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Equipe revisora do Plano Diretor de Três Lagoas cede e imóveis terão área construída ampliada

A 2ª audiência pública para a revisão do Plano Diretor indicou mudanças reivindicadas por profissionais do ramo imobiliário, mas o comparecimento da população foi em pequeno número.

Arquivo Publicado em 02/12/2011, às 01h11

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A 2ª audiência pública para a revisão do Plano Diretor indicou mudanças reivindicadas por profissionais do ramo imobiliário, mas o comparecimento da população foi em pequeno número.


Apesar da baixa participação popular, a 2ª audiência pública para a revisão do Plano Diretor de Três Lagoas trouxe novidades quanto às diretrizes de desenvolvimento ocupacional do território urbano da Cidade. O evento aconteceu simultaneamente com a inauguração da decoração natalina em Três Lagoas – na noite desta quarta-feira (30).



Pressionados por grupos pertencentes ao ramo imobiliário, a equipe responsável pela elaboração do Plano cedeu a exigências relacionadas ao tamanho mínimo dos lotes e a ocupação destes.



Segundo o arquiteto e urbanista, Ângelo Arruda, chefe da equipe para a revisão do Plano Diretor, os terrenos serão divididos em três categorias.



“Aqueles lotes com frente de 10 metros e área total de 300 metros quadrados poderão receber edificações. Desde que mantenham recuo frontal de 1,5 metros. Nos demais casos de construções térreas, as exigências quanto aos recuos diminuíram em 3 metros. Para os sobrados, o recuo de 1,5 deve ser na frente da edificação e nos fundos. Essa alteração beneficiará 25 mil lotes nessa situação pela Cidade”, explicou.



Outra reivindicação dos corretores, arquitetos e engenheiros, sobre a liberação de construções verticais – edifícios – com menor área livre em torno destes, também foi concedida.



De acordo com Antonio Souza, presidente da Associação de Corretores e Imobiliárias de Três Lagoas e chefe da comissão formada para reivindicar mudanças na redação da revisão, o Plano atual impedia a verticalização da Cidade. Para Antonio, as delimitações exigiam uma área muito grande para se construir um edifício.



“Atualmente é necessário adquirir um terreno muito maior do que a medida convencionada em demais cidades brasileiras para se construir um edifício. Esse fator, exigido pela Prefeitura, acaba afugentando empreendedores imobiliários”, alegou.



Novo Cálculo



Arruda explica como deverá ser o novo cálculo para estabelecer a área livre, caso a revisão seja aprovada na Câmara Municipal de Vereadores, em março de 2012.  



“Para prédios altos a área livre mínima também sofrerá alteração. A exigência do Plano Diretor, vigente desde 2006, era uma área livre resultante do quociente da divisão da altura do edifício por dois. Agora o espaço em livre poderá ser menor, pois o divisor foi alterado para três”, iniciou o esclarecimento tecnicamente, mas logo completou exemplificando.



“Um edifício de 12 andares, ou seja, 36 metros, no Plano atual a área livre obrigatória é de18 metros quadrados, pois é o resultado da divisão dos 36 metros por dois. No novo texto, caso aprovado, o espaço exigido ao redor da construção será reduzido para 12 metros quadrados, ou seja, a divisão passa a ser feita por três”, concluiu.



Crescimento



Entretanto, a arquiteta Sandra Latta afirmou ainda ter receios quanto à conclusão de um Plano Diretor realmente eficaz no que diz respeito ao planejamento da Cidade.



“Ao trabalhar apenas com dados fornecidos pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para o estudo do crescimento populacional de Três Lagoas, a revisão pode ser falha na questão da implantação de infraestrutura adequada em determinadas regiões. Acredito que seria necessário conhecer qual é o crescimento real para se planejar o futuro”, argumentou Latta.



De acordo com Arruda, a Prefeitura não dispõe de um órgão de planejamento urbano. O que inviabiliza uma consulta mais detalhada.



“Não existe em Três Lagoas uma fonte de consulta para estabelecermos um número confiável de residências, hotéis e comércios em geral. Também não dispomos de tempo suficiente para elaborarmos um relatório desse porte. Portanto, nossa única ferramenta quanto a esse fator é o IBGE”, alegou.



Questionado sobre uma previsão sobre regiões que receberá maior taxa de crescimento ocupacional, Arruda apontou algumas áreas ainda desabitadas.



“Provavelmente a Cidade crescerá quanto aos loteamentos por detrás das lagoas, na região oeste e na saída para Selvíria”, indicou.



O novo texto ainda passará por nova audiência pública, no início de 2012, para depois ser encaminhado à apreciação da Câmara de Vereadores.

Jornal Midiamax