Em Mato Grosso do Sul, a reforma em ponte de 12 metros, feita por empreiteiro que é primo de um engenheiro da Agesul, custa quase duas vezes que o mesmo serviço feito em outra com 10,5 metros.

O governo do Estado de Mato Grosso do Sul está pagando R$ 55.501,69 por um metro e meio de ponte de madeira. É que essa quantia é a diferença de preço entre a reforma de duas pontes de madeira, cujos Extratos de Ordem de Serviço foram publicados no Diário Oficial desta sexta-feira (12).

Segundo os extratos dos contratos publicados, ambas são “pontes de madeira em vigamento simples”. Acontece que uma delas tem 12 metros de extensão e a reforma vai custar R$ 82.780,09, com prazo de 60 dias para execução. Já a outra ponte tem 10,5 metros de extensão e a reforma está orçada em R$ 27.278,40, com 30 dias de prazo para a obra.

A ponte com reforma de R$ 27 mil fica no Km 114 da rodovia MS 338, sobre o Córrego Madeira, município de Santa Rita do Pardo. A Ordem de Serviço indica que a empresa responsável pela reforma é a Duim e Novaes Ltda. De acordo com o engenheiro responsável pela fiscalização da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos) nessa região (3ª Residência), Dirceu Vieira Filho, a ponte está bastante danificada e as obras tiveram início ontem (11).

Já a ponte com reforma de R$ 82 mi fica em Porto Murtinho, na rodovia MS 472, sobre o Córrego Estero Grande. A empreiteira responsável pela obra é a Bodoquena Engenharia Comércio Ltda., e quem assina a ordem de serviço pela empresa é Luiz José Battaglin Brum.

O engenheiro da Agesul responsável por essa região (16ª) é Otávio Battaglin Portela e, de acordo com ele, a ponte está em situação bastante precária, “como outras três na mesma rodovia, sobre os córregos Azul, Jabuti e da Onça”.

Mesmo afirmando que a ponte está muito danificada, o engenheiro disse que não poderia explicar o custo de R$ 82.780,09 para a reforma, porque não tinha em mãos nem o projeto nem o relatório que ele mesmo elaborou no ano passado, segundo ele próprio.

Chama a atenção a coincidência de sobrenomes entre o engenheiro da Agesul e o responsável pela empreiteira. Questionado sobre o fato, Otávio (da Agesul) admitiu que Luiz José (da empreiteira) é seu primo. “Mas isso é coisa antiga, ele presta serviços há coisa de dez anos, e eu assumi só em fevereiro”, argumentou.

Agesul

O engenheiro Beto Mariano, assessor especial da Agesul, responsável pelos projetos e licitações das pontes de madeira, foi procurado pela reportagem, mas estava em reunião e não deu retorno até o fechamento desta matéria.