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Imam de Dourados aprova corte de árvore centenária em troca de 2 computadores e GPS

Ao verem a derrubada da árvore alguns estudantes da UFGD passaram a fazer um protesto, que aconteceu durante o dia de ontem, se estendendo para a manhã desta segunda-feira, com chamamento e mobilização feita pela internet

Arquivo Publicado em 26/09/2011, às 17h52

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Ao verem a derrubada da árvore alguns estudantes da UFGD passaram a fazer um protesto, que aconteceu durante o dia de ontem, se estendendo para a manhã desta segunda-feira, com chamamento e mobilização feita pela internet

Desde as primeiras horas deste domingo (25), iniciou-se o corte de uma Figueira centenária no centro de Dourados. A árvore situada na Avenida Weimar Torres com a Rua Toshinobu Katayama teve o corte autorizado pelo Instituto do Meio Ambiente de Dourados. Ao verem a derrubada da árvore alguns estudantes da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) passaram a fazer um protesto, que aconteceu durante o dia de ontem, se estendendo para a manhã desta segunda-feira (26), com chamamento e mobilização feita através da rede social Facebook.


Na manhã desta segunda, diversos estudantes compareceram ao local. Um grupo deles se dirigiu para o MPE, tentar audiência com o Promotor do Meio Ambiente, Paulo Cesar Zeni. No local, alguns estudantes permanecem em cima da árvore impedindo o trabalho de derrubada, que acabou sendo suspenso no final da manhã. Um fiscal do Ministério do Trabalho foi ao local e constatou que os operários que trabalhavam no corte da árvore estavam sem equipamentos de segurança.


Porém no início da tarde, constatando que os equipamentos foram assegurados aos trabalhadores, o fiscal, autorizou a volta da derrubada da árvore centenária. Mesmo assim, indignados, os estudantes continuam protestando. Cerca de cinco pessoas permanecem em cima da árvore enquanto outros procuram obter ajuda no sentido de sensibilizar as autoridades.


Segundo Lucas Vieira do Reis, estudante do curso de agronomia da UFGD, no Ministério Público eles verificaram que há legalidade no corte da árvore, porém, mesmo dentro da lei, os acadêmicos consideram o corte um abuso. “Vamos continuar protestando, mas a polícia chegou agora pouco aqui e disse que se não sairmos seremos presos”, disse Lucas, que é do centro acadêmico do curso.


Ataulfo Alves Stein, presidente do Comdam (Conselho Municipal do Meio Ambiente), afirma que “com pesar”, o Comdam autorizou o corte da árvore mediante compensação, que é de dois computadores e um aparelho de GPS para o Imam (Instituto do Meio Ambiente). O presidente do conselho afirma que poderiam ter pedido compensação em mudas, como é de praxe, porém “já houve muitas compensações em mudas. Nos últimos tempos foram mais de 300. O problema é que falta gente para plantar e cuidar”, disse Stein. Dessa maneira, foi acertada a compra de dos computadores e do aparelho de GPS, já que, segundo Stein, nenhum dos aparelhos do órgão está funcionando.


Uma saída, segundo Stein, seria o poder público comprar a área. “O proprietário está no seu direito. Mas quem pode interferir é o poder público”, afirma o presidente do Comdam. O secretário municipal de Governo, José Jorge Filho,o Zito, afirmou que é “inviável” para o município entrar nessa “bola dividida”. “Imagina se todo o terreno que desse problema com árvore a prefeitura fosse comprar? Não há a menor possibilidade. Nem cogitamos algo do tipo”, afirmou Zito.


Preferencial


Os terrenos na área urbana são preferencialmente para edificação, afirmou o presidente do Comdam, Ataulfo Stein. Segundo ele, o proprietário do terreno tenta há dois anos retirara a árvore do local, onde será construída uma sede do Banco do Brasil. O Comdam, na época, teria indeferido o pedido, porém com a readequação do projeto, não havia mais como impedir o proprietário de efetuar o corte.


O promotor de Meio Ambiente, Paulo Cesar Zeni, deve estudar o sistema de compensação do município para esses casos. O promotor que também é contrário a derrubada da árvore, afirma que não há o que ser feito no caso pelo ministério público, porém uma mudança no sistema de compensação pode inibir novos cortes de árvores centenárias no município.


Sobre uma possível compra, já descartada pelo município, Stein, apesar de favorável, acredita que seja inviável: “Atualmente nós estamos brigando para ter concurso e não tem. O IPTU do terreno é altíssimo e o dono não poder construir e ficar com todos os ônus também não é possível”, afirma o presidente do Comdam. “É bonito o papel dos estudantes. Que bom que se mobilizaram!”, parabenizou Stein.

Jornal Midiamax