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Filho de ex-governador de MS vive sozinho e assusta vizinhos com hábitos obscenos

Segundo os moradores próximos, o engenheiro agrônomo vive abandonado, tem mania de perseguição e toma banho nu em público no bairro de classe média de Campo Grande. Ele admite que tem problemas financeiros, mas nega o uso de entorpecentes.

Arquivo Publicado em 18/06/2011, às 11h47

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Segundo os moradores próximos, o engenheiro agrônomo vive abandonado, tem mania de perseguição e toma banho nu em público no bairro de classe média de Campo Grande. Ele admite que tem problemas financeiros, mas nega o uso de entorpecentes.

Moradores do bairro Recanto dos Pássaros, na região do grande Santo Amaro, em Campo Grande, enfrentam problemas com um vizinho que, segundo eles, tem comportamento antissocial e mora abandonado. O homem é João Carlo Giordani Costa, engenheiro agrônomo e filho do primeiro governador de Mato Grosso do Sul, Harry Amorim Costa.

De acordo com os relatos dos moradores, o vizinho ilustre faz gestos obscenos, profere ofensas contra pedestres, toma banho sem roupas na varanda da casa onde mora e anda com uma tesoura pela rua, assustando alguns.

Eles relatam que já foram até registradas queixas policiais, porém a situação parece mais um caso de saúde, e não de polícia.

Giordani recebeu a reportagem na casa vazia onde mora. Nenhuma mobília e proibição total de fotos. Segundo o filho de Harry Amorim, os únicos pertences que mantém atualmente são as roupas do corpo.

Ele conta que perdeu a maioria do patrimônio em uma transação financeira e nega que use qualquer tipo de droga, como desconfiam alguns vizinhos. “Nem medicamento controlado eu tomo”, garante.

A dona de casa Marribe Teixeira, 49, que mora na casa ao lado da residência de João Carlo, mostra rachaduras numa das paredes que, segundo ela, foram causadas por batidas feitas pelo vizinho com algum tipo de objeto do outro lado.

Ela é uma das moradoras que já registrou ocorrências na polícia contra o filho do primeiro governador de MS. Segundo Marribe, a filha dela foi vítima de gestos obscenos por parte dele. João nega e afirma que é vítima de perseguição dos vizinhos.

A aposentada Suemi Campos, 65, é uma das moradoras que também denunciam os supostos gestos obscenos, ofensas, banhos nu e o fato do engenheiro andar com uma tesoura na rua. “Ele tem ódio mortal de mim, mas eu me preocupo com ele, não sei se ele come ou se tem algum auxílio”, diz.

“Ele quer entrar na casa dos outros e assistir TV, sem falar quando ele toma banho pelado na varanda”, conta outra moradora que preferiu não se identificar.

João Costa conta que foi casado e, segundo ele, tem quatro filhos. “Sou vítima de perseguição, a polícia não faz nada para coibir, fazem muita amarração pra mim. Eu perdi um apartamento e um lote numa negociação, mas sou engenheiro agrônomo e já fui pesquisador da Embrapa”, relata.

Ao ser questionado sobre o motivo de viver da forma como vive, o homem admite que enfrenta dificuldades. “Eu já procurei emprego em mais de trinta empresas, pensava que por ser filho de ex-governador, conseguiria emprego fácil”, analisa.

Segundo ele, a suposta negociata que o levou à ruína poderia ser revertida na justiça. “Eu acredito no Ministério Público, vou receber o dinheiro do meu apartamento e do meu lote de volta e ainda vou montar meu escritório”, planeja aparentemente confuso.

“Os vizinhos que estão reclamando, estão recebendo algum benefício. Já arrombaram, roubaram minha casa, além de eu já ter sido vítima de envenenamento”, acrescenta.

Pai ilustre

Em relação à lembrança dos pais, João se emociona ao lembrar da mãe, que morreu quando ele tinha 15 anos, e do pai, que perdeu com 25. “Não tenho nada a reclamar dos meus pais, sempre nos vestimos muito bem, estudávamos nas melhores escolas, só acho que fiquei muito distante do meu pai”, lamenta.

Sobre o busto do pai no Parque da Nações Indígenas, que João visita frequentemente, João Carlos tem queixa. “Pode melhorar mais. Vou procurar o escultor e mostrar algumas fotos para melhorar a definição”, planeja.

Harry Amorim Costa nasceu no dia 23 de Maio de 1927 em Cruz Alta (RS) era engenheiro civil e foi o primeiro governador de Mato Grosso do Sul, em 1979.

Em 1982, foi eleito deputado federal pelo PMDB, então principal partido de oposição ao governo de João Figueiredo. Não conseguiu se reeleger em 1986, sendo então nomeado secretário de estado de Meio Ambiente em 1987. Harry Amorim Costa morreu num acidente automobilístico em 1988.

Jornal Midiamax