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Investigação da PF resulta em exoneração do superintendente do IBAMA

David Lourenço foi informado por telefone sobre o desligamento e está sendo investigado na operação Caiman, que apura o envolvimento de servidores públicos em irregularidades envolvendo criação de jacarés

Arquivo Publicado em 17/10/2011, às 19h56

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David Lourenço foi informado por telefone sobre o desligamento e está sendo investigado na operação Caiman, que apura o envolvimento de servidores públicos em irregularidades envolvendo criação de jacarés

“A partir de hoje não sou mais Superintendente do Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis) de Mato Grosso do Sul. O motivo principal são as investigações da última semana da Polícia Federal sobre a criação de jacarés e o envolvimento do funcionário do Ibama”, explicou o ex-superintendente do Ibama, David Lourenço, durante entrevista coletiva nesta segunda-feira (17), no diretório do PT (Partido dos Trabalhadores).


Ele foi informado por telefone sobre o desligamento e, mesmo sendo investigado na operação Caiman, que apura o envolvimento de servidores públicos em irregularidades envolvendo a criação de jacarés e a pousada que pertence ao funcionário do órgão, Gerson Bueno Zahdi, David Lourenço aparenta tranqüilidade.


“Isso é de praxe, quando algum órgão está sendo investigado, eles procuram retirar o dirigente máximo, para garantir a lisura das investigações e não desgastar a imagem do diretor e nem da instituição. É uma prática constante, que a presidente vem adotando no seu mandato”, explicou David.


Ele ocupava o cargo há 3 anos e 7 meses em Mato Grosso do Sul, desde o primeiro mandato do presidente Lula, e, indicado pelo PT, permaneceu após a eleição de Dilma Roussef. David contou que, segundo o seu advogado, ele é investigado para descobrir se de alguma forma favorecia Gerson Bueno, já que o criadouro realmente possuía licença ambiental, mas não podia abater os jacarés e nem comercializar sua pele.


Portanto, as investigações querem tirar a limpo a questão sobre conflitos de interesses e se houve fiscalizações na propriedade de Gerson. A PF investiga o fato de um dirigente permitir que um funcionário público, mesmo sendo proprietário de um criadouro de jacaré há 15 anos, trabalhe na área de fauna e, posteriormente, no gabinete do Ibama.


A Polícia Federal já fez busca na residência de David e na semana passada, recolheu equipamentos e o servidor dos computadores do Ibama, mesmo assim, ele garante que está com a consciência limpa. “Gerson estava em final de carreira, tinha praticamente 5 meses para sair sua aposentadoria. Tínhamos recursos humanos escassos, então é lógico que, como ele é veterinário tinha que atuar na fauna. Posteriormente, o remanejei para a Assessoria do Gabinete, porque ele já estava com problemas de saúde e dificuldades de sair a campo. Inclusive tem os atestados médicos que comprovam isso”, explicou David.


David informou que com a sua demissão, deve voltar para Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural) já que é concursado. Estavam presentes na coletiva o deputado estadual Pedro Kemp e o presidente regional do PT, Francisco Givanildo, que destacaram o apoio e a confiança em David Lourenço. O Partido deve indicar os possíveis nomes para substituí-lo no Ibama nesta semana, enquanto isso, Marcio Yuele permanece como Substituto Interino.


Retrospectiva


Tudo começou em agosto, quando Zahdi, sua filha e esposa foram detidos, acusados de crime ambiental por transportar carne de jacaré. Em outubro, a sede do Ibama chegou a ser fechada pela Polícia Federal para cumprimento de mandados de busca e apreensão, que também tiveram como alvo o Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), Semac (Secretaria de Meio Ambiente, Semac (Secretaria de Meio Ambiente, do Planejamento, Ciência e Tecnologia), Prefeitura de Aquidauana.


De acordo com David Lourenço, as investigações iniciaram há um ano, quando o próprio Ibama de Corumbá percebeu um aumento na comercialização de carne em Bonito e no Pantanal. Em seguida, ainda segundo ele, as informações foram repassadas para a Polícia Federal que começou a atuar nas investigações.

Jornal Midiamax