A responsável pela administração da Fazenda Santa Rita, Lúcia Renata Felippe Arcoverde Barros, afirmaram hoje que desconhecem a existência da ocupação dos índios guarani kaiowá na divisa com a fazenda Maringá, e negou que tenha havido ataque a um acampamento conforme vem sendo noticiado desde ontem (14).

“As notícias nos deixaram bastante preocupados, mas não aconteceu nada disso. Não quero violência. Estamos em paz e quero que continue assim, mas estamos pensando em contratar segurança particular para garantir a propriedade”, afirmou Lúcia.

Ela disse também que orientou os funcionários da fazenda para intensificarem a vigilância na área apontada como local da ocupação, mas garantiu que nenhum índio ou acampamento foi encontrado por lá.

“O que os funcionários relataram foi que havia quatro trabalhadores de origem indígena consertando uma cerca, mas era em outra fazenda, a Vera Cruz. Fora isso, não há índios na terra”, afirmou.

Lúcia disse também que não acredita na veracidade das informações repassadas à reportagem pelos representantes dos índios. “Para mim isso é politicagem. Como meu irmão é prefeito, deve ser algum adversário dele usando os índios para plantar informações na imprensa”, declarou.

A Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul) também afirmou, por meio da assessoria, que desconhece qualquer ocupação de terra por índios na região e, consequentemente, não tem informações sobre a ocorrência de confrontos no local.

Funai

A equipe da Funai que esteve vistoriando a área logo nos primeiros dias da ocupação, em relatório datado de 11 de agosto, informa que, apesar das dificuldades, conseguiu localizar o grupo e que, “para evitar implicações legais” optou por conversar com os representantes dos índios à beira da estrada, fora dos limites das propriedades.

O relatório informa também que os proprietários das fazendas foram procurados e que lhes foi solicitado que, não concordando com a presença dos índios, procurasse a via judicial para a retirada do grupo. O objetivo, segundo os técnicos da Funai, foi prevenir o uso de violência e, ainda segundo o documento, os funcionários das fazendas disseram desconhecer a presença dos índios.

Polícia Federal

No final da tarde de hoje (15), por meio da assessoria, a Delegacia de Polícia Federal de Naviraí confirmou que foi solicitada para verificar a presença dos índios na área, mas as diligências ficaram para a manhã desta terça (16). Por enquanto, para a Polícia Federal, ainda não existe qualquer problema, já que, oficialmente, não há confirmação nem da ocupação nem do ataque feito por “capangas” ao acampamento dos índios na madrugada de domingo (14).

Pela manhã, Rosélio Gonçalves, representante do grupo indígena informou à reportagem que eles estão na mata desde que os supostos funcionários das fazendas, a cavalo, destruíram os barracos de lona. Rosélio disse que o grupo de 124 pessoas aguardava para a tarde de hoje a chegada ao local de representantes da Funai e da Polícia Federal.

As propriedades

A fazenda Santa Rita pertence a José Mendes Arcoverde, que é pai do prefeito de Iguatemi, José Roberto Felippe Arcoverde (PSDB) e também da agrônoma Lúcia Renata Felippe Arcoverde Barros.

Lúcia contou que assumiu a administração da fazenda há oito meses, porque o pai, idoso, está doente e o irmão está impedido em virtude de ocupar a prefeitura. Lúcia informou que mora perto de Foz do Iguaçu, no Paraná, e vem a Iguatemi duas vezes por mês para tratar dos assuntos da fazenda.

Sobre a situação na Fazenda Maringá, não foi possível obter informações. O responsável pela propriedade, Dagmar Vargas Antunes, filho da proprietária, estaria viajando.