Falta de trabalhadores em MS justifica ‘importação’ de mão-de-obra, diz indústria

Acidente que matou 34 trabalhadores nordestinos quando voltavam de uma temporada trabalhando em Mato Grosso do Sul destaca fenômeno que traz operários desqualificados de locais distantes e pobres para setor sucro-alcooleiro em MS.
| 06/12/2011
- 17:30
Falta de trabalhadores em MS justifica ‘importação’ de mão-de-obra, diz indústria

Acidente que matou 34 trabalhadores nordestinos quando voltavam de uma temporada trabalhando em Mato Grosso do Sul destaca fenômeno que traz operários desqualificados de locais distantes e pobres para setor sucro-alcooleiro em MS.

O acidente que matou 34 trabalhadores nordestinos quando eles voltavam de Mato Grosso do Sul, onde trabalharam na indústria sucro-alcooleira, chamou a atenção para detalhes de um fenômeno no mercado de empregos. A ‘importação’ de mão-de-obra de regiões remotas e pobres para trabalhar nos locais de expansão de indústrias energéticas e da construção civil.

No interior de Mato Grosso do Sul, segundo os empresários, falta pessoal para trabalhar.

Esse seria o principal motivo, segundo o chefe da seção de inspeção de trabalho, da superintendência regional de trabalho, Wallace Faria Pacheco, para a contratação de trabalhadores oriundos de outros estados do País. “Não temos oferta de mão-de-obra o suficiente para esse serviço”, disse.

Segundo ele, a oferta existente seria de trabalhadores indígenas, entretanto algumas indústrias não têm o costume de contratar indígenas por questões de características especificas de trabalho. Como exemplo, citou a maior intervenção do Ministério Público nos contratos de trabalhador indígena e o retorno periódico às aldeias.

O problema é confirmado pelas prefeituras de Jateí, cidade onde os 33 mortos na tragédia, sendo a maior parte de pernambucanos residiam. Conforme a secretária municipal de administração de Jateí, Eliete Medeiros, falta mão-de-obra em Jateí e também em Vicentina, onde a indústria está instalada, para esta demanda.

“Falta mão-de-obra. Teve época que tínhamos cerca de 400/500 trabalhadores de fora residentes aqui”, disse.

Ainda segundo a secretária, 99% dos trabalhadores vêm de fora para trabalhar. Ela disse que, em algumas vezes, até tem trabalhador na cidade, mas eles não querem trabalhar no corte da cana. “O serviço é muito pesado. Muito puxado. Não é qualquer um que encara um trabalho disse”, completou.

A assessoria de imprensa de Vicentina endossa a informação. Segundo a assessoria falta mão-de-obra na cidade. “Em Vicentina só não trabalha quem não quer, serviço tem pra todo mundo”, disse a assessoria.

Fiscalização

Quanto aos trabalhos de fiscalização, Wallace Faria Pacheco disse que número de fiscalizações é muito grande. Ele disse que a superintendência tem 50 auditores para fazerem este trabalho, destes, 15 são responsáveis por fiscalizar cerca de 700 propriedades rurais anualmente.

Ele confirma que em muitos casos se deparam com trabalhadores vivendo em condições análogas ao trabalho escravo. Quando isso acontece, a superintendência acional o Mistério Público e abre-se processo contra o contratante.

Wallace ainda informou que esse tipo de ‘trabalho’ ainda acontece porque os proprietários rurais ainda tem uma “cultura secular” de contratar o empreiteiro rural, conhecido como Gato, que faz o agenciamento destes trabalhadores, o que não é permitido por lei. Já que são poucas as modalidades que se pode terceirizar, e a contratação não é uma delas. “A contratação tem que ser feita diretamente entre empregado e empregador, não pode haver essa terceirização”, explica.

Responsabilidades

O chefe da seção de inspeção de trabalho não soube explicar a quem cabe a responsabilidade pela morte dos trabalhadores. Já que no momento que eles foram embora, o contrato de trabalho já havia sido finalizado.

Ele explicou que esse tipo de acidente, caracterizado como não típico, já que não ocorreu no momento que o trabalhador está em serviço, não é tipificado como acidente de trabalho. Por isso, não cabe a eles apurar.

Alem disso, ele informou que as contratações são feitas na superintendência regional de trabalho de origem, no caso a de Pernambuco, por isso não poderia dizer como será as investigações deste processo específico.

A empresa

A empresa Central Energética Vicentina, que contratou os trabalhadores rurais da cidade de Buíque, em Pernambuco, disse nesta segunda-feira (5) que não vai se pronunciar sobre o acidente que matou os cortadores de cana no interior da Bahia no último sábado (3).

O caso

Os 34 trabalhadores rurais saíram de Mato Grosso do Sul em ônibus em direção ao interior de Pernambuco para passar as festas de fim de ano. Eles sofreram um acidente com uma carreta e um caminhão de carga na madrugada do último sábado, na BR-116, interior da Bahia.

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