Geral

Enquanto fazendeiros estão isolados, obras da Agesul atendem fazenda do deputado Giroto

Estrada que leva à propriedade do deputado federal, em Rio Negro, será pavimentada logo e uma ponte de concreto, já concluída, substituiu uma travessia velha, construída há décadas. Um dos sócios do parlamentar é coordenador da Agesul, e a outra, é filha de servidor do órgão.

Arquivo Publicado em 16/05/2011, às 10h24

None
2112395606.jpg

Estrada que leva à propriedade do deputado federal, em Rio Negro, será pavimentada logo e uma ponte de concreto, já concluída, substituiu uma travessia velha, construída há décadas. Um dos sócios do parlamentar é coordenador da Agesul, e a outra, é filha de servidor do órgão.

Dois anos após comprar uma fazenda em Rio Negro, cidade distante 163 km de Campo Grande, o deputado federal Edson Giroto (PR), já conta com benefícios que a maioria dos produtores rurais de MS ainda espera. A propriedade é cercada de benefícios que hoje são os mais requisitados pelas prefeituras do interior de Mato Grosso do Sul, como pontes de concreto e estrada pavimentada.

Ou seja, o parlamentar está livre do gargalo logístico dos produtores rurais sul-mato-grossenses. Antes de o imóvel ser registrado em nome de Giroto, a ponte que ligava à fazenda era velha, construída com madeira e a estrada ruim, segundo moradores da região.

Em março passado, ao menos nove municípios sul-mato-grossenses decretaram estado de emergência porque tiveram estradas e pontes danificadas por fortes temporais.

Cinco quilômetros depois da parte urbana de Rio Negro, uma ponte sobre o rio dos Peixes, obra ainda não inaugurada, porém já trafegada, que consumiu R$ 1.398.330,72 dos cofres estaduais, substituiu a travessia de madeiras, erguida há décadas, já caindo aos pedaços.

Dali, mais 14 km de estrada cascalhada, chega-se a fazenda Vista Alegre, de 1.062 hectares, comprada por R$ 1,7 milhão por Giroto e mais três sócios, um deles coordenador da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimento), órgão do governo responsável pela construção e manutenção de pontes e estradas que cruzam o Estado (saiba mais sobre a compra desse imóvel em notícias relacionadas, logo abaixo).

A travessia concretada, de 9,6 metros de largura e 48 metros de comprimento, foi construída pela Sipav Sinalização e Recuperação de Pavimentação Ltda. Essa empreiteira venceu a licitação no dia 3 de maio do ano passado e, num prazo de seis meses, concluiu a travessia, antiga reivindicação dos fazendeiros.

Cerca de um mês atrás, no dia 1º de abril de 2010, Giroto havia deixado o comando da Secretaria Estadual de Obras do Estado para disputar uma vaga na Câmara Federal.

A Sipav, uma das construtoras que mais constrói pontes no Estado, doou R$ 30 mil para a campanha de Giroto, eleito com 147 mil votos, o mais bem votado entre os deputados federais de Mato Grosso do Sul em outubro passado.

Antes de ingressar à política, Giroto chefiou por dez anos a secretaria de Obras de Campo Grande e, por três anos e meio, a secretaria de Obras do Estado.

De Rio Negro até a fazenda Vista Alegre, propriedade do deputado federal e seus três sócios, é preciso, embora a curta distância, transitar por duas rodovias: a MS-080 que, seguindo reto alcança o município de Rio Verde, e a MS-430, estrada que leva até a cidade de São Gabriel D’Oeste.

A distância de Rio Negro até a fazenda de Giroto é de 19 km. Da propriedade Vista Alegre, que fica na MS-430, até o município de São Gabriel, a extensão é de uns 60 km. Pelo menos metade desse trecho será asfaltada. De acordo o vice-prefeito de Rio Negro, Eronildes Sabino Nery, do PTB, o processo licitatório já foi definido e a estrada deve ser pavimentada logo.

Com isso, a propriedade de Giroto deve ser uma das mais amparadas pelos serviços prestados pela Agesul, órgão estadual que cuida das estradas e pontes.

A reportagem quis conversar com o deputado por telefone, mas o aparelho estava desligado e recados foram deixados na secretária.

O sócio do parlamentar, João Afif Jorge, coordenador da Agesul, embora procurado na quarta-feira e quinta-feira passada, também não foi localizado. Uma secretária do órgão informou que na quinta (12), ele participava de uma reunião e, na sexta (13), ele estaria no prédio da Agesul, mas também em audiência de trabalho.


Jornal Midiamax