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França aprova lei sobre genocídio armênio

Parlamentares franceses aprovaram com facilidade nesta quinta-feira um projeto de lei que torna crime negar que os assassinatos em massa de armênios pelos turcos otomanos em 1915 configuram genocídio. A aprovação da lei pela Câmara dos Deputados da França resultou em uma rápida reação por parte da Turquia, que convocou seu embaixador em Paris para […]

Arquivo Publicado em 22/12/2011, às 22h11

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Parlamentares franceses aprovaram com facilidade nesta quinta-feira um projeto de lei que torna crime negar que os assassinatos em massa de armênios pelos turcos otomanos em 1915 configuram genocídio. A aprovação da lei pela Câmara dos Deputados da França resultou em uma rápida reação por parte da Turquia, que convocou seu embaixador em Paris para consultas e interrompeu os contatos oficiais, inclusive grande parte da cooperação militar.


Muito antes da votação de hoje – o projeto de lei foi aprovado facilmente por aclamação antes de seguir para o Senado – já estava claro que a França seguia em rota de colisão com a Turquia. Ancara já vinha ameaçando retirar o embaixador Tahsin Burcuoglu de Paris se os deputados franceses não recuassem e advertindo para “graves consequências” para as relações políticas e econômicas. A lei francesa torna a negação do genocídio punível com prisão de até um ano e prevê multa de 45 mil euros.


Horas depois da votação, o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, convocou o embaixador em Paris de volta a Ancara, para consultas, e anunciou sanções contra a França. “Nós congelamos todos os tipos de consultas políticas com a França”, afirmou Erdogan em entrevista coletiva conjunta com o presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovic, em Ancara. Ele disse que todas as visitas, relações militares, cursos e conferências estão cancelados.


A Turquia nega as acusações e diz que as centenas de milhares de mortes foram fruto da guerra e da fome, e também que muitos turcos foram mortos pelos armênios.


Os armênios afirmam que até 1,5 milhão de pessoas foram sistematicamente mortas em 1915 numa área onde hoje é o leste turco. A Turquia nega que a matança de armênios durante a Primeira Guerra Mundial constitua genocídio.


Segundo o governo turco, o número foi inflado e as mortes foram consequência da guerra civil e da desordem que tomou conta da região em meio à queda do Império Turco-Otomano. Estudiosos consideram a matança de armênios o primeiro genocídio do século 20. As informações são da Dow Jones e da Associated Press.

Jornal Midiamax