do Egito também participou.

Jornal Midiamax