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Itália anuncia pacote de austeridade estimado em 30 bilhões de euros

O primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, propôs neste domingo (4) um pacote de 30 bilhões de euros de medidas econômicas emergenciais, informou seu gabinete em comunicado. O programa inclui 20 bilhões de euros de medidas estruturais para o período de 2012 a 2014, além de 10 bilhões de euros para estimular o crescimento. Monti antecipou […]

Arquivo Publicado em 04/12/2011, às 22h22

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O primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, propôs neste domingo (4) um pacote de 30 bilhões de euros de medidas econômicas emergenciais, informou seu gabinete em comunicado. O programa inclui 20 bilhões de euros de medidas estruturais para o período de 2012 a 2014, além de 10 bilhões de euros para estimular o crescimento.


Monti antecipou para este domingo uma reunião de gabinete, em Roma, com o objetivo de aprovar as medidas. O encontro estava marcado inicialmente para segunda-feira (5), quando o primeiro-ministro deve detalhar o pacote nas duas casas do Parlamento.


Entre as reformas previstas estão um aumento da idade para aposentadoria de muitos trabalhadores, a liberalização de serviços profissionais, aumento de impostos para contribuintes com renda mais alta e novos impostos sobre bens privados e habitação.


Durante coletiva de imprensa, após três horas de reunião, o primeiro-ministro afirmou que seu governo foi criado com um “mandato curto, mas uma tarefa difícil”, que ele descreveu como “salvar” a Itália de ser culpada pelo fim do euro e também promover o crescimento da terceira maior economia da Europa.


Monti afirmou que o governo vai taxar ativos financeiros mantidos pelas famílias, medida que, segundo ele, será aplicada em toda a Europa. O primeiro-ministro disse ainda que, agora, a Itália apoia um imposto europeu sobre operações financeiras.


O primeiro-ministro da Itália conversou com jornalistas logo depois que seu gabinete aprovou um projeto de lei orçamentária com o objetivo de que a Itália elimine seu déficit fiscal até 2013, ainda que a economia do país e de seus parceiros comerciais desacelere.


As medidas vão impor um corte de 24 bilhões de euros em cortes de impostos e de gastos, segundo fontes do governo.


O primeiro-ministro atribuiu os problemas da Itália – principalmente, seu déficit público de 1,9 trilhão de euros – a décadas de políticas marcadas por visão de curto prazo no período que antecedeu a adoção do euro.


Sacrifícios
Segundo ele, o objetivo de seu governo é “distribuir sacrifícios” de uma maneira justa.


Antigo comissário da União Europeia, Monti afirmou que vai abrir mão do salário a que tem direito como primeiro-ministro e por ocupar interinamente a vaga de ministro da Economia.


Ele também prometeu “medidas significativas” contra a evasão fiscal e disse que a nova abordagem será mais incisiva que esforços do passado. Essa nova abordagem requer que os domicílios façam declarações transparentes de renda, com várias modalidades de ativos financeiros sujeitos a um novo imposto.


Monti também anunciou uma alíquota adicional de 1,5% sobre todo o capital que os italianos mantêm fora do país e foram legalizados por uma lei de anistia aprovada em 2010. Essa anistia repatriou 100 bilhões de euros em ativos não declarados, sobre os quais os investidores tiveram de pagar 5%.


Esse imposto extra é uma forma de “justiça”, disse Monti, acrescentando que os recursos vão permitir que um número maior de pensões seja indexada à inflação nos próximos dois anos. Essa indexação será suspensa para os benefícios de maior valor.


Monti afirmou que outras medidas darão apoio às empresas e, por tabela, à geração de empregos. Entre elas, está previsto um corte de impostos de 5,5 bilhões de euros para as companhias, que serão autorizadas a deduzir uma taxa regional que incide sobre a geração de receita (e não sobre o lucro).


Outro incentivo virá na forma de uma redução de impostos de 1 bilhão de euros para estimular a geração de empregos para mulheres e jovens.


O primeiro-ministro assinalou ainda um esforço para reduzir o custo do aparato político italiano. Segundo ele, governos das províncias serão enxugados e suas assembleias eleitas serão suprimidas.


“A escolha é entre adotar duras medidas de austeridade e iniciar o resgate do euro ou a Itália não ser mais capaz de ficar de pé e corrermos o risco de colapso do euro”, disse Emma Marcegaglia, presidente do lobby dos empregadores italiano Confindustria.


As medidas vêm antes de uma das semanas mais importantes desde a criação da moeda única na Europa há mais de uma década, com a reunião de líderes europeus marcada para a quinta-feira e sexta-feira em Bruxelas para buscar um plano mais amplo de resgate para o bloco.


A Itália, com uma dívida pública de cerca de 120 por cento do Produto Interno Bruto, está no centro de crise da Europa, desde que o rendimento dos seus títulos de 10 anos subiram para cerca de 7 por cento, semelhante aos níveis vistos quando países como a Grécia e a Irlanda foram forçados a buscar um resgate.


A adoção de um pacote de resgate é vista como vital para o restabelecimento da credibilidade da Itália nos mercados financeiros após uma série de promessas não-cumpridas pelo governo anterior de centro-direita do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi.


Sindicatos dizem que os cortes vão atingir os trabalhadores mais pobres e pensionistas mais fortemente, mas há pouco sinal de oposição política aos planos de Monti, que devem ser aprovados no parlamento antes do Natal.


Com a Itália, a terceira maior economia da zona euro, em uma situação de emergência que pode destruir as defesas financeiras da Europa, os líderes da UE vão se reunir em Bruxelas nesta semana com a esperança de aprovar medidas para estreitar os vínculos do bloco com regras fiscais mais severas.

Jornal Midiamax