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Guloseimas levam centenas de crianças para as ruas de Corumbá

As salas de aula ficaram praticamente vazias na manhã desta terça-feira, 27 de setembro, e certamente permanecerão desta forma no período da tarde. A data arrasta centenas de crianças para as ruas da cidade, pois é dia de prestar homenagens aos santos que regem as crianças, de acordo com o catolicismo, São Cosme e São […]

Arquivo Publicado em 27/09/2011, às 23h47

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As salas de aula ficaram praticamente vazias na manhã desta terça-feira, 27 de setembro, e certamente permanecerão desta forma no período da tarde. A data arrasta centenas de crianças para as ruas da cidade, pois é dia de prestar homenagens aos santos que regem as crianças, de acordo com o catolicismo, São Cosme e São Damião.


A forma que muitos devotos encontram para realizar essa homenagem, ou de “pagar” alguma promessa, é entregando doce às crianças no dia 27 de setembro. A família de Patrícia Ferreira é um exemplo de devoção, há cinco anos eles repartem doces às crianças do bairro Cristo Redentor.


“Minha irmã há cinco anos, fez uma promessa em relação a saúde da filha dela, e prometeu que se recebesse a graça, durante sete anos entregaria as sacolinhas às crianças e no final, toda a família acabou envolvida. Ajudamos e acabamos fazendo a festa de toda a criançada. É muito bom ver a felicidade das crianças ao receber os doces”, enfatizou.


Crianças de todas as idades, desde as mais novinhas no colo das mães, tios e avós, até adolescentes, corriam pelas ruas de Corumbá. Em uma das casas a reportagem encontrou o pequeno Cleodenir de Oliveira, de apenas 3 anos, que estava acompanhado da tia. O pequeno afirmou que queria doces e a tia contou que desde as 7 horas da manhã estava com ele nas ruas, atrás de guloseimas.


Alex de Moraes, de 12 anos, também afirmou estar na rua desde cedo, porém, só tinha conseguido três sacolinhas. “Esse ano a entrega de doces está fraca. Estou desde as 7 da manhã na rua e só consegui pegar três sacolinhas. Esperava bem mais, agora, vou correr à tarde também para ver se condigo mais doces”, contou.


Com a correria das crianças, há a preocupação com os acidentes, pois é costume dos festeiros soltarem fogos de artifício antes da entrega das guloseimas. As crianças, ao escutarem o barulho dos fogos, saem correndo, para chegar a tempo de alcançar a distribuição e essa correria, faz com que elas percam a noção de perigo de serem atropeladas. Nessa hora, é preciso muita cautela dos condutores e é essencial, que um adulto acompanhe as crianças nesta data. Foi o que fez Berenice Gomes, 56 anos, ela afirma que todos os anos acompanha os netos na correria pelos doces e que faz questão de acompanhá-los, para que não se machuquem ou sofram algum tipo de acidente.


Os santos


São Cosme e São Damião, os santos gêmeos, morreram em cerca de 300 d.C. Sua festa é celebrada em 27 de setembro. Somente a igreja Católica comemora no dia 26 de setembro, pois segundo o calendário católico, o dia 27 de setembro é o dia de São Vicente de Paulo. Conta-se que eram sempre confiantes em Deus, que oravam e obtinham curas fantásticas. Também foram chamados de “santos pobres”.


A partir do século V os milagres de cura atribuídos aos gêmeos fizeram com que passassem a ser considerados médicos. Mais tarde, foram escolhidos patronos dos cirurgiões. Segundo a crença popular apareceram materializados depois de mortos, ajudando crianças que sofriam violências. Ao gêmeo Acta é atribuído o milagre da levitação e ao gêmeo Passio a tranquilidade da aceitação do seu martírio.


Relação com as religiões afro-brasileiras


O dia de São Cosme e Damião é celebrado também pelo Candomblé, Batuque, Xangô do Nordeste, Xambá e pelos centros de Umbanda onde são associados aos ibejis, gêmeos amigos das crianças que teriam a capacidade de agilizar qualquer pedido que lhes fosse feito em troca de doces e guloseimas. O nome Cosme significa “o enfeitado” e Damião, “o popular”.


Estas religiões os celebram no dia 27 de setembro, enfeitando seus templos com bandeirolas e alegres desenhos, tendo-se o costume, principalmente no Rio de Janeiro, de dar às crianças (que lotam as ruas em busca dos agrados) doces e brinquedos.

Jornal Midiamax